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14 de out de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 7 : O ARROJADO BROSNAN











Pierce Brosnan muda o rumo de James Bond no cinema trazendo elementos dos atores que viveram 007 nos filmes anteriores e Judi Dench empresta sua elegância a franquia


007 Contra Goldeneye ( Goldeneye, 1995 )




O produtor Albert Broccoli estava com sua saúde fragilizada devido aos seus problemas cardíacos e viria a falecer sete meses após a estréia deste filme, porém sua filha Barbara Broccoli não deixaria o legado de sua família ser apagado. Ela mesma iria se encarregar de produzir a franquia junto com Michael G. Wilson.
Ambos contrataram para a direção um jovem neo-zeolandês que havia criado uma pequena gema no ano anterior: “Fuga de Absolom” e que já havia dirigido muitas séries de TV: Martin Campbell.
Para substituir Timothy Dalton, lembraram-se do Irlandês Pierce Brosnan que já havia sido cotado para viver o agente no cinema quando Roger Moore deixou o papel. Na época não pôde aceitar, pois estava filmando a série de TV: “Remington Steele”.
Uma decisão inusitada fez com que os produtores tomassem um novo rumo quanto ao personagem M, chefe de James Bond. Em 1992, Stella Rimington tornou-se a chefe do MI5, logo, se na vida real uma mulher poderia encabeçar esta organização, já era chegada a hora de se dar um passo mais ousado na série.
A inglesa Judi Dench foi escalada para trazer o requinte necessário que 007 necessitava naquele momento. Pela primeira vez na série, James Bond iria acatar as ordens de uma mulher no comando.
A história não era baseada em nenhuma obra literária de Ian Fleming, porém seu título “Goldeneye” era o nome da casa de Fleming na Jamaica e o nome da operação que o escritor criou na segunda guerra mundial.
Com a queda do muro de Berlim em 1989 e a subseqüente derrocada da União Soviética, o mundo mudou drasticamente e o agente secreto idealizado por Ian Fleming teria que ser atualizado para este novo mundo globalizado que já se principiava no início dos anos 90. Ao contrário do que muitos supunham na época, havia espaço para uma revitalização na franquia.
Em uma cena do filme, M chama 007 de “ Uma relíquia da guerra fria”, mostrando que nos anos 90 o Bond interpretado por Dalton estava ultrapassado.
Levando-se em consideração que o objetivo deste filme era reinserir o personagem neste novo mundo, o roteiro era o menor dos problemas.
No início, James Bond é acompanhado pelo agente 006, Alec Trevelyan (interpretado por Sean Bean), em uma missão. Juntos infiltram-se numa fábrica de armas químicas soviéticas e são recepcionados pelo cruel General Ourumov (Gottfried John) que captura o agente 006. James Bond ouve um tiro e sabe que seu amigo havia sido assassinado, utilizando sua inteligência consegue escapar do lugar em uma seqüência que até os fãs da época consideram inacreditável demais! 007 pula de sua motocicleta e alcança um avião em queda livre a tempo de entrar e sair do mesmo antes que ele seja destruído.
Esta seqüência pré-créditos já enunciava o que de pior haveria por vir na franquia: O uso excessivo de computação gráfica. Os filmes de James Bond sempre fizeram sucesso pois conseguia se ver os dublês esmerando-se em alcançar a tomada perfeita, sempre tentando se superar a cada projeto. Apelar para as facilidades tecnológicas talvez tenha sido o erro mais grave cometido nesta era Brosnan.

