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3 de ago de 2009

VERTIGO POP CRÍTICA: MOSCOU

ENSAIO FRIO COMO MOSCOU



Por Octavio Caruso

Moscou, documentário dirigido por Eduardo Coutinho e com a presença do grupo teatral Galpão parte de uma premissa interessante e naufraga em um desconexo e desorientado estilo narrativo.
Ao acompanharmos o talentoso grupo Galpão durante os ensaios experimentais para a peça “Três Irmãs” de Anton Tchecov, somos apresentados a um universo fantástico de criação artística, com alguns momentos sensacionais. Porém Coutinho erra em não nos apresentar os atores, nos fazer simpatizar com os seres humanos. Em nenhum momento soa natural o dia a dia do grupo e quando sentimos o início da construção da peça, já estamos entediados.
A arte de interpretar e todo o fascínio que isso representa, o lado apaixonante da profissão é obscurecido em favorecimento de cenas desnecessárias e alongadas ao limite do desespero de quem assiste. Quem não é ator, além de achar o documentário maçante ainda irá sair da sessão prometendo a si mesmo nunca pisar numa escola de teatro.

A experiência torna-se mais frustrante ao conhecer o trabalho anterior do diretor, o ótimo “Jogo de Cena”, que tratava basicamente do mesmo tema, mas de forma passional e universal.
Dos bons momentos, vale destacar a cena dos atores ensaiando a peça no refeitório, que realmente transmite o clima de um grupo teatral e a cena bem humorada do ator que não consegue dizer corretamente o nome de uma comida russa. Cenas simples mas que demonstram o quão mágica é a profissão do ator.
Ao final do documentário fica a sensação de vazio, de que faltou muita coisa. Moscou é para poucos, o que por si só já é antagônico à própria essência do teatro e a função do ator.

1 Comentários:

robson disse...

Gostei muito da frase final: Moscou é para poucos, o que já é antagônico ao que se acredita ser o teatro! Bravo!!
Uma das razões que fizeram o teatro ser uma arte respeitada foi levar seu público a fantasiar. Conquistar o público, ser apaixonante.
Por isso os musicais fazem tanto sucesso. É hora do povo perceber que Hamlet e shakespeare,entre outros autores tinham senso de humor e pararem com essa reverência exagerada e esquisita, que apenas limita a arte e afasta o público.
Parabéns à belíssima crítica!

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