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17 de fev de 2009

O CÉU NÃO PODE ESPERAR

A possível premiação póstuma de Heath Ledger neste fim de semana na premiação do Oscar relembra as perdas de jovens e grandes talentos de Hollywood e reacende a pergunta: Qual o peso da fama?



Por Octavio Caruso

No ano que passou, pudemos testemunhar um acontecimento raro, porém de extremo impacto emocional. A morte acidental do jovem astro Heath Ledger, aos 28 anos, no seu auge profissional não o impediu de ser indicado aos maiores prêmios de sua categoria, transformando as cerimônias em homenagens póstumas, como que uma maneira dos críticos de dizerem adeus ao ator, sendo que em vida, talvez não tivessem lhe dado a importância merecida. No caso de Ledger, sua morte serviu como uma constatação de seu enorme talento e sua provável e merecida vitória no Oscar como ator coadjuvante pelo filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, um formal pedido de desculpas.
Quando um astro nos deixa após muitas décadas nos entretendo, nos entristece, porém guardamos na memória todo o manancial de ótimas interpretações que nos foi oferecido. Porém, quando o mundo artístico perde alguém como Heath Ledger, fica a sensação terrível de termos perdido a oportunidade de presenciar um futuro glorioso.


Na década de 40, um jovem astro chamado Montgomery Clift participou de um dos melhores Faroestes da história do cinema, “Rio Vermelho”, do genial Howard Hawks. A partir daí sua fama foi instantânea. Seguiram-se sucessos como “Um Lugar ao Sol” e o maravilhoso “A um Passo da Eternidade”. Aos 45 anos, o ator assumidamente gay, lutou contra as regras pré-estabelecidas da sociedade, que fizeram com que astros como Rock Hudson escondessem sua condição sexual, porém era viciado em álcool e barbitúricos, o que o levou a problemas em sets de filmagem e uma grande publicidade negativa. Depressivo, desistiu de viver a poucos meses de completar 46 anos.



A bela Natalie Wood aos 17 anos, participou do filme “Juventude Transviada”(1955) fazendo par romântico com o então astro em ascensão James Dean. Foi indicada ao prêmio da academia e iniciou uma carreira de sucesso em Hollywood. Participou do faroeste de John Ford “Rastros de Ódio” e do musical vencedor de melhor filme, “West Side Story” de Robert Wise. Aos 43 anos de idade e ainda com muito a mostrar para seu público, a jovem desapareceu no mar, após uma saída noturna no iate de seu marido. Muitos acreditam que a mesma tenha se suicidado, porém nada foi confirmado até hoje. Seu colega no filme “Juventude Transviada”, James Dean, teve um futuro mais feliz, mesmo que tendo participado de menos filmes. Símbolo da atitude rebelde do início dos anos 50, Dean é hoje considerado um ícone cultural. No filme já citado e no épico monumental “Assim Caminha a Humanidade”, ao lado de rock Hudson e Elizabeth Taylor, o jovem teve a oportunidade de demonstrar seu talento em atuações viscerais. O pararelo com Heath Ledger é inevitável, pois ambos se entregavam completamente a seus trabalhos.

