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29 de dez de 2008

CINE VERTIGO - RETROSPECTIVA 2008

Sucessos, fracassos e surpresas marcaram as telas dos cinemas em 2008. Relembre os principais filmes que disputaram na billheteria a atenção do público e crítica


Por Octavio Caruso

Os destaques:

Batman – O Cavaleiro das Trevas ( The Dark Knight)

O diretor Christopher Nolan operou um milagre, transformou um ícone de uma forma de literatura ainda considerada menor em um sucesso de público e crítica. Alicerçado em uma interpretação visceral do saudoso Heath Ledger e um roteiro quase impecável, o filme irá voltar às telas de cinema, onde pretende conquistar uma indicação ao Oscar. Alguém duvida das chances do vigilante mascarado?




Ensaio sobre a Cegueira ( Blindness)

Quando Fernando Meirelles aceitou a difícil tarefa de adaptar o livro de José Saramago para a linguagem cinematográfica, muitos acreditaram ser impossível. O brasileiro não apenas demonstrou um refinamento artístico consciente, como também soube escalar o elenco certo para o trabalho.
Julianne Moore entrega a interpretação de sua vida, com muito vigor e maturidade. Provavelmente receberá uma indicação ao prêmio de melhor atriz.
Meirelles prova a cada projeto ser o melhor diretor que o Brasil já criou, por saber mostrar sua (nossa) brasilidade, sem precisar “ esfregar” o fato na cara dos americanos. A melhor maneira de representar o Brasil lá fora é fazendo ótimos trabalhos e nisso, Fernando Meirelles está se excedendo!

Rambo 4 (Rambo)

Sylvester Stallone é um caso único no mundo do cinema, sua fama não soa bem nos ouvidos dos intelectuais, porém o “povão” o idolatra desde seus primeiros filmes.
É um erro afirmar que Stallone é um péssimo ator, pois sua interpretação para o benevolente Rocky Balboa é muito diferente da que ele demonstra como o impiedoso John Rambo. Não podemos compará-lo a um Marlon Brando ou um Al Pacino, mas temos que nos lembrar que outros grandes nomes de Hollywood já fizeram carreira interpretando sempre as mesmas “personas”.
O inesquecível James Stewart ( de “ Um corpo que Cai”) era sempre James Stewart, fosse interpretando um vaqueiro, um advogado ou um professor.
Stallone conseguiu se redimir nos últimos anos, idealizando os desfechos para as sagas que o consagraram. Após um final digno para Rocky Balboa, Sly decidiu ir contra todas as expectativas e limites físicos e encarou seu personagem mais virulento: Rambo.
Mesmo já tendo passado dos cinqüenta anos, Stallone consegue dirigir um filme extremamente violento e real, quase um documentário sobre a crise na Birmânia.
Rambo 4 é um filme de ação, porém seu comprometimento com a verdade e a paixão de seu criador o fazem diferente dos demais “caça-níqueis” barulhentos.

Cloverfield (Cloverfield)

“Monstro gigante sai do fundo do oceano e aterroriza Nova York!”
Uma visão original sobre um tema já bem batido tornam Cloverfield um bom divertimento. Com a produção de J.J. Abrams e uma campanha de marketing que soube muito bem se aproveitar da mídia Internet para incentivar o interesse de espectadores no mundo todo.
Desde “Godzilla” até o recente “O Hospedeiro” que os monstros gigantes assolam as produções orientais, porém o ocidente nunca teve um monstro memorável.
Com seu estilo documental baseado em “A Bruxa de Blair”, o filme consegue nos fazer acreditar que um evento como esse poderia acontecer algum dia. Os efeitos da câmera em primeira pessoa são bem utilizados e criam uma atmosfera genuína de pavor e suspense.

Homem de Ferro (Iron Man)

O maior motivo para o sucesso de Homem de Ferro é Robert Downey Jr. e ponto. O astro carrega nas costas com facilidade a história de origem do herói da Marvel Comics.
O trunfo do diretor Jon Favreau foi ter carregado nos toques de humor e leveza, porém sem esquecer a linha narrativa.
Downey Jr. encontra seu “lugar ao sol” após anos amargurando filmes menores e problemas pessoais. É aparente sua dedicação e vontade de conquistar o público jovem.
Um filme alegre, agitado e fiel aos cânones dos quadrinhos. Resultado: Um sucesso estrondoso de público.




Mamma Mia! (Mamma Mia!)

Impossível não gostar deste musical composto por canções do grupo Abba.
Com um elenco encabeçado por uma admirável Meryl Streep, mostrando a razão de sua fama, conseguindo além de atuar com perfeição, cantar bem.
A crítica em geral ainda não consegue enxergar qualidades em filmes de comédia e fantasia, por acreditarem ser “artes menores”.
Ao se assistir este filme, você se anima e esquece dos problemas da vida real. Qual é o objetivo de uma comédia-musical? Exatamente isto!
Um bom filme de terror que não te faça gelar a espinha, não é um bom filme de terror, assim como um romance que não te faça simpatizar com seus protagonistas não pode ser considerado um bom romance.
E com Mamma Mia! A diretora Phyllida Lloyd consegue criar uma das melhores comédias-musicais dos últimos anos.

