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2 de fev de 2009

AS VÁRIAS FACES DE TOM CRUISE



Com um currículo invejável e principal astro de sua geração, Tom Cruise prova que sua carreira no cinema vai muito além da cientologia



Por Octavio Caruso

Polêmico, louco, galâ, ex de Nicole Kidman e Penélope Cruz, atual de Katie Holmes e seguidor de uma doutrina esquisita chamada Cientologia, muitas são as facetas públicas do astro Thomas Cruise Mapother IV, ou apenas Tom Cruise. Por um momento esqueçamos os aspectos sensacionalistas que rodeiam a vida do ator e olhemos com atenção seu invejável currículo.
Tom, que chegou a passar quatorze meses em um mosteiro franciscano em sua adolescência com a intenção de tornar-se frei, descobriu em sua permanência uma provável vocação à interpretação.
Sua primeira participação no cinema foi no filme de Franco Zeffirelli: “Amor sem Fim “ (Endless Love) de 1981. Porém seu primeiro papel de destaque foi na comédia adolescente “Negócio Arriscado” (Risky Business /1983) onde contracenava com uma linda Rebecca de Mornay. A dança de um jovem Cruise, quase nu na sala de estar, levou às adolescentes da época a elegerem o jovem como o ídolo do momento. Qualidades reais, o filme não tem muitas.
Sob a direção do talentoso Ridley Scott, Cruise embarcou em uma fantasia infantil extremamente datada pros dias de hoje, porém que ainda mantém alguns fãs cativos: “A Lenda” (Legend / 1985).
O ano de 1986 marcou um ponto de partida para Cruise, que participou de seu primeiro grande sucesso, no blockbuster aéreo “Top Gun – Ases Indomáveis”. Mesmo permeado de clichês e momentos constrangedores, a obra permanece sendo o melhor filme sobre o tema, amparado pela bela trilha sonora de Harold Faltermeyer, com canções que continuam sendo sucesso, como “Take my breath away”.

No mesmo ano torna-se coadjuvante do grande e saudoso Paul Newman em “A Cor do Dinheiro” (The Color of Money), sob a batuta de Martin Scorsese.
Interpretando um jovem rebelde e orgulhoso, jogador inveterado de sinuca que é auxiliado por um jogador mais experiente (Newman, que reprisa neste filme seu personagem do clássico: “Desafio à Corrupção” de 1961) Tom recebeu muitos elogios da crítica da época.
Em 1988, protagoniza mais uma obra de pouco conteúdo, porém de forte apelo ao público jovem feminino: “Cocktail”.
O final da década de 80 traz ao astro o seu melhor desempenho até aquele momento, no ganhador do Oscar de melhor filme: “Rain Man”. Como o irmão arrogante de um genial Dustin Hoffman (interpretando um autista funcional), que precisará deixar de lado seus preconceitos enquanto aprende a respeitar as diferenças inerentes a todos nós. Um belíssimo tratado visual sobre opostos que, juntos, se tornam mais que a soma de suas partes.

Se existe uma coisa que devemos elogiar em Tom Cruise é sua sensibilidade artística e percepção em “farejar” ótimos projetos. Sempre procurando trabalhar com os melhores diretores de sua geração. Seu próximo filme é uma prova disso.
Em “Nascido em 4 de Julho”, o astro não se intimida perante o polêmico e controverso diretor Oliver Stone e interpreta com paixão o personagem real Ron Kovic, que após se ferir gravemente na guerra do Vietnã, torna-se o mais fervoroso combatente anti-guerras, liderando corajosas passeatas e encorajando os inúmeros ex-combatentes. O filme é muito bom e trata de um tema muito sério, um batismo de fogo para o jovem ator.
O início da década de 90 não foi muito generoso a Cruise, que participou de filmes medianos e bombas, como “Dias de Trovão”, uma cópia descarada de “Top Gun”, só que trocando os velozes aviões por carros de corrida, inclusive com o mesmo diretor, Tony Scott.
Foi nas mãos do competente e saudoso Sydney Pollack que o ator entregou a sua primeira performance digna de aplausos da década, no ótimo “A Firma” (1993). Baseado no livro de sucesso de John Grisham e com uma trama cheia de suspense sobre uma “nefasta” firma de advogados e um jovem inocente que é tragado em suas armadilhas, mesmo que subestimado pelo público, é uma gema que merece mais reconhecimento.
No ano seguinte, foi a vez do astro encarar o mundo fantástico criado pela escritora Anne Rice em “Entrevista com o Vampiro”. Como o vampiro Lestat, que alicia um jovem Brad Pitt e inicia-o nas artes macabras, Cruise reconquistou o público adolescente feminino que já não via tanta graça nos galanteios de Maverick, seu personagem em “Top Gun”.

