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6 de ago de 2009

MORRE O POETA DA JUVENTUDE

Por Octavio Caruso

Morreu hoje de um ataque cardíaco aos 59 anos o homem que melhor soube captar a essência dos jovens da década de 80 em suas muitas colaborações, como roteirista e diretor.
John Hughes começou na década de 70 escrevendo para a revista National Lampoon, uma ousada e criativa colagem de textos subversivos e escrachados que era febre nos Estados Unidos na época. Em uma das capas mais famosas, um revólver apontava para a cabeça de um cachorro e a manchete dizia: “Se você não comprar esta revista, iremos matar este cachorro!”
A National Lampoon cresceu e invadiu os cinemas no início da década de 80 e Hughes se encarregou de realizar o roteiro do projeto. No Brasil o filme chamou-se “Férias Frustradas”(National Lampoon´s Vacation), trazendo no elenco a presença carismática do humorista Chevy Chase, contando ainda com a participação especial de um jovem John Candy. O filme foi um grande sucesso no mundo todo e rendeu três continuações com o mesmo elenco, as duas primeiras (“Férias Frustradas na Europa” e “Férias Frustradas de Natal”) com roteiro de Hughes.
Em 1984 dirigiu seu primeiro projeto, o hoje bastante cultuado “Gatinhas e Gatões”(Sixteen Candles), que tornou sua protagonista Molly Ringwald um fenômeno da época. Além de conseguir traduzir as emoções dos adolescentes, Hughes primou também por se manter fiel ao seu grupo de atores, sempre escalando-os em seus filmes posteriores.
No ano seguinte fez, o que considero sua melhor criação: “O Clube dos Cinco”(The Breakfast Club). Na história, cinco estudantes ginasiais encontram-se detidos e tendo que passar o Sábado juntos na sala de aula, tendo que escrever uma redação redimindo-os do erro. O toque de genialidade de Hughes foi fazer dos cinco jovens, símbolos e estereótipos de cinco características comuns da idade. Um é o rebelde violento, outro o esportista valentão, existe a menina mimada, a esquisita e o nerd, eles terão que se confrontar e descobrir que não são tão diferentes como imaginavam. Uma obra prima extremamente atual.

No mesmo ano fez outro clássico da época: “Mulher nota 1000”(Weird Science), onde dois jovens desiludidos com suas vidas amorosas decidem criar uma mulher perfeita no computador, papel que coube como uma luva nas mãos da belíssima Kelly LeBrock.
Em 86, roteirizou “A Garota de Rosa Shoking”(Pretty in Pink), com sua vedete Molly Ringwald e um jovem James Spader. Mas foi com o hit instantâneo “Curtindo a Vida Adoidado”(Ferris Bueller´s Day Off) que o diretor entrou pra história do gênero, alçando em sua companhia um jovem Matthew Broderick no papel símbolo de uma década e de uma geração, o inconseqüente e anárquico Ferris Bueller. A decisão de Hughes em filmar Broderick falando para a câmera mostrou-se uma ferramenta inovadora, pois fazia com que nos sentíssemos parte integrante das cenas, tornando a caracterização de Broderick mais simpática. Após esta seleção de sucessos, John Hughes já poderia se aposentar, pois já tinha marcado seu nome na história do cinema, mas ele ainda tinha muito mais a dizer para os jovens. Em 1987, criou ao lado de John Candy e Steve Martin a maravilhosa comédia “Antes Só do que mal Acompanhado”(Planes, Trains and Automobiles), que muitos fãs até hoje acreditam ser o melhor filme de Steve Martin.
Em 1989 novamente ao lado de John Candy realizou “Quem vê cara, não vê coração”(Uncle Buck), um grande sucesso no Brasil, devido às várias exibições nas sessões da tarde Globais.
Em 1991 se despediu da cadeira de diretor com a comédia razoável “A Malandrinha”(Curly Sue), porém continuou se dedicando ao seu ofício original, criando ótimos roteiros como o do grande sucesso “Esqueceram de Mim”(Home alone), do diretor Chris Columbus, que transformou Macauley Culkin em astro mirim mundial do dia pra noite.No início da década de 90, roteirizou os filmes da série “Beethoven” e as continuações de “Esqueceram de Mim”.
Com seu prematuro falecimento hoje, o mundo perdeu um símbolo dos anos 80, um gênio que com sua sensibilidade acentuada, conseguia entender a juventude em todas as suas angústias, frustrações e desejos e os fazia se ver na tela do cinema com exatidão de detalhes e humor.
Nada mais conveniente que terminar este texto com uma passagem do filme O Clube dos Cinco, que traduz com exatidão a real mensagem de John Hughes para todos os adultos, tentando fazê-los entender os teenagers:
“"Querido Sr. Vernon, nós aceitamos o fato de sacrificar nosso Sábado na detenção por seja lá o que tenhamos feito de errado. Mas nós achamos que você é louco por fazer a gente escrever uma redação dizendo quem nós achamos que somos. Com o que você se importa? Você nos vê como quer... do jeito mais simples e conveniente. Você nos vê como um cérebro, um atleta, um problema, uma princesa e um criminoso. Estou certo? Era como a gente também se via às sete horas desta manhã. Nós estávamos alienados".


2 Comentários:

dudu moraes disse...

Nossa....que bela homenagem! Com um final maravilhoso...como melhor expressar a essência do artista? Mostrando uma parte de seu trabalho, genial!
Nenhuma outra mídia deu a importância devida ao John Hughes, vocês estão de parabéns novamente!

léo ruas disse...

Homenagem digna de emocionar! Desconhecia a importância deste diretor, mas realmente ele foi responsável pelos filmes mais cultuados em seu gênero nos anos 80.
Parabenizo mais uma vez seu texto, Otávio...estruturalmente bem feito e com emoção em cada linha. Continue assim!

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