007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace)

Ainda que um pouco inferior a “Cassino Royale”, esta segunda incursão de Daniel Craig como o espião 007 ainda consegue empolgar.
Os produtores ousaram pegar todos os conceitos míticos do personagem e misturaram com novas referências ( assim como “Dr. No” utilizava referencialmente o filme “Intriga Internacional” de Hitchcock, o novo 007 utiliza os novos filmes sobre espionagem, como os de “Jason Bourne”) criando assim uma nova origem. Um mar de possibilidades abriram-se em uma franquia que já estava se autoparodiando, possibilitando a inclusão de novos fãs.
Daniel Craig tornou-se a cara de 007 para um mundo novo de fãs e isto já é motivo suficiente para uma menção honrosa.


As Decepções de 2008 :

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal ( Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull)


O filme de Spielberg conseguiu o impossível. Era dado como certo o sucesso deste filme esperadíssimo pelos milhares de fãs espalhados no mundo todo, porém a sensação que fica após assisti-lo é uma ressaca brava, daquelas que você gostaria de poder ter evitado.
Todo o escapismo juvenil dos três filmes anteriores foi trocado por cenas que beiram o ridículo. O senso de aventura que permeava a trilogia original ficou enterrada nos destroços de tantos efeitos computadorizados desnecessários. Indiana Jones tornou-se aquele parente do qual você sempre ouviu falar bem, porém quando você o encontra anos depois, ele está na sarjeta e você pensa: “Como isso aconteceu?”
Steven Spielberg deveria ter pedido conselhos ao Sylvester Stallone, que conseguiu dar finais dignos para duas criações dele: Rocky e Rambo. Ambos estes filmes possuem em demasia, o que em Indy ficou faltando: Paixão.

O Incrível Hulk ( The Incredible Hulk)


Na visão de Hulk criada por Ang Lee no início da década, o personagem era complexo e passível de múltiplas interpretações, um monstro angustiado, ancorado por uma direção esmerada.
Já na versão de Louis Leterrier, Hulk é um brutamontes bobo sem nenhum aprofundamento psicológico, porém o filme é cercado de ação por todos os lados. Enquanto o Hulk de Lee era uma obra de arte, o vivido por Edward Norton era um gibizinho fraco e infantil.
Infelizmente o filme serve como exemplo de como a sociedade ainda tem muito o que aprender: Os produtores do novo Hulk acharam a versão de Ang Lee muito ruim e tentaram agradar os fãs dos quadrinhos. E os fãs compareceram em massa para prestigiar esta obra fraca, uma pena.

Fim dos Tempos (The Happening)

M. Night Shyamalan tem muitos talentos, isto é inegável. Sejam eles na área de marketing e promoção dos seus projetos, seja na criação dos roteiros. Porém neste filme ele derrapou feio. Partindo de uma premissa interessante, o diretor consegue nos fazer rir involuntariamente na maior parte do tempo e quando ele prepara uma piada, não se ouve uma gargalhada. Um equívoco gigantesco na filmografia de um diretor que tem tudo pra conquistar sucessos estrondosos.
Para uma mente que já criou: “O Sexto Sentido”, “Corpo Fechado” e “Sinais”, “Fim dos tempos” é uma página vergonhosa de sua história.

Arquivo X – Eu Quero Acreditar ( The X-Files – I Want to Believe)


O filme de Chris Carter consegue perder duas horas valiosas em uma trama insossa, que não traz nenhum interesse ao público que curte cinema e não impressiona os fãs da série de TV.
David Duchovny aparenta total insatisfação em repetir o papel que o tornou famoso, enquanto Gillian Anderson ainda consegue trazer um pouco de brilho em sua já desgastada e descaracterizada agente Scully.
Além da história morna, falta ao diretor ritmo de cinema, tornando a experiência de assistir o filme um calvário doloroso e interminável.
E ao final, nos perguntamos: Era isso mesmo que o criador da série queria mostrar pro mundo? Seria melhor ter nos deixado com a lembrança nostálgica do bom seriado de TV.

A Múmia 3 – A Tumba do Imperador Dragão (The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor)

Quando se é um produtor de Hollywood, a pior coisa a se fazer é se iniciar um projeto sem uma motivação real e intensa. O primeiro filme dirigido por Stephen Sommers em 1999, foi um êxito estrondoso, por conseguir trazer ação, aventura e humor a uma história já bastante contada ao longo da história do cinema.
Dois anos depois, uma continuação foi realizada com razoável sucesso, pois ainda mantinha o humor e o elenco afinado do primeiro filme. Deveriam ter parado lá!
A atriz Rachel Weisz não aceitou participar deste terceiro filme, assim como o diretor e idealizador Stephen Sommers. Em compensação os fãs são presenteados com um Jet Li abobalhado e um roteiro completamente sem coerência.
A única motivação por trás deste projeto foi conseguir dinheiro dos fãs desavisados. Lógico que a proposta naufragou e a série caiu num limbo cinematográfico de onde, provavelmente, nunca mais sairá!

