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21 de out de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 8 : O DINHEIRO NÃO É O BASTANTE











Depois de renovar a franquia de 007, Pierce Brosnan se despede de James Bond de forma melâncolica em filmes com roteiros e direção fracos.


007 – O Mundo não é o Bastante (The World is not Enough, 1999)

O milênio estava acabando e a franquia criada por Cubby Broccoli e Harry Saltzman em 1962 havia conseguido se manter no olimpo cinematográfico, mesmo que com pequenos escorregões.
Um dos elementos mais utilizados durante a série é a utilização de diretores “laranja”, ou seja, nomes sem muita personalidade que aceitam a tarefa de seguir a cartilha dos produtores. Essa prática tornou-se mais usual após a saída do diretor John Glen (este ainda conseguia imprimir algum tipo de estilo próprio aos filmes).
Para dirigir o décimo-nono capítulo, um diretor inglês foi escalado: Michael Apted. O seu maior sucesso anterior havia sido: “Nas Montanhas dos Gorilas”, com Sigourney Weaver.
Em sua terceira participação, Pierce Brosnan já sentia-se confortável interpretando o agente secreto mais perigoso do cinema, como ele mesmo disse em uma entrevista na época:
-“ Ao final do meu primeiro filme, eu já me sentia totalmente como uma encarnação de 007 e eu me divirto muito vivendo as aventuras de James Bond”.
O merchandising sempre esteve presente, desde os primeiros filmes da década de 60, porém na década de 90, alavancado pela aceitação do personagem por vários tipos de público (o adulto que acompanhava Connery e o jovem, fã de Pierce), o merchandising tomou uma proporção descabida. Muito dinheiro foi colocado à disposição dos produtores e isso irritou até mesmo Brosnan:
-“Acho que desta vez (em 007- O amanhã nunca Morre) os produtores exageraram um pouco no merchandising. Não que isso tenha estragado o filme, mas concordo que foram muitos produtos”.
O ator então decidiu incluir em seu novo contrato uma cláusula que lhe concedia direitos de opinar sobre detalhes como esse na produção.

O roteiro de “O Mundo não é o Bastante” foi escrito por Neal Purvis, Robert Wade e Bruce Feirstein. O título deriva diretamente do lema pessoal de James Bond, como estava impresso em seu brasão familiar, visto no filme de 1969: “À Serviço Secreto de sua Majestade”, com George Lazenby.
A trama que lembra mais o cinema “Noir” dos anos 40, envolve o assassinato de um magnata do petróleo por um vilão frio e que carrega um fardo: Após levar um tiro e a bala ficar alojada no cérebro, ele é incapaz de sentir dor e vai perdendo todos os sentidos lentamente. Ele irá acabar morrendo, porém tornar-se-á cada vez mais forte no processo.
O anarquista Renard é vivido pelo escocês Robert Carlyle. Seu personagem seqüestra a filha do magnata Elektra King (Sophie Marceau) e os efeitos deste acontecimento irão moldar a história que se desenrola sem muita paixão.
A BondGirl desta vez é uma física nuclear com o corpo de uma “cheerleader” americana. A dra. Christmas Jones é vivida pela bela Denise Richards.
Robbie Coltrane retorna a série como o mafioso russo Valentin Zukovsky, sendo sua química com 007 um dos pontos altos do filme.

