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12 de fev de 2009

RINGUE DE ESTRELAS NO OSCAR

Com trajetórias distintas mas em alguns pontos paralelas, Brad Pitt e Mickey Rourke vão duelar na noite do Oscar, mostrando, quer ganhem ou não, o amadurecimento de suas carreiras



Por Octavio Caruso

A premiação mais importante da sétima arte já escolheu seus indicados, as apostas já estão sendo feitas. No meio de tudo isso, duas pessoas disputam o prêmio máximo na categoria que elege o melhor ator do ano passado. Astros que possuem muito em comum, além da apreensão que irão compartilhar no próximo dia 22, quando a abertura do envelope contendo o resultado poderá alçar um deles à glória.
De um lado, neste “ringue” imaginário, temos a presença de Brad Pitt pelo filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Do outro, Mickey Rourke, pelo filme “ O Lutador” buscando sua redenção profissional, após muitas decisões erradas no passado.
“Do lado direito, William Bradley Pitt, 43 anos...”

Desde sua primeira participação importante, como coadjuvante no filme “Thelma e Louise” de Ridley Scott, o astro vêm colecionando elogios, tanto do público quanto da crítica.
Assim como o saudoso Paul Newman, Pitt sempre temeu que sua beleza lhe atrapalhasse na escolha de papéis no cinema. Portanto, sempre tenta inserir-se em filmes com temas contestadores, fora do comum. Trabalhando com diretores autorais e nada convencionais.
No belo filme “Nada é para Sempre”, trabalhou sob a direção de Robert Redford, o ator e diretor politizado e contestador que, assim como Pitt, teve que lutar contra o preconceito da mídia em seu passado, com relação à sua aparência.
Assumiu o papel principal no filme “Entrevista com o Vampiro”, aceitando “duelar” na tela com a presença magnética de Tom Cruise, conseguindo ótimos resultados. Seu sucesso chamou a atenção do diretor David Fincher, que o escalou para o thriller de suspense que revitalizou o gênero: “Seven”.
Sua participação neste projeto o tornou um astro milionário com várias propostas de trabalho “batendo à sua porta”.
Filmes como “Os Doze Macacos” e “Sleepers – A Vingança Adormecida” ajudaram a propagar seu nome por todo o mundo. Brad Pitt havia se tornado um dos astros mais bem pagos do show business e um dos nomes mais requisitados da nova geração.
No final da década de 90, seu reencontro com o diretor David Fincher lhe traria sua obra-prima máxima “ Clube da Luta”. Como o alter-ego do personagem de Edward Norton, Pitt deu uma aula de interpretação e consolidou sua fama de tentar sempre escolher papéis desafiadores em filmes ousados.
Nos últimos anos se permitiu participar da trilogia iniciada por ”Onze Homens e um Segredo”, projetos divertidos, como uma grande reunião entre amigos do ramo.
Seu reencontro com o cinema autoral veio com “Babel” em 2006, dirigido por Alejandro González Iñárritu. Um ótimo conto sobre as trágicas conseqüências que uma ação irresponsável pode desencadear sobre pessoas inocentes.
Em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, como o homem que nasce “velho” e envelhece “rejuvenescendo”,o astro realiza seu terceiro filme sob a tutela de David Fincher e recebe a indicação ao prêmio da academia por seu trabalho. Um círculo que se fecha, que pode arrematar uma carreira estável e que vêm prezando por um incrível comprometimento com suas próprias convicções.

“Do lado esquerdo, Philip Andre Rourke Jr., 56 anos...”

