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2 de nov de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 10 : APENAS O COMEÇO...











Com Quantum of Solace Marc Foster fecha o ciclo iniciado em Cassino Royale e pavimenta um novo caminho para James bond


007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace, 2008)

Qual o nível de perigo necessário para se moldar uma personalidade?
Esta nova atitude narrativa iniciada no filme anterior consegue ao final deste projeto, chegar a algumas conclusões.
A idéia dos produtores da franquia, de minuciosamente detalhar a transformação psicológica que leva um homem comum a se tornar o agente secreto mais perigoso do mundo, é louvável.
Alguns fãs ainda se irritam com a falta de elementos marcantes na série, porém o caso é que o James Bond interpretado por Daniel Craig é um super espião em constante evolução. Nesta incursão, começa a descobrir as vantagens de se usar a inteligência em situações complicadas, sabe que ao usar seu charme, persuadindo uma bela mulher, poderá mais facilmente conseguir o que deseja. Mas ainda não é desta vez que ele irá dar valor ao seu Martini personalizado.
O 007 de “Quantum of Solace” está a caminho da sofisticação, descobrindo que a força bruta irá ajudar, porém só se aliada à inteligência e a estratégia. Provavelmente no próximo filme iremos ver uma caracterização mais próxima do personagem que aprendemos a gostar ao longo dos anos.
A direção competente de Marc Forster (de “Em busca da Terra do Nunca”) conduz com maestria e muita ação este projeto conclusivo. Na realidade, “Quantum of Solace” é a segunda parte de um filme único, iniciado em “Cassino Royale”. Ao final deste, com a volta de um dos mais importantes símbolos icônicos da série, os fãs irão ter a constatação deste fato.
O roteiro novamente escrito por Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade fala sobre a “indústria da seca” idealizada por um ambientalista cruel de nome: Dominic Greene, interpretado pelo francês Mathieu Almaric.
O doentio vilão pretende tomar o controle do suprimento de água que abastece a cidade.
A importância de Greene na trama é “pano de fundo” para uma amostra do poder da organização criminosa: “Quantum”( qualquer semelhança com a S.P.E.C.T.R.E. não é mera coincidência). Em uma ótima cena, vemos James Bond infiltrado em uma apresentação de ópera lotada de soldados secretos da organização comunicando-se entre si, porém sem despertar a atenção de nenhum dos civis presentes. Brilhante cena que utiliza-se do cenário gigantesco para mostrar sutilmente quão pequeno 007 se torna ao deparar-se com um séqüito vilanesco tão bem orquestrado.
A história se inicia com uma perseguição de carros que presta homenagem ao filme “Bullitt,(1968)”, porém a criação supera o criador majestosamente.
A seqüência musical, nos moldes das criadas por Maurice Binder, é estilizada e evoca o tema do deserto, incluindo novamente na série as silhuetas femininas que estiveram ausentes no filme anterior. O único ponto fraco é a canção-tema: “Another Way to Die” (Jack White e Alicia Keys) que além de não empolgar nem um pouco, ainda parece não se encaixar com o que vemos na tela.
O filme continua seqüencialmente os eventos ocorridos em “Cassino Royale” e trata da vingança pessoal de 007 contra a organização que corrompeu sua amada Vésper Lynd. Bond irá se confrontar com muitos “peões” até encontrar-se com o namorado argelino de Vésper ao final do filme. Somente neste momento crucial, o personagem de Daniel Craig irá “completar o círculo” e dar um passo maior rumo ao 007 clássico que os fãs ansiosamente querem de volta.
A BondGirl Camille (Olga Kurylenko) carrega em seu passado um trauma que a marcou irreversivelmente. Ela buscará a vingança contra o homem que arruinou sua vida anos atrás. Esta situação remete a outra BondGirl do passado, mais precisamente a do filme “For Your Eyes Only”, interpretada por Carole Bouquet.
A segunda BondGirl na história, a agente Fields(Gemma Arterton) terá um fim trágico e que remete a uma cena clássica da série. Aliás, “Quantum of Solace” traz muitas referências descaradas a outros filmes da franquia, como “Moonraker” e “The Spy Who Loved Me”. Vale a pena tentar descobrir onde estão localizadas estas homenagens.
O personagem de Giancalo Giannini, o sofisticado René Mathis retorna e é o responsável pelo momento mais engraçado do filme, onde a bordo de um táxi tenta manter uma conversa muito importante ao celular... simples e hilário.
Outro símbolo da série que retorna é o agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey Wright) que mais uma vez irá ser de vital importância no sucesso da missão de 007. Sua participação é menor que no filme anterior, porém é muito interessante a maneira na qual seu personagem interage com o de Bond. Méritos para a direção que soube aproveitar o fato de que ambos já se conheciam, porém estavam incapacitados de se comunicar livremente.
Judi Dench continua atuando com perfeição e sua M é um fator essencial na transformação do agente. Como uma mãe lidando com um filho rebelde, ela irá estreitar sua relação de confiança com 007, o que possivelmente encaminhará a próxima produção à maneira a qual fomos acostumados a ver esta dupla agir desde os anos 60.
Como já disse anteriormente, o filme é carregado de cenas de ação espetaculares. O contexto mais realístico iniciado no filme anterior é posto à prova nesta produção, dando margem a seqüências mais no estilo dos filmes da era “Roger Moore”. Nada que prejudique, pois as cenas são feitas com esmero, sem artifícios exagerados de computação gráfica (o maior erro da era Brosnan).

