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15 de nov de 2010

CRÍTICA: MACHETE


Por André Moreira

Filme de Robert Rodriguez que teve sua origem através de um falso trailer inserido em GrindHouse (parceria dele e Quentin Tarantino de 2007), Machete fez tanto sucesso que ganhou uma versão ampliada e comentadíssima no último Festival do Rio. Com o nada galã Danny Trejo (Um Drink no Inferno) comandando a sessão ampliada desse Mexploitation, Rodriguez retorna com força a um terreno que somente ele e Tarantino sabem explorar nos dias de hoje e que teve seu auge nos anos 70.
A sinopse do filme é clara com o gênero. Após Machete se envolver com um traficante de drogas (Steven Seagal), ele aceita uma oferta para cometer um assassinato. O Dr. Benz (Jeff Fahey) contrata o assassino para matar um senador corrupto (Robert De Niro).
Para a missão, o anti-herói conta com a ajuda de Luz (Robert Rodriguez), Padre (Chech Marin) e April (Lindsay Lohan), uma socialite que possui habilidade com armas. Enquanto se prepara, ele é perseguido pela agente Sartana (Jessica Alba).
O forte de Machete está principalmente em sua abertura cartática e sanguinária bem ao estilo do gênero, o que confere ao longa a identificação imediata com seu público, que embarga sem hesitação ao que Rodriguez propõe na tela: diversão absoluta (mas com doses clara de críticas a políticas de imigração). E Machete consegue, mesmo caindo em ritmo ao longo da película por desviar a atenção de seu protagonista para seus coadjuvantes. Sendo ele a figura central, nada mais correto do que focar mais a história no próprio, mesmo com coadjuvantes do calibre de Robert DeNiro (que sob a batuta de Robert Rodrigues faz uma hilária referência a Taxi Driver), Jessica Alba, Michele Rodriguez e Steve Segal (que surpreendentemente eficaz como o vilão, e seu confronto final com Trejo é tanto bem encenado, como engraçado.
Outro charme do filme é a presença da hoje problemática Lindsay Lohan que irônica e propositalmente (obra de Rodriguez) emula sua própria persona e aqui se encaixa perfeitamente. Machete consegue também ressuscitar um ícone dos anos 80. Don Johnson, que vive um dos pérfidos e cômicos capangas de DeNiro, está à vontade no papel e se souber aproveitar essa nova chance pode retornar a seus dias de glória da época do seriado Miami Vice. Rodriguez como Tarantino gosta de dar chance a atores esquecidos por Hollywood e subverter sua imagem, extraindo o impensável do ator. E ambos fazem isso muito bem.
Mesmo com toda sua carnificina, mulheres esculturais e diálogos e referências pop, Machete ainda consegue falar sério sobre a questão da imigração de latinos para terras americanas e a opressão que sofrem. Talvez aí esteja se ponto alto de fato. Uma crítica com tons pop.

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