Judi Dench retorna neste filme com uma participação mais influente. Sua personagem será raptada, traída por quem menos esperava, fato que desencadeará o desfecho cheio de clichês do filme. Pela primeira vez na série, a chefe de James bond se envolvia diretamente na trama. Uma boa idéia, porém desperdiçada.
Este filme também marcaria a despedida de Desmond Llewelyn e seu personagem Q na franquia. No filme, ele sai de cena de forma emblemática e sutil, enquanto um novo personagem aparece para substituí-lo. Na vida real, Desmond morreu em um acidente de carro após o fim das filmagens, no dia 19 de Dezembro de 1999.
Durante muitos anos ele havia sido o elo que ligava os primórdios da série com o agente contemporâneo vivido por Pierce Brosnan. Agora, pela primeira vez a franquia “cortava” totalmente as ligações com o passado e James Bond em sua próxima aventura estaria “órfão”.
O personagem que o substituiu neste e no filme seguinte foi vivido pelo grande cômico britânico John Cleese, um dos membros fundadores da trupe do histórico grupo de humor inglês Monty Python.
A cena mais marcante do filme é a seqüência pré-títulos, com uma perseguição de lanchas no rio Tâmisa que termina em um balão de ar quente. Foi a seqüência inicial mais longa da história da série, com quatorze minutos.
Para a trilha sonora chamaram David Arnold, que já havia composto para o filme anterior. O mesmo decidiu quebrar a tradição iniciada em “The Living Daylights” de se ter duas canções tema, uma no início e outra no final.
A canção “The World is not Enough” foi escrita por Arnold em parceria com Don Black (que havia colaborado em músicas marcantes na série, como “Thunderball” e “Diamonds are Forever”) e interpretada pelo grupo Garbage.
A canção foi muito bem recebida pelos fãs e pela crítica especializada.
O filme não foi bem recebido pelos críticos que consideraram-no um dos piores da série, porém muitos fãs discordam incisivamente.
A meu ver o filme reflete a inexpressividade da direção, aliada a algumas péssimas escolhas de elenco e falta de paixão com o tema.
“007 – O Mundo não é o Bastante” é um filme morno, com mais defeitos que qualidades.

NOTA : 8,0 / 10

Veja o trailer:


007 – Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, 2002)