Destaque para a sequência onde Bond pilota um avião e participa de uma perseguição aérea que culmina com uma cena de forte impacto psicológico. 007 terá que depender de Camille para sobreviver...
“Quantum of Solace” é um filme curto, com pouco mais de uma hora e quarenta de projeção, o que reafirma o fato deste projeto ser apenas a conclusão dos eventos apresentados em “Cassino Royale”.

A trilha sonora de David Arnold mantém-se de bom nível, porém prejudicada pela fraca canção-tema. Em alguns momentos é possível ouvir-se pequenos trechos da “Bond theme”, porém não em grande escala. Acredito que os produtores irão inseri-la com o devido respeito na próxima produção, já que ao final deste filme, a gênese de Bond se completa maravilhosamente.
Ainda é cedo para calcularmos a importância deste projeto na série, mas se vermos pelo que ele é no momento, trata-se de um ótimo filme que fala sobre temas contemporâneos e nos leva a conhecer melhor a psiquê do agente secreto idealizado por Ian Lancaster Fleming, no hoje distante ano de 1953.
O 007 de Daniel Craig é um homem que ainda comete erros, tropeça e levanta, sangra, ainda está aprendendo a importância de se deixar uma testemunha em potencial viva e se apaixona pela mulher errada.
Eu acho fundamental a existência (mesmo que a longo prazo) desta “fase narrativa” conduzida por Barbara Broccoli.
Os fãs não precisam temer, pois com absoluta certeza o 007 dos velhos tempos irá voltar com todos os seus elementos intactos, sendo provavelmente interpretado por outro ator.
O mais importante é a criação de Ian Fleming, seu legado universal e eterno para com a humanidade. Estamos vislumbrando apenas o começo.
E que venham os próximos 46 anos...

NOTA: 9,5 / 10


Veja trailer de Quantum of Solace em duas versões abaixo:



video

Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler:

Dossiê 007 -parte 01, Dossiê 007 -parte 02, Dossiê 007 - parte 03, Dossiê 007 - parte 04, Dossiê 007 - parte 05, Dossiê 007 - parte 06, Dossiê 007 - parte 07, Dossiê 007 - parte 08 e Dossiê 007 - parte 09.

Veja Quem é Quem em Quantum Of Solace aqui:

Leia matéria com fãs de James Bond aqui:

Veja o Making Off de Quantum of Solace aqui

Relembre algumas músicas temas de 007. Clique aqui

15 Comentários:

rodrigo c. disse...

Adorei o final!!! E estou muito empolgado para ver este filme!
Parabéns ao blog por este tratamento respeitoso com a franquia do 007. Os fãs agradecem muito!!

Sávio disse...

Análise morna, igual aos das publicadas em diversas revistas e jornais. Até agora o texto da comunidade 007 brasil é insuperável. Continue na luta.

talita disse...