Assim como seu “oponente”, Rourke iniciou sua carreira participando de filmes menores que o utilizavam como “peça decorativa”. Seu primeiro projeto de destaque foi “Nove e meia semanas de Amor”, dirigido por Adrian Lyne e com a bela Kim Bassinger no elenco. As cenas tórridas de amor entre o casal causaram alvoroço nas platéias da época.
Sua carreira como galâ já estava traçada, porém Rourke tentou se afastar dos papéis que o utilizariam apenas por sua beleza, tentando participar de filmes realmente bons.
Sua obra-prima veio no ano seguinte com “Coração Satânico”, um ótimo Noir gótico com a participação de Robert De Niro e a direção precisa de Alan Parker.
Foi neste momento que sua sorte começou a mudar. Ao recusar os papéis principais em filmes como “Highlander”, “Os Intocáveis” e “Rain Man” começou a descer uma “espiral” de fracassos que o conduziram a um abismo criativo.
Em um rompante de descontrole, decidiu largar a carreira artística em 1991 para se dedicar ao pugilismo profissional. Após quatro anos lutando com considerável sucesso, se afastou dos ringues. Seu rosto, após tantas lutas, passou por várias cirurgias plásticas reparadoras transformando o astro atualmente em uma leve lembrança do que ele já foi.
Tentou retornar ao cinema, porém somente papéis pequenos lhe foram oferecidos, normalmente como o vilão.
Em 2005 participou do filme ”Sin City”, porém com seu rosto transformado para se assemelhar ao personagem queixudo dos quadrinhos de Frank Miller, era difícil “ver” Rourke.
Com uma carreira fracassada, o astro lembrava-se apenas das glórias do passado e das oportunidades que ele deixou passar.
Quando o talentoso diretor Darren Aronofsky (de “Réquiem para um Sonho”) o convidou para estrelar o filme “O Lutador”, a mídia especializada demorou a acreditar.
A história do homem de meia idade que vive de glórias passadas, do tempo em que era uma lenda da “luta-livre” (no Brasil, conhecido como “Telecatch”), assombrado por desilusões profissionais e amorosas que revive após aceitar uma revanche contra seu antigo antagonista, O Ayatollah, se assemelha bastante com a história do próprio astro.
O filme já é um grande sucesso nos E.U.A e promete repetir a façanha no Brasil.

“Round 1....”

Difícil saber qual dos dois irá realizar o famoso discurso de agradecimento, porém as chances de ambos são bem altas. O público ama histórias de sucesso, como as de Brad Pitt. Se emocionam com histórias sobre “underdogs” ou azarões, como Mickey Rourke, adorando lhes oferecer chances de redenção.
Ambos se aproximam no “ringue” imaginário e tocam suas “luvas”... independente de quem vença na noite do dia 22, ambos são merecedores por vários motivos. Nós, o público, agradecemos o espetáculo que está sendo acompanhar suas carreiras, seus altos e baixos e torcemos por ambos. “Que a luta comece...”


Veja trecho de 9 Semanas e 1/2 de Amor:




Veja trecho de 12 Macacos e Thelma e Louise com Brad Pitt





Trailer de O Lutador com Mickey Rourke:

6 Comentários:

daniel tavares disse...

Ótima abordagem, mostrando que existe muito em comum nas carreiras dos dois atores. Acho que nunca vi o tema ser abordado desta forma, bem original.
Se eu tivesse na platéia, apostaria em Rourke para ganhar o prêmio, o Oscar adora presentear astros decadentes com prêmios honorários.
Parabéns ao blog pela idéia.

Anônimo disse...

Como sempre uma leitura dinâmica e bem comentada!Muito bom este duelo de astros .Torço por Brad ...Mas o Rourke ,se ganhar,vai receber uma boa dose de otimismo!
Esse Blog está sempre nos surpreendendo! Parabéns!

cintia disse...

Curti muito este duelo!!!
Inusitado, por isso mesmo genial!
Dá até vontade de ver outros textos do mesmo gênero...
Parabéns ao blog!

Patthy disse...

Talvez Mickey Rourke vença esse "duelo" até pq faz mto tempo q ele anda afastado e o Oscar é a sua gde oportunidade de fazer a mídia se reaproximar e esse belo trabalho caiu perfeito p/ "levar essa". Bjs

Anônimo disse...

Gostei da idéia, acho que o Pitt arrebenta com o rourke no primeiro round....kkkkkkk
Falando sério, acho que o Oscra vai premiar o Pitt pelo conjunto da obra. Mais que merecido, é só ver o clube da luta e seven pra confirmar.
Parabéns ao Otávio pelo texto. Muito criativo.

Chris Vianna disse...

ADOREI !!! Essa "luta de boxe" com os dois atores! Foi uma idéia genial!
Estou ansiosa para ver o resultado do Oscar.Os dois,em cada gênero,mereciam ganhar mas,torço mesmo é por Brad Pitt...Tadinho,o Rourke ,se ganhar,vai ser para poder "levantar do túmulo".O Brad ,nos últimos anos, tem nos presenteado com personagens maravilhosos (vi "o misterioso caso...3 vezes!!).Agora é esperar para ver !

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