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10 de dez de 2008

A GLOBO NÃO SABE FAZER POBRE












Parceiro de Dias Gomes na inesquecível Roque Santeiro e co autor de tantas outras obras da teledramaturgia, Marcílio Moraes critica a vênus Platinada apontando sua artilharia pesada para sua antiga casa, a TV Globo, através de sua nova criação, a ambiciosa série semanal "A Lei e o Crime".



Com estréia marcada para dia 5 de janeiro e um custo estimado em torno de 300 mil reais por capítulo, o seriado vai competir diretamente com uma das principais apostas da emissora carioca para o verão, a minissérie Maysa, biografia de falecida cantora musa da fossa.
E longe de se preocupar com a audiência, Marcílio escreve sem sentir a pressão da concorrência e já tem 8 episódios prontos dos 16 previstos para essa, que ainda não se sabe se será a primeira e única temporada, de A Lei e o Crime.

Vertigo Pop - Você cogita uma segunda temporada de A Lei e o Crime?

Marcílio Moraes - Para uma próxima temporada não há uma cogitação e eu tenho que pensar se existe caldo para uma segunda temporada. E vai depender se for bem aceito pelo público.

VP - O que te levou a escrever novamente sobre esse universo da violência? *nota: Marcílio foi o autor de Vidas Opostas, novela que abordava o mesmo tema.

MM - É um realidade muito presente no Brasil, então um pouco que se impõe. E já alguns anos eu venho tratando disso. Eu escrevi um romance chamado "O Crime da Gávea" que passa sobre esse universo do tráfico de drogas, da violência urbana. Também tenho uma peça inédita chamada "A Demanda", mas é mais difícil falar sobre isso no teatro. É um questão muito presente. Vidas Opostas foi um sucesso e abriu caminho para esse seriado.


VP -Você acha que acaba fazendo as pessoas pensarem, refletirem sobre o assunto?

MM -A minha idéia é de que o seriado tenha uma postura crítica, não um postura de envolvimento.

VP - Acha complicado fazer a estréia do seriado em janeiro?

MM - Acho legal. Antigamente tinha esse negócio de não se estrear em janeiro. A Globo criou a tradição de tudo, mas isso era naquele tempo quando não tinha concorrência. A Globo "era" absoluta.

VP - O formato semanal foi idéia sua?

MM - Não. é um tradição do formato. Cada episódio tem uma história fechada e ao mesmo tempo um desdobramento.

VP -Você vai estrear junto com a minisérie Maysa da Globo que tem um formato diário e a Lei e o Crime é semanal. Acha que vai ser complicado conquistar o público semana a semana e contra a Globo que vai tentar conquistar dia a dia?

MM - Essa programação é horizontal, tipo minissérie (caso de Maysa), a força dela vem disso e segura o telespectador. O seriado segura de semana a semana, mas dá pra encarar.



VP - E quanto a expectativa de audiência?

MM - Quero que dê certo, mas não sei a média de audiência desse horário (A Lei e o Crime vai ao ar depois da novela Chamas da Vida). Se der 15 pontos tá bom.

VP - Dizem que o grande futuro da tv brasileira seriam os seriados. A Lei e o Crime é uma tentativa da Record de se encaixar nesse esquema?

MM - Não, ainda não. Mas acho que a tv brasileira tem que diversificar. Não pode mais ser só novela. É uma coisa que eu havia previsto quando houvesse concorrência, não daria mais para ter só novela no horário nobre.

VP - Acha que é um formato desgastado?

MM - Acho que tem novela demais. Há 30 anos que a Globo, o monopólio, faz novela. Agora a coisa tá mais complicada e nã dá mais pra ter 50,60 pontos no ibope como a Globo tinha e acho que não vai mais ter. E aí os novos formatos vão surgir.

VP - Esse seu projeto, a Lei e o Crime, seria possível na Globo?

MM - Acho que não, acho difícil. Assim como Vidas Opostas também não. Primeiro o cenário na favela, porque ela faria logo uma cidade cenográfica, o que perderia muito da força.

VP - Como Duas Caras...

MM - Aquilo não era favela, né? Era papelão. Mas acho que a temática na Globo é toda clean e botar muito favelado já fica meio sujo né? Antigamente se falava " a Globo não sabe fazer pobre". Logo que eu comecei com o Dias Gomes ele falou: " Não bota pobre, o pessoal aqui não sabe fazer pobre!!". Mas também acho que isso é uma exigência dfo mercado, da publicidade, não é só a estética da Globo, eu acho.

Leia outras entrevistas: Marcos Palmeira, Regina Duarte, Fernanda Takai.

1 Comentários:

Cris disse...

Estou com o Dias Gomes : a Globo não sabe fazer pobre !!! hahahaha
...Que pobreza !!!

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