O Goldeneye do título é um super-satélite capaz de provocar pane em qualquer circuito eletrônico do mundo. Em seu encalço estão o general Ourumov e Xênia Onatopp ( interpretada pela bela Famke Janssen), que como de costume na saga, possui uma excentricidade: Sádica, ela gosta de torturar e matar seus oponentes por asfixiamento ao enlaçar fortemente suas pernas no ato do amor. O general e Onatopp estão a mando da organização criminosa Janus, liderada por um velho amigo de 007.
A surpresa no filme não é tão inesperada e acredito que nem tenha sido a intenção dos produtores fazê-la desta forma. “007 contra Goldeneye” é hermético e calculado, não havendo espaço para erros.
Para o importante papel da nova BondGirl: Natalya Simonova, foi chamada a linda cantora pop e modelo polonesa Izabella Scorupco, que deu vida à única sobrevivente de um ataque orquestrado pelo satélite Goldeneye a seu centro de controle.
No lugar do veterano Felix Leiter, os produtores decidiram criar um novo personagem, porém com as mesmas características: Um agente da CIA que ajuda 007 ao longo da missão. Jack Wade é interpretado por Joe Don Baker, que já havia sido um vilão no filme “The Living Daylights”. Seu personagem voltaria no filme seguinte.
O armeiro do agente, o famoso Q segue sendo interpretado magistralmente por Desmond Llewelyn, o ator que participou mais ativamente na franquia, desde o segundo filme da série: “From Russia with Love”.
Para o papel da secretária apaixonada Moneypenny, contrataram Samantha Bond, que participou de todos os filmes que Pierce Brosnan protagonizou. Sua caracterização não supera a de Lois Maxwell, porém não demonstra a latente apatia da Moneypenny dos filmes de Timothy Dalton.
O jovem arrogante programador de computadores Boris Grishenko (qualquer semelhança com o “Boris Grushenko” de Woody Allen no filme “Love and Death”, pode não ser mera coincidência), interpretado por Alan Cumming é uma variação do usual alívio cômico, porém interessante e funcional na trama.
A escolha mais acertada na escalação foi o ator Robbie Coltrane no papel do malandro gangster russo Valentin Zukovski. O ator voltaria ao papel no terceiro filme com Brosnan, “The World is not Enough”.
Quanto as cenas de ação, a mais impressionante e comentada é a sequência de destruição criada por um tanque de guerra em plena rua de São Petersburgo. Guiado por Bond, o “instrumento de destruição” não deixa nada sair ileso em sua busca desesperada para salvar Natalya das mãos dos vilões.
Após o compositor John Barry recusar o pedido de Barbara Broccoli, o maestro Eric Serra foi chamado para compor a trilha sonora para o filme. Sua contribuição foi um fracasso, talvez o único em evidência no filme.
A canção-tema foi composta pelo cantor Bono, líder do grupo U2 e The Edge. A lendária Tina Turner trouxe charme e vigor à inspirada letra de “Goldeneye” e a música caiu no gosto do público e dos fãs que a consideram uma das melhores de toda a franquia.
A atuação de Pierce Brosnan foi elogiada pela crítica e agraciada pelo público, porém não trouxe nenhuma novidade. Brosnan criou um amálgama de qualidades evidenciadas em todos os atores anteriores: O sarcasmo de Connery, a truculência de Lazenby, o humor debochado de Moore e o “olhar perigoso” de Dalton. Porém como em tudo na vida, quando se tenta realizar muitas atividades diferentes conjuntas, nenhuma tende a ser evidenciada muito bem.
O filme rendeu mais de 350 milhões de dólares e tornou-se a maior bilheteria na saga desde “Moonraker” de 1979.
Um filme muito bom, porém com um roteiro fraco e cautela excessiva.
Para se realizar um ótimo filme de 007, deve-se ousar, como o próprio diretor Martin Campbell provou anos depois...

NOTA : 9,0 / 10


007 – O Amanhã Nunca Morre ( Tomorrow Never Dies, 1997)


O sucesso popular do filme anterior foi o suficiente para que a “Bondmania” novamente invadisse o mundo. Uma nova geração de cinéfilos descobriam o agente criado por Ian Fleming, os adolescentes que vibravam com o jogo de videogame: “Goldeneye”, para a plataforma da Nintendo e os “trintões” que aceitaram sem ressalvas o novo 007.
A pressão era enorme e Barbara Broccoli teria que produzir este empreendimento sem a cooperação do pai, que já havia falecido.
O diretor Martin Campbell se recusou a dirigir dois filmes seguidos de James Bond e o cargo foi parar nas mãos inexperientes do norte-americano Roger Spottiswoode, um diretor sem expressão e personalidade.
O título do filme foi o primeiro na série a não ter nenhuma relação, por ínfima que seja, ao trabalho literário de Ian Fleming. O roteiro foi o resultado de um “brainstorming” entre sete roteiristas.
Na história, um navio britânico é desviado para águas chinesas, onde será afundado e seus marinheiros serão metralhados no mar. Em retaliação, o Reino unido se prepara para iniciar uma agressiva ação militar. Este perigoso conflito pode levar à eclosão da terceira guerra mundial.
Esta trama maligna foi idealizada por um cruel e megalomaníaco magnata da imprensa que deseja dominar o mundo manipulando as notícias em seu jornal: “Tomorrow”.
Para o papel do magnata Elliot Carver, após a recusa de Anthony Hopkins, foi escalado o elogiado ator britânico Jonathan Pryce, que utilizou referências a William Rundolph Hearst e Dr. No (o primeiro vilão de 007 no cinema) para criar seu personagem.
O fiel ajudante do vilão é caracterizado por um jovem alemão chamado Gotz Otto, que vive o cruel e frio Stamper, capanga da mesma “escola” iniciada por Oddjob em “Goldfinger”.
A esposa de Carver (vivida por Teri Hatcher) já tivera outrora uma relação com James Bond e agora terá que se decidir em qual lado ficar e arcar com as conseqüências desta escolha.
Muitos elementos deste filme remetem ao sucesso: “O Espião que me Amava”, talvez o mais forte destes refira-se a BondGirl chinesa Wai Lin ( Michelle Yeoh), sucessora de uma rara exceção na série, a auto-suficiente agente soviética interpretada por Barbara Bach no filme de 1977.
A chinesa não necessita da ajuda do agente e prova com sua perícia nas artes marciais que, em muitos momentos, supera James Bond.
A veterana atriz Judi Dench retorna como a superiora de 007, M, e seus diálogos com o agente são um ponto alto do filme. Um exemplo é quando responde secamente ao almirante Roebuck (Geoffrey Palmer), após o mesmo duvidar de sua capacidade e firmeza no cargo:
-“ Pelo menos não corro o risco de pensar com a cabeça errada”.
A cena mais comentada do filme é a espetacular fuga de 007 e sua BMW 750 dentro de uma claustrofóbica garagem. A invenção de Q (Desmond Llewelyn) pode ser conduzida manualmente por um pequeno telefone celular, o que fará com que o agente possa conduzir o automóvel deitado no banco de trás. Um verdadeiro show de destruição, muito bem realizado pela equipe técnica.