Tendo alcançado sucesso nos mais variados gêneros cinematográficos, ele apostou em se tornar um astro de ação. Sob a direção de Brian de Palma, aventurou-se em “Missão Impossível”, como o espião Ethan Hunt. O filme logrou muito sucesso nas bilheterias do mundo todo, o que lhe garantiu mais duas continuações, uma dirigida pelo mestre da ação: John Woo e a última em 2006, apostando em um novo talento advindo da televisão: J.J. Abrams.
Seu olhar aguçado e senso de marketing o levou a ótimos projetos, como o emotivo “Jerry Maguire” e o maravilhoso “filme-cabeça” “Magnólia”, além de ter tido a honra de participar do último projeto do lendário diretor Stanley Kubrick, “De Olhos bem Fechados”. Filmes bem diferentes entre si, porém com um ponto importante em comum, muita qualidade e ousadia.

Esta década tem sido muito boa para Tom Cruise, que formou uma boa parceria com o diretor Steven Spielberg em “ Minority Report” e “Guerra dos Mundos”, ambos projetos sensacionais de ficção científica.
Nos mais recentes “O Último Samurai” e “Colateral”, o ator teve a oportunidade de apresentar personagens bem diferentes. No segundo, sob a regência do arquiteto da ação moderna Michael Mann, Cruise fez seu primeiro vilão, um assassino que utiliza-se de um pobre taxista para levá-lo de um local do crime a outro, durante uma eterna madrugada.
Seu filme mais recente, Operação Valkíria, dirigido por Bryan Singer está para estrear nos cinemas brasileiros e promete mais uma interpretação de qualidade do astro.
Por mais que tenha se criado um mito de que Tom Cruise é sempre Tom Cruise em todos os seus filmes, basta uma olhada geral em seu currículo cinematográfico para perceber que tal afirmação não só é errada, como também desmerece talvez, o mais importante astro desta geração. Com uma simpatia que remete a Cary Grant, ótimas escolhas e uma ousadia incomum em se misturar dentre os mais diversos gêneros e tipos, Tom Cruise merece ser visto mais por seu trabalho e menos por suas aparições públicas e affairs.

Vejas cenas deletas de Top Gun:


Tom Cruise em A Lenda (Legend - Direção de Ridley Scott)

Nascido em 4 de Julho - Trailer

Rain Man - Tom Cruise e Dustin Hoffman

5 Comentários:

Talita disse...

Amei ler este texto!! E a escolha do vídeo de Rain Man no final!! Amo esta cena...acho a melhor cena do filme.
Muito bem sacada a idéia do Octavio de ir contra a maré, não abordando a vida pessoal do Cruise, as visitas na Oprah etc... Foi um texto digno, muito mais que muitos que já li em mídias especializadas, que sempre tentam diminuir o artista, dando atenção à polêmicas e buxixos de bastidores. Parabéns pelo profissionalismo do crítico!
Cada dia que passo vejo mais motivos em acompanhar o Vertigo, o "blog dos rapazes" como chamo, quando falo dele para amigos e familiares fãs de cinema.
Bjos.

robson disse...

Pela primeira vez alguém elogia o Tom Cruise COM argumentos.....sem aquela pataquada de oito ou oitenta, legal.
Tom não é o melhor ator do mundo, mas também não é o pior....e realmente, como o crítico falou, não se deve avaliar a carreira de um artista por seus atos públicos.
Muito original a abordagem nesta crítica, parabéns!

Michelle Santini disse...

A Talita disse tudo, eu só endosso!!
Como fã do Cruise desde pequena, é muito legal ver uma crítica centrada nos filmes, não na religião ou nos relacionamentos.
É a segunda crítica do Otávio que leio e gosto muito! Como sou nova aqui, irei dar uma olhada nas páginas anteriores e ler todas!
Parabéns ao blog!

Beth disse...

Tom Cruise faz parte das nossas vidas !!!Acredito que a maioria das pessoas viu todos estes filmes,no cinema ou em DVD. E uma pessoa tão talentosa como ele é retratada com muita dignidade nesta retrospectiva.
Parabéns!

Anônimo disse...

vou deixar meu cabelo igual ao dele vai ficar perfect.

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