Menções Honrosas:

Encarnação do Demônio




O cineasta José Mojica Marins consegue, após 40 anos, terminar sua trilogia com o personagem Zé do Caixão. Perseguido pelos críticos e boa parte do público, porém amado pelos fãs do terror e agraciado com muitos prêmios internacionais, o brasileiro consegue realizar um filme com a sua cara, bastante estilizado e poderoso.
Com uma verba muito maior que em seus primeiros filmes, Mojica traduz na tela todos os seus ideais de vida. Auxiliado por efeitos de maquiagem no nível dos de Hollywood e um elenco de apoio propositalmente exagerado na caracterização, com destaque para Milhem Cortaz e Jece Valadão.
O mestre do terror brasileiro consegue provar mais uma vez que cinema também é feito de amor e paixão, não só de técnica.

Leonera

A produção Argentina do diretor Pablo Trapero nos emociona em sua honestidade. Um filme provocativo que mostra até onde uma mãe pode ir para criar seu filho.
A atriz Martina Gusman representa para mim a melhor interpretação feminina do ano. Sua Júlia consegue transitar com facilidade entre a loucura psicótica e a mais condolente ternura.
Leonera é um filme que merece um maior reconhecimento do público.

Filmes que prometem se destacar em 2009:

O Curioso Caso de Benjamin Button (The curious Case of Benjamin Button)

O novo filme de David Fincher promete ser um grande sucesso, com prováveis chances de indicações para o grande prêmio da Academia.
Brad Pitt vêm arrancando elogios com sua interpretação de um homem de 80 anos que começa a rejuvenescer inexplicavelmente... sinto cheiro de Oscar.

Milk – A Voz da Igualdade (Milk)


O filme de Gus Van Sant sobre Harvey Milk (Sean Penn), o primeiro político assumidamente gay da história dos Estados Unidos, está fazendo bastante sucesso com a crítica e público americanos e prometem repetir o feito em terras brasileiras.


Gostaria de agradecer ao André Moreira pela oportunidade e aos leitores que prestigiaram meu trabalho no blog neste ano, esperando sinceramente que continuem conosco em 2009.

Um próspero ano novo para todos nós....

5 Comentários:

Lili disse...

GOSTEI MUITO DOS MELHORES...PIORES...ETC.DE 2008...
NÃO ASSISTI A TODOS OS FILMES CITADOS MAS COSTUMO CONFIAR NO "TACO" DO OTÁVIO...TANTO QUE,DOS QUE EU VI,ELE ACERTOU NA MOSCA ! DESEJO AO PESSOAL DO BLOG UM 2009 CHEIO DE LUZ E SUCESSO !!!

felipe oliveira disse...

Achei bacana a inclusão de Zé do Caixão e do Rambo. Pelo menos saiu do "lugar comum" que são estas fatídicas listas de fim de ano.
A maior decepção foi mesmo o Indiana Jones, ô filminho "marromeno" esse!
Ainda não vi Mamma Mia, mas fiquei interessado.
Abraço e parabéns ao blog!

Cris Viana disse...

Realmente vocês são competentes...Vi a retrospectiva da TV e,agora,dou de cara com essa do cinema.
De todos estes filmes,só não vi 3 mas,de qualquer forma,apoio totalmente as opiniões.Fiquei muito decepcionada com o último filme do Harrison Ford...Esperava mais!Mas,tudo bem...2009 está aí para nos brindar com mais pérolas cinematográficas.Tomara !!!

Suely disse...

Gostei demais dessa retrospectiva ! Esse Heath Ledger foi,no mínimo... o máximo! E o filme Cloverfield...Parecia que eu estava lá com eles no maior pânico!!!Mamma mia,me vi lá dançando e cantando com eles e mergulhando naquele mar incrível!!!...
Agora...Desculpe...Não consigo ver filme do Mojica!!!Bom,como gosto não se discute ...
Um 2009 cinematográfico prá vocês !!!

Patthy disse...

P/ mim os filmes do ano foram Batman o Cavalheiro das trevas q aliás, pela estória deveria se chamar "Coringa" já q o homem - morcego quase não teve destaque na trama. Mamma Mia, p/ mim a combinação perfeita, Abba + Pierce Brosnan, amo essa combinação. E por incrível q pareça não é um musical meloso mas divertido. E claro Quantum of Solace q encaro como filme q começa o resgate das origens de James Bond. E, apesar de não gostar de terror, tenho q admitir q este ano q passou o Brasil valorizou um de seus maiores cineastas ainda vivos, José Mojica Marins (Zé do Caixão. Merecidíssimo pois cinema no Brasil deveria ser levado à sério . Ah e obrigada André por sua visita no meu blog. Volte mais vezes, já respondi seu comentário lá. Octávio, agora é sua vez, vai lá. O Vertigo Pop tá de parabéns como sempre. Feliz 2009. Bjs

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