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22 de abr de 2010

ESPECIAL VERTIGO POP 2 ANOS: DOSSIÊ TIM BURTON


Cineasta de estilo único, Tim Burton coleciona obras-primas que dividem opiniões

Por Octavio Caruso

Tim Burton é um caso raro em Hollywood. Um homem que dança em seu próprio ritmo, criando o terreno fértil por onde suas idéias possam caminhar sem amarras, livre de convenções e precauções típicas dos produtores da fábrica dos sonhos.

Quando jovem possuía poucos amigos, era tímido e passava a maior parte de seu tempo assistindo a filmes de terror de baixo orçamento, como os dirigidos por Ed Wood (o qual iria homenagear posteriormente) e lendo as obras sombrias de Edgar Allan Poe. Enquanto os outros jovens tinham como ídolos os astros do rock, o herói de Burton era o ator Vincent Price, símbolo maior do cinema de terror da época, que viria a participar de sua obra prima: “Edward, Mãos de Tesoura”, décadas mais tarde.

Após ganhar uma bolsa de estudos da Disney, foi contratado como animador em seus estúdios. Seu primeiro curta “Vincent” homenageava seu ídolo, enquanto “Frankenweenie”, seu segundo trabalho, lidava com um tema bastante soturno, um jovem que após a morte de seu cão, tenta ressuscitá-lo.

Aparando as arestas criativas, com o suporte tecnológico dos estúdios Disney, Burton conseguiu alcançar equilíbrio entre o gótico e o humor em sua primeira obra prima, ainda na animação: “O Estranho Mundo de Jack”.

Seguiram-se vários convites, inclusive a direção de um episódio da lendária série de TV: “Alfred Hitchcock Presents”. No ano seguinte entregaria o deliciosamente divertido “Os Fantasmas se Divertem” (Bettlejuice – 1988), iniciando sua parceria com o ator e amigo Michael Keaton.

O enorme sucesso popular da obra despertou o interesse dos produtores da Warner, que o convidaram para capitanear a mega produção “Batman”. Pela primeira vez lhe era dado uma verba considerável e um mundo pleno em possibilidades para que ele deixasse fluir sua vocação para o macabro. Com a ajuda de um inspiradíssimo Jack Nicholson como o vilão Coringa, o filme rendeu incríveis somas nas bilheterias, o que garantiu o seu posto na continuação.

Se no primeiro filme, suas idéias expressionistas haviam sido levemente tolhidas pelos produtores, mais interessados nas vendas de “McLanches Felizes”, em “Batman – O Retorno”, Burton desfilou toda sorte de bizarrices, levando os profissionais da Warner ao desespero pela quantidade de cartas recebidas de mães indignadas e preocupadas com o líquido escuro que saía da boca do Pingüim.

Em “Edward, Mãos de Tesoura”, “Peixe Grande” e “Ed Wood”, Tim Burton conseguiu dar vazão a sua criatividade, sem esquecer o lado emocional e lírico. Havia espaço para seus cenários e figurinos advindos do expressionismo alemão, mas eles se relacionavam em pé de igualdade com a inocência e a poesia.

Em suas últimas produções, o diretor parece ter perdido a mágica que ligava esses elementos como uma sinfonia. Os filmes se amparam quase que totalmente nos esforços de seus protagonistas (em especial seu parceiro Johnny Depp) e na criatividade de suas alegorias, esperemos que com seu novo projeto “Alice no País das Maravilhas”, ele consiga novamente resgatar aquele menino sonhador que devorava avidamente a literatura de Edgar Allan Poe e se via contracenando com Vincent Price.





4 Comentários:

Beth disse...

Nossa ! Vc me lembrou um filme que gostei muito : Peixe grande...
Essa "escuridão" do Burton eu não costumo gostar mas gostei desta tua "luz" sôbre a vida dele!
Super interessante.
Amei Edward mãos de tesoura...
Não vou ver Alice pois nunca gostei dessa história.Sempre achei Alice uma garota muito "doida" com personagens mais "doidões" ainda!Parece história de drogados! rsrsrs
Tudo muito sem nexo!
Parabéns pelo texto e pelos 2 anos do Blog!

Anônimo disse...

Ótimo especial! Gostei da maneira que falou sobre Tim Burton.

@Raspante disse...

Cara amei esse especial do Burton, muito bem feito e pesquisado !
Eu sou meio suspeito para falar já que amo os filmes de Burton, todos são bons !
E cara mudei de endereço : http://cinemapublico.blogspot.com/
Já adc seu link lá !
Abs.

Francisco Duarte disse...

Que texto bem escrito!! Dá gosto de ler!
Tim Burton merece esse reconhecimento. Irei ver Alice essa semana, tomara que tenha ficado bom.

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