O vigésimo filme de James Bond marcaria um momento histórico: 40 anos na longeva existência da franquia mais popular do cinema. A comemoração viria na forma de um projeto/homenagem aos fãs. Uma intenção nobre, mas como de boas intenções o mundo está lotado...
Para começar, os produtores entregaram o projeto a mais uma mão incompetente: O diretor neo-zeolandês Lee Tamahori. Sem nenhum sucesso expressivo em seu currículo, o diretor foi uma decisão incauta e preguiçosa que rendeu conseqüências alarmantes e quase definitivas.
Neal Purvis e Robert Wade se encarregaram de “tecer” um roteiro, que faria alusão a todos os filmes da série, costurando assim a colcha de retalhos.
Haveria o contrabando de diamantes e o uso de um satélite munido de laser, como no filme “Os Diamantes são Eternos”, a demissão de James Bond do MI6 já vista em “Permissão para Matar”, o bikini utilizado pela BondGirl ao sair do mar, remete claramente a personagem de Ursula Andress em “Dr. No”, entre muitas outras referências.
Na história, James Bond lidera uma missão na Coréia do Norte, onde após matar um coronel, se vê capturado e levado a uma rústica prisão. Um ano depois, após ser liberado numa troca de prisioneiros, 007 perde sua licença para matar e busca desesperadamente o responsável por sua prisão. Seu caminho cruza-se com o do milionário Gustav Graves (Toby Stephens) que guarda um segredo surpreendente sobre seu passado.
A BondGirl Jinx é interpretada por Halle Berry, sendo talvez o único ponto alto do filme. A agente que ajuda Bond a perseguir o norte-coreano Zao ( Rick Yune) e descobrir sua conexão com o vilão é considerada pela própria atriz como o novo passo na evolução das personagens femininas nos filmes de 007.
Toby Stephens no papel do vilão não acrescenta nada à franquia, fazendo lembrar com saudade da época onde os inimigos de Bond eram interpretados por atores do alto escalão.
O que falar então da escalação do canastrão Michael Madsen em um papel coadjuvante sem nenhuma importância? O ator de “Cães de Aluguel” torna-se nítidamente um “peixe fora da água” nesta produção.
A produção foi tão generosa que concedeu até um papel para Madonna, que interpreta a canção tema. A cantora vive Verity, a instrutora de esgrima da personagem de Rosamund Pike, a dúbia Miranda Frost.
Fica clara a intenção dos realizadores de fazer deste filme uma celebração. Porém acabou tornando-se uma “festa mal organizada, barulhenta” e com um “anfitrião” deslocado e confuso.
Como todas as festas citadas acima, o que fica nos espectadores após um minuto de seu final é um gosto amargo e a sensação parcial de amnésia.
O uso excessivo de computação gráfica em algumas cenas foi a “pá de cal” que a série não merecia receber em um evento que deveria ser para homenagear o sucesso da franquia. Todo o trabalho incessante de vários técnicos e dublês ao longo dos 40 anos de 007 no cinema, as cenas que pareciam impossíveis e que com muito esforço foram realizadas... tudo foi por água abaixo quando James Bond decide “surfar” em um mar de gelo. É ver para crer! Uma lição de como não se fazer uma seqüência de ação em um filme de 007.
A trilha sonora ficou a cargo novamente de David Arnold e a canção tema foi escrita e interpretada por Madonna. Pela primeira vez, uma canção iria representar exatamente a cena na qual ela foi inserida, diferente das músicas dos filmes anteriores que não se conectavam a nenhuma cena específica nos filmes. A canção fala sobre Bond tentando sobreviver aos 14 meses de confinamento na prisão, passando por torturas físicas e psicológicas.
Os jovens adoraram a música de Madonna, porém os fãs mais antigos rejeitaram-na. Com sua influência Hip-Hop: “Die another Day”, foi um passo arriscado dos produtores tentando afastar-se das composições mais elaboradas harmonicamente. (veja o clipe em nossa seleção de temas 007 através do link logo abaixo)
Mesmo tendo sido um sucesso nas bilheterias mundiais, o filme foi desastroso. Além dos defeitos já destacados, vale incluir a invenção mais estapafúrdia já vista na série: O carro-invisível do herói! Ian Fleming e seu legado não mereciam tal atrocidade...
O ator Roger Moore citou em uma entrevista na época de lançamento do filme, algo que reflete o pensamento de todos os fãs:
-“ Eu acho que eles foram longe demais...e sou eu quem digo: O primeiro Bond no espaço (referência a “Moonraker”)! Carros invisíveis e efeitos fracos em computação gráfica? Tenham paciência!”
Era notório que para manter a franquia por mais 40 anos, se fazia necessária uma nova roupagem, uma nova mudança de atitude. Um favorecimento a roteiros melhores e menos efeitos especiais exagerados e inúteis.
Foi necessário uma espera de 4 anos para que os produtores encontrassem um novo caminho para o agente secreto 007 manter-se na ativa com dignidade.
Como em todas as guerras, houveram baixas... o ator Pierce Brosnan foi “convidado a se retirar” em 2005 após pedir um aumento em seu cachê.
Mesmo não tendo participado de filmes memoráveis, o ator tornou-se a cara de 007 para os novos fãs. Infelizmente Brosnan participou do período menos criativo da série.
Os produtores perceberam o erro que haviam cometido em se apoiar nos avanços tecnológicos em detrimento de uma boa história. Em 2006 iriam se redimir brilhantemente...

NOTA : 7,5 / 10

Veja o Trailer:


Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler: Dossiê 007 -parte 01, Dossiê 007 -parte 02, Dossiê 007 - parte 03, Dossiê 007 - parte 04, Dossiê 007 - parte 05, Dossiê 007 - parte 06 e Dossiê 007 - parte 07.

Relembre algumas músicas temas de 007. Clique aqui

9 Comentários:

rui disse...

