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30 de jul de 2009

FILMAGENS EM UM MAR DE CALMARIA


Diretor Heitor Dhalia e os atores Vincent Cassel, Deborah Bloch e Laura Neiva falam de À Deriva e explicam como foram os bastidores do longa que estreia neste fim de semana

Por André Moreira

Uma narrativa leve e ao mesmo tempo profunda dos sentimentos humanos, delicada na medida certa, pontual quando tem que ser. Assim é À Deriva, Filme dirigido por Heitor Dhalia (Cheiro do Ralo) que chega nesta sexta, 31, aos cinemas brasileiros depois de "desfilar" de forma positiva pelo tapete vermelho de Cannes, onde recebeu calorosas críticas.
E não era para menos. Heitor conseguiu captar a essência de uma típica família em meio a turbulência de uma separação, perdas e descobertas de uma infância perdida e uma adolescência em profusão de sentimentos. Representando o ponto central dessa família está Filipa, interpretada pela estreante Laura Neiva, descoberta pelo diretor e seus produtores em um site de relacionamento. Filipa curiosamente é o alterego de Heitor em um momento particular de sua vida: A separação de seus pais quando ainda era um menino. Ser representado na tela grande pelo sexo feminino não trouxe problemas para o diretor, muito pelo contrário, serviu, segundo ele, como um espécie de escudo:
- Na verdade, quando o projeto começou eu não queria falar sobre o assunto do filme, a história dessa menina que descobre que o Pai está tendo um relacionamento de infidelidade em uma praia e daí tem o despertar da sua sexualidade a partir dessa experiência. Depois eu fui entendendo que o filme tinha elementos pessoais da minha própria vida. Morei numa praia, meus pais se separaram quando eu tinmha a mesma idade da protagonista. E aí o filme foi ficando realmente mais pessoal e eu gostei de ter essa intermediação da ficção, de ter essa inversão do protagonista que me deixou abordar o tema com mais delicadeza do que se fosse um menino. E aí no final acabei gostando. Explica ele e continua.
- E também não é sobre a separação dos meus pais. Fiz outras inversões também. Por exemplo, minha mãe não bebe. ri ele, deixando claro que essa característica da personagem de Deborah Bloch não representa de fato a realidade de sua família.

Um dos protagonistas do longa, o simpático ator Francês Vincent Cassel vive o pai de Filipa e mostra no filme ser um ator versátil, fugindo dos papéis violentos comuns em seu currículo.

- Acho que o tempo passa. Estou pronto para fazer esse tipo de papel. Aqui no Brasil estou muito mais calmo fazendo à Deriva. Foi uma oportunidade de fazer uma coisa diferente. Mas gosto de fazer filmes violentos. Deixa claro ele em um bom português, diga-se de passagem.

Deborah Bloch, a outra ponta do complexo casal de À Deriva, concorda com Vicent quando questionada sobre seu persongem mais comflituoso.
- É como o Vincent falou. Chega em uma idade em que você passa a representar as mulheres da sua geração. E as mulheres da minha idade são mulheres que já passaram por um casamento, pela crise do casamento, tiveram filhos. Então eu acho interessante fazer personagens assim. E foi muito bom porque acho que é um personagem muito bem construído, como você mesmo falou, cheio de conflitos. E quanto mais conflitos melhor para a atriz. quanto mais material você tem pra trabalhar melhor. Os personagens em crise são mais interessantes do que os felizes. completa.



Um ponto importante do longa, segundo os atores, estava no clima e na forma de trabalho do diretor, que deixou o set mais harmonioso possível. Vincente Cassel destacou a concentração dentro do set de filmagens.
- Foi muito bom. Não se falava muito no set. Todo mundo sabia o que tinha que fazer. Sempre foi uma coisa lúdica, concentrada. Você não falava muito com os atores. diz.
Deborah destaca a segurança de Heitor Dhalia durante as filmagens, um dos pontos, segundo ela, que ajudaram para que o filme desse certo.
- É verdade que nesse filme, pelo menos pra mim, acho que tinha um clima muito especial nas filmagens, porque o Heitor era muito seguro da história que ele estava contando. Ele soube dizer muito claramente que clima ele queria, o tom da interpretação, o clima da família. Acho que ficou claro pra todo mundo. E também aconteceu aquela química necessária rara entre todos os atores. Com o Vincent que é ótimo de trabalhar, com as crianças. Então foi esse encontro feliz. Explica Deborah que ainda destaca outro ponto importante durante as filmagens.
- Mas tinha um clima especial porque a gente filmava com três câmeras e isso te dá uma liberdade muito grande, você não fica muito preso na marca da luz, na marca do foco. Ele (diretor) filmou de um jeito que deixava a gente muito solto e nós aproveitamos isso. E o Vincent brincava com as crianças entre um take e outro. Isso foi criando um clima importante entre a gente que acho aparece na tela. Foi especial mesmo. Foi um encontro feliz.

Se o clima nas filmagens era de pura harmonia, escolher a protagonista de À Deriva não foi tão harmonioso assim. Para convencer Laura Neiva a estar no elenco foi um trabalho árduo, que de acordo com atriz levou cerca de três meses, entre um "Scrap"e outro no orkut. Convencida pela produtora, Laura topou o desafio e hoje tem certeza, depois da experiência no longa, que escolheu a carreira certa.
- Uma vez fiz uma peça no colégio em que não me senti nem um pouco confortável e depois disso disse para mim mesma que jamais faria aquilo de novo. Hoje já não penso mais assim. Agora tenho certeza de que quero ser atriz. Diz ela, dessa vez mais determinada.
Ambientar o filme no anos 80 foi outro ponto importante para Heitor.
- Foi mais ou menos nessa época que meus pais se separaram. E por que o filme tem uma construção baseada na memória, uma abordagem mais nostálgica de uma infância que é deixada pra trás. De uma inocência perdida. Todo filme tem essa busca narrativa na memória. Define.

2 Comentários:

MM disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
dudu moraes disse...

Muito legal mesmo esse blog! Após ler a crítica ,ver este belo complemento informativo e bom de ler. O Vertigo acaba de ganhar mais um fã!

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