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30 de set de 2009

VERTIGO POP ESTREIA: HERBERT DE PERTO

HERBERT POR HERBERT
Documentário Hebert de Perto capta com maestria o talento e a capacidade de superação de Herbert Vianna




Vivemos em uma época ingrata para a música mundial, com ídolos feitos de barro e seus sucessos instantâneos com prazo de validade curto. A função do público mudou, não mais aplaudem com admiração seus talentosos ídolos, mas vêem-se aptos a realizar o mesmo tipo de trabalho e melhor. Todos querem ser astros, pois são o reflexo de uma sociedade de consumo rápido, onde os artistas estão se preparando menos, proliferam os “rebeldes de butique”, os artistas que são muito mais imagens que qualidade real, natural.
Herbert Vianna vêm de uma origem diferente, assim como muitos de sua época. Pessoas que utilizavam a música como forma maior de expressão, buscando o sucesso pessoal, vendo em cada falha uma forma de progredir.
Histórias como a de Herbert merecem ser contadas e os diretores Roberto Berliner e Pedro Bronz assumiram a tarefa de mostrar a trajetória de um homem que assim como os melhores astros, sofreu perdas imensas e continuou lutando, pois a matéria que forma os verdadeiros e perenes ídolos é o caráter.
O documentário mostra a formação da banda Paralamas do Sucesso na conturbada década de 80, fala também do trágico acidente que mudou o rumo de sua vida, porém sem a busca incessante de lágrimas do público, elas brotam naturalmente. O filme mostra também os bastidores da gravação do cd “Hoje”, de 2005, mostrando que Herbert continua sendo o que sempre foi: Um exímio guitarrista. Ele consegue exprimir tudo em seus acordes, inclusive quando fala da perda de sua amada Lucy.
O longa é permeado de depoimentos dos companheiros de banda e irmãos espirituais Bi Ribeiro e João Barone, assim como de Dado Villa Lobos e Gilberto Gil, entre outros. Nesses momentos se nota os laços reais de amizade entre eles, que mantiveram Herbert trabalhando, exercitando seu dom e dando uma aula moral em muitas bandas, onde após o sucesso, o vocalista simplesmente larga-os e faz carreira solo....Herbert, Bi e Barone são um exemplo de ética e profissionalismo. Juntos mostram ser muito mais que a soma de suas partes.

É realmente incrível testemunhar a recuperação de Herbert após o acidente, sentir que a dor constante que ele sente não o faz render-se ao papel de vítima, o caminho mais fácil e utilizado. Numa época onde uma Amy Whinehouse consegue brilhar com sua “loucura” fabricada, torna-se muito prazeroso assistir um homem que teria todo o direito de desistir de tudo, mas que olha pra câmera, sorri, vira-se para seus amigos de banda e pede mais um take.
Herbert de Perto é um documentário não só para os fãs, mas para todos que estão sem esperanças em si mesmos, com o mundo e que sairão do cinema, com certeza, sentindo-se melhor do que quando entraram. Obrigatório!




10 Comentários:

dudu moraes disse...

Nesse você se superou, Octávio! Você disse coisas que estão engasgadas na garganta de muita gente. Adorei as comparações com os artistas que vão fazer carreiras-solo e a Amy, que de louca, só tem o que seus acessores armaram pra ela ter.
Texto completo, perfeito!
Parabéns mais uma vez!

leo R. disse...

Amigo, você devia ser roteirista de cinema.....seus textos tem introdução, suspense, clímax...sensacional!
Eu sou muito fã do Herbert Vianna, acho ele um guerreiro e esta crítica, tenho certeza, emocionará muito os fãs.

talita disse...

Adorei as suas palavras! Como o amigo de cima já falou...você falou o que está engasgado na garganta de muita gente!
Mandou bem demais! O filme deve ser lindo...também com essa história do Herbert, só podia ser assim.

miguel disse...

Dá vontade de imprimir esse texto e colocar numa moldura em todas as paredes das produtoras musicais. Condensa em um pequeno espaço tudo que vêm destruindo o mercado musical nas últimas décadas (e não os piratas, como dizem ser a razão). A falta de profissionalismo e ética estão fazendo os ídolos verdadeiros sumirem.
Eu sou de uma época em que os cantores sabiam cantar, onde os grupos musicais vestiam-se com roupas especiais, não iam fazer show de bermuda e chinelo de dedo. Essa tal de Amy Whinehouse é um reflexo de como os jovens estão alienados...Octávio, BRAVO!!

marina disse...

Parabéns ao blog pelo texto maravilhoso!! Quero muito ver este documentário!!!

aramis santana disse...

O povo que elogiou está com a razão! Já ia quase saindo da página do blog, quando decido dar mais uma olhada e encontro esta pérola! Cara, você falou tudo que muita gente está louca pra falar, mas que nunca disseram! Seu texto deveria vir na contracapa do dvd deste documentário!
Parabéns pelo excelente trabalho que eu já pude ler em alguns textos seus!
O Vertigo Pop está de parabéns por sua equipe!

Andréa disse...

Me emocionei de verdade! Tenho um caso na família parecido, e quem já passou por esse tipo de tragédia sabe como é importante o apoio dos amigos e família. Linda a maneira como você expressou isso!
E os paralelos com artistas atuais é surpreendentemente verdadeiro e corajoso!
Um dos seus melhores textos!!

Adriana disse...

Eu não tenho muita paciência para deixar comentários, mas leio tudo! Mas alguns eu não consigo deixar de elogiar. Este texto é, como todos aqui já disseram, uma pérola jornalística. Dá um tapa poderoso com luva de pelica em tudo que vem desgraçando o cenário da música moderna, usando como subterfúgio o tema do filme sobre o Herbert. Eu, que nem curto tanto assim os Paralamas, li o texto 2 vezes! Parabéns dessa vez é pouco Octavio...você falou tudo e mais um pouco!

Wladimir disse...

Texto "redondinho" !!!!
A cada dia que passa vc se supera,cara.Nunca postei comentários mas hoje quero te mandar os parabéns e te desejar muito sucesso.Tu vai longe !! Abraços.

ricardo disse...

Soberbo, magnífico e verdadeiro texto. Se o documentário for 1/3 do que esse texto é...parabéns Otávio!

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