O compositor John Barry em uma conversa com Barbara Broccoli lhe indicou um jovem talento que, em sua opinião, poderia elaborar uma trilha sonora à altura do agente secreto mais famoso do cinema. O escolhido foi David Arnold que misturou a “techno music” com os toques clássicos sinfônicos de John Barry, criando uma trilha com personalidade e estilo.
Para escolher a música-tema, uma competição foi feita e cerca de doze composições foram criadas, com nomes como: Saint Etienne, Marc Almond, K.D. Lang e Sheryl Crow. Seguindo a tendência criada no primeiro filme de Timothy Dalton, duas canções seriam utilizadas, uma no início e outra nos créditos finais.
A canção principal escolhida foi a interpretada por Sheryl Crow e a talentosa K.D. Lang esbanja qualidade vocal em sua reedição de “Surrender”. Considero esta canção muito superior a que foi utilizada nos créditos iniciais.
O filme orçado em 110 milhões de dólares rendeu nas bilheterias mundiais cerca de 335 milhões. Não superou a bilheteria de “Goldeneye”, mas garantiu a longevidade da franquia.
Pierce Brosnan supera seu trabalho no filme anterior, demonstrando muito mais confiança e serenidade.
A recepção dos críticos foi boa, muitos elogiaram a trama que fala dos malefícios da imprensa, quando utilizada em mãos erradas. Um problema atual e bastante verdadeiro.
O décimo oitavo filme da série é largamente apoiado na ação e pirotecnia, o que afasta um pouco o tom de espionagem inerente ao personagem criado por Fleming. Infelizmente este caminho iniciado com o sucesso deste projeto iria moldar o futuro incerto e desajeitado das próximas duas aventuras de James Bond no cinema.

NOTA : 8,5 / 10



Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler: Dossiê 007 -parte 01, Dossiê 007 -parte 02, Dossiê 007 - parte 03, Dossiê 007 - parte 04, Dossiê 007 - parte 05 e Dossiê 007 - parte 06.

7 Comentários:

Moore disse...

uau, essa viagem está ficando "quente"..........hehehe..parabéns, nem me canso de parabenizá-los pelo trabalho....rsrs

rui disse...

É...este especial sobre 007 está superando minhas expectativas. Em poucas linhas, o autor consegue nos trazer o filme inteiro à mente.
Sente-se o esforço e dedicação do mesmo para com a autenticidade das informações,muitas desconhecidas por mim.
Parabéns mais uma vez e ficarei aqui,na espera do próximo capítulo!

Pedro Lemes disse...

parabéns, nem me canso de parabenizá-los pelo trabalho....rsrs [2]

Show de Bond!

Novamente ótimo trabalho! Brosnan teve excelentes filmes, exceto claro, DAD! Gosto é gosto!

Parabéns novamente Octavio!

Anônimo disse...

É incrível como esse dossiê nos coloca "vendo" os filmes.Sempre muito interessante.Parabéns,again!

Lili disse...

Pierce Brosnan é maravilhoso e fez um 007 muito bem construído.Gostei de todos os filmes com ele.Como sempre está muito bem escrito e gostoso de ler...Estou esperando a crítica para o do Craig !!!Prá mim,o mais "autêntico" 007 !!! Novembro está chegando !!!

Juracy disse...

Num dá prá não ler...Já falei,cara, que isso dá um livro ! Tá muito show !!!Já tá chegando o final porque o Craig tá chegando no pedaço.Pena que vai ter que acabar...Pô,valeu.Parabéns de novo! Cadê o 8 ???

sérgio lima disse...

Só agora estou tendo a oportunidade de ler este manacial de informações...li as 7 partes de cabo a rabo! O Otávio não só conseguiu capturar a essência do personagem de 007, como também soube nas entrelinhas criar uma narrativa típica de um livro de ficção..uma abordagem muito criativa e que nos instiga a prender os olhos na tela do pc e não desgrudar enquanto não chegamos na última linha. Parabéns ao crítico.
Irei acompanhar com pontualidade este dossiê...no aguardo do novo filme!!

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