Não tem nada de morno nesta crítica, muito menos se levarmos em consideração o trabalho completo e belíssimo que o crítico fez, um trabalho de pesquisa e dedicação.
Li o texto da comunidade 007 do Orkut e ele está cheio de spoilers..um relato. Uma crítica séria não se pode dar este direito!
E é exatamente nisso que os textos deste blog se baseiam: Críticas muito bem escritas e que nos deixam com "água na boca", mesmo sem entregar os segredos das produções.
Após este desabafo, gostaria de ,mais uma vez, parabenizar o Vertigo Pop pelo trabalho magnífico que tem feito com o 007!!
Amei ler esta parte final e estou muito curiosa em ver o filme no cinema, o que farei na estréia!!!
O mais importante que este blog fez foi ter minha confiança: Agora, antes de ir no cinema ver as grandes produções, eu me interesso em saber a opinião do Otávio antes. Viva o Vertigo Pop!!!

Wanessa disse...

Se tem uma coisa nessa nova fase que eu odeio [é justamente essa:

"Como uma mãe lidando com um filho rebelde" *Sobre o relacionamento de M e Bond...

Dora disse...

Esta crítica está realmente fantástica!
Otávio conseguiu expressar o quanto o filme é ótimo, mas sem contar o filme, propriamente dito!
Cconcordo com Talita, não está nada morno!
Todos os jornais, revistas e até outros blogs e site, escrevem a mesmissima coisa!
Parece que um lê do outro e muda algumas palavras!
Otávio está sendo um ótimo crítico!
Continue assim!

Cris Viana disse...

É incrível como tem pessoas que gostam da mesmice e de falar besteiras...Esse dossiê foi feito com muito bom gosto e requinte.Foram 10 partes maravilhosas que nos fizeram viajar nesse mundo fantástico do Agente 007.E sobre as críticas ,crítica boa é isso.A gente enxerga o filme ,sem "ver" nada! Eu só tenho a agradecer ao Blog e ao Otávio por esses dias em que fiquei me deliciando com essa "novela",em capítulos.Vou continuar dando uma olhadinha no Blog,pois sei que sempre terá uma novidade interessante...Lendo a crítica do Otávio,já sei o que esperar nos cinemas:emoção na certa!Nos encontramos nos cinemas!Super parabéns!!!!!

Juracy disse...

Cara! Tu tá demais!E aí,vais fazer um livro disso aí?To com pena que acabou...Mas parabéns é pouco,cara!To louco prá ver o filme e já sei que vai ser o máximo!!!vai ter mais um dossiê ??? Inventa ,cara...Tu pode!!!rsrsrsr
Bombou geral!!!

Lili disse...

Só tenho a agradecer pelos fantásticos textos.Para fãs ou não ,foi uma leitura muito gostosa.Que aconteçam outros dossiês e outras críticas pois cinema é um assunto infinitamente interessante...E criatividade voce tem. Ficarei "de olho" no Blog.
Obrigada, Octavio, por essa delícia e parabéns...parabéns...parabéns!!!!

Anônimo disse...

Li o texto da comunidade brasil e achei IDIOTA!!!...Esse cara "morreu e num sabe!!!",Não consegue enxergar um texto bem escrito e explicado de maneira que a gente tenha "surpresas' ao ver o filme...Tô com o Otávio e não abro !!!Falei!!!

Suely disse...

Fiquei um tempo afastada ...Fiz a releitura do dossiê e nem tenho palavras prá descrever como foi emocionante!Saber das peripécias na produção ,da morte de algumas figuras tão importantes para o bom andamento das filmagens...Das lutas para continuarem a série.Está tudo aí.Claro como água.Uma coisa feita por quem entende e gosta muito do que faz.Espero que continuem com essa qualidade .Parabéns .

BRONSON disse...

boa crítica a do OCTÁVIO. tô louco para ver o QUANTUM. Irei rever o CASSINO hoje, hehehe. adios

Bruno Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Barros disse...

Adorei a comparação com o Filme "Bullitt"
Dia 7 de Novembro estarei no cimema vendo mais um filme do 007 que vai entrar pra Historia, afinal, qual o filme do 007 não entrou para a Historia.
Valeu Octavio.

Anônimo disse...

Fiquei espantado em como o Otávio acerta "no alvo" !!!Vi o filme na estréia e gostei demais...É tudo o que ele disse ,ou melhor,algumas coisas que ele não disse, que é prá gente ter as surpresas...Vendo o filme e relendo a crítica é que dá para dizer :super parabéns,Otávio!

Paulo Visco disse...

Fica fácil chamar os amigos para elogiar. Na boa cara, o seu texto está muito distante de ser uma boa crítica. Dar uma nota alta dessas para um filme mediano mostra a fragilidade do seu texto. É muita água com açucar.

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