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27 de abr de 2009

RESENHA 1: X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

FEROCIDADE QUE NÃO CONVENCE




Com um roteiro fraco e direção capenga, X-Men Origens: Wolverine fracassa e mostra como "não" se deve escrever uma adaptação de quadrinhos para o cinema


Por André Moreira


Quando ao final do lançamento, há alguns anos, do terceiro e fraco filme dos X-Men (X-Men – O Confronto Final), se levantou a hipótese de renovar a franquia contando as origens dos principais personagens do universo mutante, entre eles o vilão Magneto e o feroz Wolverine, acendeu-se uma nova esperança no coração de 9 entre 10 nerds aficcionados por quadrinhos, de ver melhor explorado a história, cronologia e aventuras dos pupilos do Professor Xavier.
A primeira empreitada chega agora aos cinemas do Brasil e do mundo, através de X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine), contanto, como o próprio título diz, a origem do mais famoso aluno da Escola para Superdotados do Professor Xavier, Wolverine.

O Anti-Herói dos gibis

Nos quadrinhos, durante mais de duas décadas, o passado do mutante canadense foi um mistério até mesmo para seus criadores, o que somente se revelou nos anos 2000, em uma mini entitulada Origem. Uma pena a meu ver, pois o principal fio condutor que enriquecia o personagem e instigava os fãs era justamente seu misterioso passado, que ao decorrer dos anos se descortinava de forma confusa e “pouco” reveladora. Era aí que estava o principal atrativo do personagem e uns dos principais motivos para o mesmo ser, talvez o último popular herói, ou melhor, anti-herói das histórias em quadrinhos. Antes de Wolverine, que surgiu no fim dos anos 70 como coadjuvante em uma história do Hulk, a popularidade pertencia a heróis, digamos, convencionais como Homem-Aranha, Homem de Ferro, Capitão América, Superman e Cia.. Wolverine foi a virada e reformulação nesse conceito, abrindo caminho para tantos outros anti-heróis que viriam depois.
A virada do personagem surgiria pouco tempo depois ao ser inserido no universo mutante e como membro dos então novos X-Men, personagens interessantes que, no entanto, vinham de um período de baixa popularidade e vendas, mesmo estando sob a batuta de nomes como Neal Adams. Com novo escritor (Chris Claremont) e desenhista (Dave Cochrum) foi dada uma nova chance para os mutantes e em contrapartida para o desconhecido Wolverine, que dividia as histórias com outros igualmente desconhecidos personagens, como Noturno, Colossus, Tempestade e Pássaro Trovejante. Com a chegada meses depois de John Byrne ao título, assumindo o lápis no lugar de Cochrum, o baixinho invocado teve seus melhores momentos e caiu nas graças dos leitores, que abraçaram o perfil do herói às avessas. Graças à visão do mestre Byrne, que bateu pé e deu destaque para o carcaju canadense. Reza a lenda que John e Chris tinham divergências quanto ao personagem. Chris queria dar mais atenção a personagem Tempestade e John a Wolverine. No final venceu o bom senso e a Marvel abraçou e comprou a idéia, uma vez que até hoje o personagem figura nas principais publicações da Casa das Idéias. Wolverine teve diversos bons momentos, dentre eles, vale destacar, por Barry Widsor Smith, que escreveu e ilustrou uma de suas melhores histórias de Logan. Entitulada Weapon X (Arma X), a trama contava origem de seu esqueleto e garras de adamantium. Um clássico mal utilizado em X-Men Origens: Wolverine, como os fãs, infelizmente irão constatar.

Enfim a origem nos cinemas. Mas, porém, todavia, entretanto...

Com a popularidade em alta durante todos esses anos seria óbvio que o mutante mais popular dos quadrinhos viria a ser o primeiro protagonista de uma série de filmes resultantes da franquia, onde o mesmo figurou como estrela absoluta da trilogia, graças a ótima interpretação do ator Hugh Jackman. Com o início da produção muitas especulações surgiram, um marketing pesado foi desenvolvido e, infelizmente, a pirataria também figurou no histórico do filme com o vazamento do mesmo via internet, o que inflou os ânimos dos executivos e acionou uma extensa investigação atrás dos responsáveis. Em suma, um filme por trás do filme.


Mesmo com todo esse processo, o filme que chega as telas neste fim de semana deixa a desejar em vários quesitos e aspectos. O roteiro infantil é o principal fator contra o filme. Quando se tenta desvirtuar quase que totalmente o original, pouco se salva. Gavin Hood (diretor do longa), ou talvez os executivos do estúdio, seguiram pelo mesmo e errado caminho desenvolvido por Bret Hatner com seu Confronto Final, reinventando a roda e descaracterizando a base central do personagem, seus conflitos e suas relações ao longo do tempo. A falta de memória e seu passado misterioso que nos quadrinhos funcionou muito bem, aqui é um ponto mal utilizado, deixando o filme fraco em conceito e perdido em meio a cenas de lutas pífias e em muitas vezes inexistentes.
Um filme de origem que poderia render no mínimo outros dois se perdeu totalmente em um único. Personagens fora de contexto, outros mal inseridos, só ajudam a confundir os fãs e nada acrescentam aos leigos, que indiferentes ao universo mutante dos quadrinhos, não muito irão "digerir" a trama. Personagens mal construídos, atuações simples e sem profundidade e outras beirando ao risível em uma história simplória que fica devendo aos melhores momentos de Wolverine nos quadrinhos. Uma pena, mas não foi desta fez que o baixinho invocado teve seu melhor momento.


3 Comentários:

Anônimo disse...

Nossa!! Mal li uma resenha e...Já apareceu essa!!!...Vcs me deram um soco com luvas de adamantium !!!!Mas ,infelizmente,acredito em vcs!
Já falei na resenha anterior : vou ver o filme nem que eu tenha que sair de lá chorando de raiva!!!!

Caique Gonçalves disse...

Sinceramente, não era pra se esperar grandes feitos. Há um exagero nas adaptações dos quadrinhos que acabam pasteurizando os longa-metragens. Mais do que o apuro estético e uma história bem contado, a franquia existe para dar lucro e quanto mais cômodo melhor. Acho que vou conferir só por causa do Hugh Jackman

Abs

cely campos disse...

Adorei as explicações sobre os quadrinhos, nunca acompanhei, só nos filmes, então foi bom aprender sobre a história do personagem.

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