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11 de jan de 2009

A MATURIDADE PELAS LENTES DE DAVID FINCHER







Quando a maturidade caminha lado a lado com o envelhecer de um ser humano, podemos notar a modificação na sua maneira de olhar o mundo e as pessoas ao redor, cada ruga representando uma perda, emocional e física. A redução gradativa da visão e locomoção, a saudade dos amores que se perderam ao longo do caminho.
O conto “O Curioso Caso de Benjamin Button” de F. Scott Fitzgerald (de “O Grande Gatsby”) no qual este filme se baseia, retrata uma inversão total nesta condição natural humana. Benjamin Button nasce como se tivesse oitenta anos de idade, um bebê com os problemas físicos de um idoso e com o passar do tempo vai rejuvenescendo.
Como todas as fábulas, nesta não se espera do espectador uma crença cega em sua história, procura-se que o público perceba as analogias e metáforas espalhadas ao longo dos mais rápidos 160 minutos já vistos no cinema nos últimos anos.
O diretor David Fincher, que já nos entregou pérolas da sétima arte como: “Seven”, o subestimado “Vidas em Jogo (The Game)” e a obra-prima “Clube da Luta (Fight Club)”, além de dar personalidade própria à saga de Alien em “Alien 3”, consegue neste filme entregar ao público seu trabalho mais refinado e elegante. Uma ode à vida, onde aprendemos a dar valor a cada momento, por ínfimo que seja, pois o tempo inexorável passa por todos nós como um trem desgovernado e é impossível fazê-lo voltar aos trilhos.
Brad Pitt em sua melhor interpretação vive Benjamin, conseguindo transmitir em seus olhos as transformações psicológicas que nenhum efeito computadorizado pode suprir. Aliás, os efeitos de maquiagem neste projeto são merecedores de aplausos, pois conseguiram fazer os atores passarem pelos mais diversos estágios da vida. Como acontece com os melhores mágicos, a platéia nunca percebe claramente os truques utilizados e em questão de minutos estamos imersos e acreditando na história que se desenvolve na tela.
A versátil Cate Blanchett surpreende mais uma vez interpretando Daisy, uma jovem que desde sua infância conhece Benjamin e acaba se tornando seu grande amor. Uma forte barreira se mantém sempre no caminho dos dois: A juventude interna dele em um corpo debilitado contrastando com a beleza imatura dela em um corpo forte.
A beleza do filme está nas entrelinhas. Quando presenciamos Benjamin aos 7 anos de idade em um corpo frágil querendo brincar como uma criança normal, somos tomados pelo espírito da história e não desgrudamos mais os olhos da tela. Sentimos sua maturidade ir ganhando espaço ao mesmo tempo que seu corpo vai se tornando mais jovem, em simples gestos e maneirismos que Brad Pitt insere nas cenas. E é triste e belo quando percebemos junto com o personagem que sua história de amor, como tudo na vida, não durará para sempre.
O roteirista Eric Roth (de “Forrest Gump – O Contador de Histórias”) faz um excelente trabalho em costurar várias passagens de tempo, sempre nos mantendo curiosos a respeito de como o personagem título irá se comportar frente aos desafios da vida normal, sendo tão incomum.
O elenco de apoio conta com a presença de Tilda Swinton (de “Conduta de Risco”) como uma espiã que se envolve com Benjamin nos tempos da guerra. Sua interpretação é marcante, assim como seu efeito na vida do personagem de Pitt.
Mesmo sendo um drama, O Curioso Caso de Benjamin Button consegue nos brindar com momentos de humor muito agradáveis e pelo menos uma seqüência envolvendo as conseqüências dos atos de um ser humano em seu ambiente, digna de entrar para uma lista de melhores cenas da história do cinema. Assistam e comprovem.
Como uma bela fábula (inclusive assemelha-se muito em alguns momentos ao estilo do cinema de Tim Burton), a história é permeada de momentos clichês bem realizados. Benjamin nasce no dia do cessar fogo da primeira guerra mundial em meio à vibração do povo americano e é rejeitado por seu pai, devido a sua bizarra condição. Tendo sido então criado por um casal negro extremamente religioso e pobre. O jovem precisa aprender a andar, tal qual um senhor idoso necessita de ajuda para atravessar a rua. Um paralelo brilhante do livro homônimo que foi muito bem adaptado pelo diretor.
Dentre as muitas lições de vida que o filme tenta passar, talvez a mais duradoura, que permanece em nós após o fim da sessão é que na vida, nada dura para sempre. Portanto aproveitemos cada instante, pois o corpo humano é frágil e a mente se esvai aos poucos, levando-nos todos a nos tornarmos crianças novamente ao final da nossa jornada.
Um filme único que levanta questões importantíssimas enquanto nos entretém. O projeto mais completo do diretor David Fincher e a melhor atuação de Brad Pitt, um primor de realização.

NOTA: 10 / 10

Veja Trailer Legendado de O Curioso Caso de Benjamin Button:

6 Comentários:

Beth disse...

Pela crítica do Octavio creio que é um filmaço ! Pois ele tem um bom gosto incrível e escreve com uma leveza e propriedade...Já li outras críticas e todas falam muito bem do filme...
Então...Cineminha...Aqui vou eu!!!

Andréa disse...

Que beleza...adorei!!!Eu estou com muita vontade de ver esse filme, pois pelo que li achei de uma delicadeza e muita suavidade...Parabéns!!!!

Adriana disse...

Poesia pura a crítica. Se o filme for assim, estarei lá no dia da estréia.
Adorei o primeiro parágrafo, sensacional!
Parabéns ao blog.

Talita disse...

Poxa!!!!To vendo q esse filme com Brad Pitt é maravilhoso...Amei a crítica!!!
Formato bastante diferente das críticas q estamos acostumados a ler.Esta tem um jeito de livro..gostoso de ler pra caramba!

Antônio Rodrigues disse...

Não gosto muito de fábulas no cinema, odeio o Tim Burton, mas quando comecei a ler este texto, prendeu minha atenção após o primeiro parágrafo! Faz tempo que não leio algo tão belo sobre o alvorecer da vida. Particularmente para um homem como eu, que já cruzei os 50 anos.
Parabéns ao Octavio pela sensibilidade. Irei acompanhar o blog de perto...
Até

Patthy disse...

O filme parece ser bom, mas Brad Pitt c/ aquela cara de quem acabou de sair da maternidade nunca vai convencer em papéis mais maduros. Bjs

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