Seu fascínio por carros velozes o levou deste mundo impiedosamente, ao envolver-se em um acidente fatal em 1955. Assim como Ledger, recebeu indicações póstumas aos maiores prêmios da categoria.
James Dean morreu, porém é visto até hoje em camisetas que estampam seu rosto. Seu nome é imortal. Sua fama somente aumentou com o passar dos anos, tornando-o uma referência. O mesmo pode ser dito sobre Norma Jean Mortenson, ou como ficou conhecida: Marilyn Monroe.
O maior símbolo da sensualidade do cinema dos anos 50, a jovem estrela colecionava sucessos em seu currículo, filmes que entraram para a história do cinema, como “Quanto Mais Quente Melhor” de Billy Wilder, onde ganhou um Globo de ouro por sua performance ao lado de Jack Lemmon e Tony Curtis. Seu relacionamento com o então Presidente americano John Kennedy foi manchete da época durante muito tempo.
Sua fragilidade emocional foi deixando-a cada vez mais fora do eixo. Enquanto rodava o filme “Something´s Got to Give”, a atriz não conseguia manter a seriedade, errando os textos e deixando à mostra os efeitos dos remédios que estava tomando. Em 1962, Monroe é encontrada morta em seu quarto aos 36 anos. O motivo: Ingestão exagerada de remédios. Mais uma vez, a depressão leva do mundo do cinema um futuro glorioso.
No mesmo ano em que a loura mais famosa do cinema nos deixava, no outro lado do mundo, um jovem iniciava uma carreira de sucesso.
Bruce Lee não era apenas um exímio estudioso das artes marciais, era também filósofo e possuía um carisma fora do normal. Foi com este carisma que chamou a atenção dos estúdios americanos, após alguns filmes orientais de sucesso que estrelou, como “A Fúria do Dragão”. Na série de TV “O Besouro Verde”, realizada anos antes, solidificou-se a boa relação entre o astro e seus fãs. Em 1973, Lee participou de seu primeiro filme americano, “Operação Dragão”, porém o mesmo não veria o sucesso do filme nos cinemas mundiais, pois viria a falecer durante as filmagens de seu longa chinês “O Jogo da Morte”. A razão de sua morte já foi abordada com brilhantismo e lirismo em produções americanas, como “Dragão – A história de Bruce Lee”. Cercada de mistério, pois o ator foi encontrado morto na casa de uma amiga com um inchaço cerebral, levando muitos a crerem que a amiga o havia envenenado. Outros acreditam que tudo não passou de uma conspiração da máfia chinesa que não queria que o astro ensinasse ao povo americano as doutrinas secretas orientais. O que importa e nos entristece é que Bruce Lee nos deixou quando estava começando a se aperfeiçoar como ator de cinema.
Todos os mistérios que cercam a sua morte voltaram a ser tema das manchetes dos jornais quando seu filho Brandon Lee foi vítima de um tiro de revólver (que deveria estar com balas de festim) em cena, durante as gravações do filme “O Corvo”. O “pequeno dragão” começava a galgar espaço na mídia, com filmes de ação medianos quando sua vida foi interrompida drasticamente. Logo, a polêmica retornou. Seria a maldição da família Lee? Foi acidente ou um assassinato orquestrado? Como o diretor John Ford tão bem profetizou em seu filme “O Homem que matou o Facínora”(1962): “Quando uma lenda se torna um fato, propague a lenda.”
Não tão imerso em teorias de conspiração, porém muito lembrado por seus fãs, o ator John Belushi havia feito sucesso na série de TV “Saturday Night Live”, com seu estilo desbocado e falastrão. Porém foi no cinema que seu sucesso mundial aumentou, em filmes como “Clube dos Cafajestes” e “Os Irmãos Cara-de-Pau”.
Em 1982, o mundo acorda em choque com a revelação de que o jovem e promissor comediante havia sido encontrado morto em sua casa, após uma overdose de drogas, aos 33 anos. Nenhum ator preencheu sua lacuna em seu tipo de humor. John Belushi continua único.
Também foi levado pelo uso de drogas o jovem ator River Phoenix, aos 23 anos. Sua fama começou ao estrelar ainda criança o clássico juvenil “Conta comigo”. Ao interpretar um jovem Indiana Jones em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, Phoenix conheceu a fama em todos os seus prazeres e desgraças. Quatro anos depois, o uso excessivo de cocaína misturada com heroína foi forte demais para o promissor astro.
O que todos estes jovens têm em comum além de terem tido suas vidas terminadas bruscamente? A sorte de terem se tornado imortais.
O mundo jamais esquecerá James Dean. Marilyn Monroe continuará arrancando suspiros de gerações por vir,. John Belushi continuará me fazendo sorrir ao assisti-lo. Bruce Lee é o rei das artes marciais e todos o veneram até hoje. E Heath Ledger irá receber na noite do dia 22, o prêmio máximo, adentrando assim, no olimpo sagrado dos astros eternos.
A morte não limitou seus talentos, apenas colocou-os em foco.


Trechos de Candy com Heath Ledger:


O Cavaleiro das Trevas: Oscar para o Coringa?

5 Comentários:

Patthy disse...

Na verdade, em mtos casos, a fama é uma gde armadilha pois pode trazer tentações, preconceitos, prisão (perde -se a liberdade do ir e vir) e tantas outras consequências. Mtas vezes o famoso não está bem preparado p/ suportar tanta pressão e esses casos citados no post são só alguns exemplos do q a fama pode ser e trazer se não for bem administrada. Bjs

rafael andrada disse...

Muito legal a lembrança do imortal James Dean e o, hoje meio esquecido entre os jovens, Montgomery Clift.
A qualidade do texto salta à vista!
Não duvido nada se um dia eu vir os criadores deste blog como os "Roberto Marinho" do futuro.

Chris Vianna disse...

É incrivelmente fascinante lembrar destes grandes astros e ainda mais com uma narrativa deste tipo,ágil e de fácil leitura.
É uma pena termos perdido estes astros tão cedo.Eles ainda tinham muito a dar para nós...Mas os mitos,não morrem nunca!

Chris Vianna disse...

Ah! Só senti falta de uma coisa : uma foto de Natalie Wood !

nelson disse...

Uma das matérias mais completas que já li sobre o tema, parabéns ao Octavio pelo trabalho de pesquisa.
Como dizia Freddy Mercury: "Who want to live forever?"

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