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28 de set de 2009

BUSCA FRENÉTICA: ROMAN POLANSKI POR TRÁS DA POLÊMICA

Imaginem a situação: Você viaja para a Suíça para receber um prêmio em sua homenagem e acaba sendo preso ao desembarcar em Zurique. Parece roteiro de filme, mas é o que aconteceu recentemente com o mundialmente conhecido diretor Roman Polanski. Apesar de sua carreira estar sempre em evidência devido aos grandes filmes que realiza, o fantasma de um acontecimento de 30 anos atrás o persegue invariavelmente. Na época, Roman afirmou ter tido relações sexuais com uma menor de 13 anos.
A comunidade artística está indignada, assim como os muitos fãs de seu trabalho e os políticos da França e da Polônia. Enquanto este impasse não se resolve, o Vertigo Pop prefere falar sobre a arte deste francês de 76 anos e o conjunto de obras imortais que tornaram-se referências para todos que admiram a sétima arte.
Sua juventude conturbada reflete-se bastante nos temas de seus filmes. Sua mãe morreu em um campo de concentração, porém ele conseguiu escapar do gueto de Varsóvia e passou a segunda guerra mundial em constantes fugas, vivendo em casas de famílias católicas. Enquanto a maioria dos jovens se preocupavam com questões políticas e revoluções, o jovem Polanski utilizava as idas aos poucos cinemas da região, como válvulas de escape. O cinema realizava seus sonhos e por meio deles, via-se longe da guerra.
Na década de 50, atuou em alguns filmes, antes de estudar na Lotz Film School. Não é nenhuma surpresa que seu primeiro filme como diretor tenha sido também o primeiro filme do pós-guerra polonês que não tratava de temas relacionados às batalhas.
Mais tarde encontrou-se com o roteirista Gerard Brach, com quem co-escreveu sua primeira obra-prima : Repulsion (1965). O filme, protagonizado por uma bela Catherine Deneuve era um terror psicológico rico em sutilezas aterradoras. A personagem de Deneuve repelia os homens que tentavam se aproximar dela, fazendo-a se isolar cada vez mais. Sozinha em um apartamento ela enfrenta seus piores medos, cada vez mais imersa em sua neurose.
Repulsion (Repulsa ao Sexo) recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlin e acendeu o interesse dos produtores estrangeiros no jovem.
Na América realizou o filme cult A Dança dos Vampiros e o considerado por muitos fãs do gênero, melhor filme de terror de todos os tempos: O Bebê de Rosemary (1968). Indiscutivelmente a obra merece estar em uma posição elevada, por muitos méritos. O uso equilibrado de suspense, a atuação de Mia Farrow e a cena final, que continua extremamente perturbadora.
No ano seguinte, uma tragédia abalou tremendamente seus alicerces. Sua esposa Sharon Tate foi brutalmente assassinada pela gangue de Charles Manson. O diretor decidiu retornar para a Europa e muitos acreditavam que ele iria abandonar a carreira.

Em 1974, ele voltou para a América onde filmou o excelente Chinatown. Polanski resgatou o gênero de filmes Noir com maestria, impulsionado por uma performance irrepreensível de Jack Nicholson.E ainda trouxe o lendário diretor John Huston em uma interpretação memorável. Parecia que Polanski estava retornando com força total.
Porém após afirmar ter mantido relações sexuais com uma menor de 13 anos, Polanski fugiu da América para evitar a prisão.
Sua carreira então refletindo todas as atribulações de sua vida pessoal, entrou em declínio. Seus filmes seguintes variavam de medíocres a apenas medianos, como Tess, Piratas e Lua de Fel.
Sua redenção artística viria em 2002, ao revisitar sua juventude sofrida nos guetos da Varsóvia no belo O Pianista. Ao contar a trajetória real do pianista Wladyslaw Szpilman e suas tentativas de sobrevivência, Polanski exorcizou este fantasma e recebeu de público e crítica uma aclamação em uníssono. Dentre os muitos prêmios que recebeu, vale destacar o Oscar de melhor direção e a Palma de Ouro em Cannes.

O ápice de sua carreira parecia estar em sua frente quando foi chamado para receber uma homenagem no prestigiado Festival de cinema de Zurique, porém o destino lhe pregou mais uma peça.
Para um homem que sobreviveu às perseguições dos nazistas e tragédias pessoais imensuráveis, resta a esperança de que ele irá conseguir, agora no fim de sua vida, superar estes obstáculos e encontrar seu tão sonhado repouso.

7 Comentários:

luis vaz disse...

Adorei a retrospectiva! Digna da qualidade do cinema do Polanski!
Parabéns ao Vertigo pela matéria!

danilo disse...

Roman Polanski sofreu o pão que o diabo amassou, mas graças ao seu talento, conseguiu entrar pra história do cinema. Esse foi o primeiro texto que li sobre ele que não tomou nenhuma posição, agiu com ética jornalística. Parabéns ao Octávio pelo trabalho de pesquisa.

dudu moraes disse...

Mais uma vez, arrebentou no texto, Otávio! Especialmente o início e o fim, perfeito!
Eu considero o bebê de Rosemary o melhor filme de terror de toda a história do cinema. Polanski é um ótimo diretor!!

miguel rodrigues disse...

Octávio,parabéms pelo texto sobre o grande:Roman Polanski,eu acho uma besteira querer prende-lo depois de mais de 30 anos,um crime já prescrito!
Miguel

waldiney disse...

O que posso dizer deste texto maravilhoso, que já não tenha sido dito?
Sinceramente, nem sou muito fã do Polanski, acho que só vi o bebê de Rosemary e faz muito tempo. Mas após ler esta coluna, despertou em mim uma vontade de conhecer melhor o trabalho desse cara.
Otávio, você tem futuro!
O blog todo está de parabéns!!

miguel disse...

Eita! Já tinha te elogiado no texto do Herbert, mas não tinha lido este. Sou fã do Polanski! Depois de ler tantas matérias destruindo ele, é muito bom ver que no Vertigo, vocês são profissionais de verdade!
Parabéns ao blog...que de blog não tem nada....tá melhor que muita revista especializada por aí!

Andréa disse...

Eita! Mas é uma saraivada atrás da outra! Polanski é gênio e ponto!Segue uma sugestão: Fazer mais especiais como esse, sobre diretores importantes, como Hitchcok, Spielberg entre outros.

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