Incrível a paixão que se sente ao ler o texto...é um fã que escreve!
E um fã realista que enxerga os erros e os aponta da forma mais contendente possível.
O Novo dia para morrer é um filme horroroso mesmo, me lembro que na época quis sair na metade da projeção no cinema.
Um insulto aos fãs que nunca deveria ter sido feito...a única coisa boa,como bem disse o Otávio foi a presença da Hally Berry, que mulherão!!
Parabéns ao blog mais uma vez!

Pedro Lemes disse...

Pra mim essa parte do dossiê foi uma das melhores.. Pelo fato de eu gostar demais de TWINE(The World Is Not Enough).. Parabéns pela milésima vez Octavio pelo ótimo trabalho e desenvolvimento no blog, ainda mais que é sobre 007, que é sempre bom ler! Quem é fã sabe! Um grande abraço!

Moore disse...

The Money IS Not Enough....hehe.
Simplesmente brilhante concordo com as 8 partes deste ótimo especial, os que são fãs aprovam com certeza, e os que "ainda" não são, estão sendo apresentados de forma brilhante e muito competente a este mundo maravilhoso, o mundo de James Bond.

Patthy disse...

Octávio, adorei essa parte do dossiê, vc como sempre, escrevendo maravilhosamente. Seus textos são uma delícia. Qto à era Brosnan, ela teve 2 pecados básicos: O abuso nos efeitos de computação gráfica, expondo Bond à situações irreais demais p/ serem feitas por humanos e tb o abuso dos merchans nos filmes. Sempre existiu, desde Fleming nos livros, acredito. Mas antes era sutil, uma coisinha ou outra. Assim ficou parecendo programa esportivo do Milton Neves rssss. Qto à DAD eu encaro este filme como um saudosismo já q as cenas são homenagens claras aos outros filmes e atores como Halle Berry na cena da praia em q homenageia Ursula Andress. Gosto desse clima saudosista, desde q bem dosado. Temo agora pelo q está por vir, mas espero me enganar agradávelmente. Bjs

rodrigo c. disse...

Que texto de personalidade!
A maioria tende a elogiar exageradamente o Brosnan, eu acho que ele fez os piores filmes da série!
O bacana, como um amigo já citou aqui é que cada capítulo tem um "tema" narrativo, que permeia o texto inteiro. Não são apenas informações soltas, porém inseridas de um jeito muito agradável e leve.
Continuo achando esta a melhor homenagem já feita a 007 em um veículo de mídia no Brasil!!
O Vertigo Pop está de parabéns!

Cris Viana disse...

Concordo em genero,número e grau!Brilhantemente descrito .Acho que Pierce Brosnan não merecia filmes tão exageradamente mal conduzidos.Mas...Que venha, agora a parte: Craig.Prá mim,o 007 mais macho e real!!!Parabéns!

Juracy disse...

Assim eu não aguento,cara!Pô,aquela surfada do brosnan foi um horror !!!Tô com esse cara aí de cima :parabéns pela milésima vez!!Quando acabar esse dossiê do 007 tu tem que escrever outros dossiês...Sei lá...Tu inventa um...Garanto que vai ser muito bem escrito e muito legal de ler...Cara,tá quase acabando !!!!Agora vem o "sangrento" Craig,né?Legal.

tatiana "bond" disse...

Simplesmente espetacular a descrição destes últimos dois filmes do Brosnan. A maior diferença deste especial para outras homenagens escritas que já li é a palpável dedicação do Octavio com as informações descritas, nota-se um estudo sério, não apenas seguir tendências ou pensamentos gerais.
Um texto com muita personalidade e senso de "timing"...certos textos técnicos demais cansam só de ver...estes não! Estou lendo com atenção desde a terceira parte e não vou perder nenhum!
Parabéns ao Vertigo por ter em seu "elenco" um crítico tão interessante. Aliás, gostaria de saber mais sobre ele, quantos anos tem, se possível uma foto etc.

Wanessa disse...

Eu acho que você foi deveras generoso ao dar 7,5 pra DAD.

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