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2 de out de 2010

CRÍTICA: COMER, REZAR, AMAR

Apesar de um pouco longo, filme protagonizado por Julia Roberts e Javier Barden tem bons momentos

Por André Moreira


Se há uma certeza em Comer,Rezar, Amar (Eat, Pray, Love), a adaptação imperfeita ainda lindamente reproduzidas para a telagrande das memórias de Elizabeth Gilbert em um ano de dor e cura, estrelado por Julia Roberts  é esta: Haverá lágrimas.

Lágrimas de felicidade, de tristeza, alívio, choro angustiante, na verdade praticamente qualquer variação imaginável. Portanto, há necessidade de preparar o lenço de papel para acompanhar as desventuras de Roberts, Javier Bardem, Billy Crudup, Viola Davis, Richard Jenkins em um longa demasiadamente longo, que apesar disso não compromete o filme como um todo. Talvez uma redução em sua metragem o fizesse de fato mais enxuto, por assim dizer.

O filme tal qual o livro é extremamente emocional e assim como o livro acabou por ser um veículo perfeito para Gilbert trabalhar todo tipo de altos e baixos emocionais. O longa cria um espaço e um lugar para dar a Julia Roberts mostrar em sua boa interpretação uma onda de sentimentos e dessa forma ela consegue passar para o espectador todo o manancial de ressentimento, culpa, arrependimento , perdão, alegria e esperança de mudar sua vida proposto pela personagem.

Em Ryan Murphy (diretor do longa), ela parece encontrar o diretor perfeito. Ele fez  carreira ao trabalhar personagens com conflitos pessoais, com problemas de relacionamento e auto-estima de forma brilhante, principalmente na TV com "Nip / Tuck" e "Glee". E sim, eu sei que o cinema e a televisão são meios muito diferentes, mas esse não é o problema aqui. Murphy torce todos os seus atores de forma emocionalmente seca, expondo a vulnerabilidade de cada um. Tudo, claro, bem emoldurado com belas, para não dizer, lindas locações como Itália e Índia. Tudo a cargo de Robert Richardson (vencedor do Oscar por "O Aviador" e "JFK").

Mas nem tudo é perfeição. Comer, Rezar, Amar nunca iria ser uma adaptação fácil, dado a complexidade emocional da história criada por Gilbert, apesar de Murphy e sua parceira roteirista Jennifer Salt se saírem bem na maior parte da história. É exatamente na Itália, onde se passa boa parte da trama, que o filme se perde e nada acrescenta a não ligarde forma coesa e sim superficial a história da personagem com a de seus coadjuvantes italianos. A escolha pela narração feita em off pela personagem de Julia parece servir de distração nesses momentos de tédio e sem o bom desenvolvimento do filme. No mais, como na parte indiana principalmente, o filme segue sua proposta emocional e de busca, assim como em sua parte final na Indonésia. E Barden, que custa a surgir na tela, cumpre a risca seu papel, preenchendo e complementando a personagem de Roberts com seu talento. E para nós brasileiros o charme a mais fica com a trilha brasileira bossa-novista que embala o encontro do casal. Melhor impossível.

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