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14 de jul de 2008

UM MERGULHO NAS TREVAS DE GOTHAM

Com muita ousadia, Christopher Nolan leva para as telas Batman- O Cavaleiro das Trevas, a melhor aventura do homem-morcego





Por Octavio Caruso

Não apenas uma adaptação de um personagem dos quadrinhos, mas um épico de ação com estilo próprio. Realmente o diretor Christopher Nolan definiu e redefiniu Batman de vez para o cinema. Seu Batman – O Cavaleiro das Trevas prende a atenção do espectador do início ao fim, com ação e diálogos na medida certa.




O ritmo é ditado pelos atos do cruel e inconseqüente Coringa de Heath Ledger, porém ele é apenas um “MacGuffin” (expressão criada por Hitchcock, designa uma peça que motiva os personagens e o desenrolar da história, mas que não é seu ponto principal) na trama. O foco do roteiro assinado por Nolan e seu irmão Jonathan está na relação entre o símbolo Batman , o que ele representa para a população e a ascenção do promotor público Harvey Dent de Aaron Eckhart, um homem que é considerado um herói sem capa e máscara.
A certo ponto o filme questiona o real valor do altruísmo, sem que para isso o tom se torne bobo ou forçado. A mensagem é passada da maneira mais profunda, sempre respeitando (por vezes até superestimando) a inteligência do espectador.



Quanto às atuações, ao longo de O Cavaleiro das Trevas temos a chance de assistir equilibradas performances de todo o elenco.
Christian Bale não se apaga perante os seus colegas (como foi o caso com Michael Keaton no filme de 1989) e entrega um Bruce Wayne correto, que fala muito mais com o olhar. Já como Batman, graças aos melhores ângulos de câmera, suas lutas agora são mais visíveis que em Batman Begins.
A parte mais triste é sabermos que Heath Ledger não terá a chance de receber os louros por sua performance magistral. Ele destila durante todo o filme uma insanidade tão próxima do maligno, que deixaria o personagem Jack Torrance (Jack Nicholson de O Iluminado) com medo.



O elenco de apoio constrói um alicerce sólido, com destaque para a sobriedade genial de Michael Caine como Alfred e Gary Oldman, um ator tão bom que consegue “diminuir sua luz” para que os que contracenam com ele possam brilhar. Seu Jim Gordon é um homem da lei tão comprometido com a verdade, que nos dias de hoje torna-se tão crível quanto um homem vestido de morcego.
Levando-se em consideração que o subgênero “Adaptações dos quadrinhos” tornou-se um filão lucrável para os produtores da sétima-arte, o público tem recebido uma superexposição de heróis nos últimos anos.


Diretores de qualidade comprovada se juntaram a outros menos expressivos. Bryan Singer e Sam Raimi revitalizaram os X-Men e o Homem-Aranha respectivamente. Ambos os filmes foram sucessos de público e crítica, mas é inegável que os roteiros de ambos foram construídos para saciar uma audiência jovem e sem muita cultura cinematográfica. Os mais criteriosos preferiram as continuações da equipe dos mutantes e do herói aracnídeo. É para este público que Nolan criou sua visão pessoal do mito Batman.




Em Batman Begins , a equipe criativa fez o que Bryan Singer não conseguiu com seu Superman Returns, atualizar um mito universal com maturidade e respeito na medida certa. Nolan teve as mesmas intenções de Ang Lee em seu Hulk , mas não se rendeu às pressões do estúdio. Enquanto o Hulk de Lee teve vida curta e já foi re-atualizado (para pior, devo salientar), a idéia de Christopher Nolan chega a seu ápice criativo nesta segunda incursão.
O caso mais recente de um bom filme adaptado dos quadrinhos é o Homem de Ferro de Jon Favreau. Honesto aos ideais dos quadrinhos e correto em sua intenção, o herói da Marvel “abriu uma porta” para o futuro das adaptações cinematográficas.


Enquanto Robert Downey Jr. abria a porta, o Batman/Bruce Wayne de Christian Bale “arrebenta a parede” e segue caminho rumo a algumas possíveis e merecidas indicações aos grandes prêmios da academia. Heath Ledger como ator coadjuvante é quase uma “obrigação cívil”. Arrisco até uma indicação para a direção de Christopher Nolan, que já vem merecendo desde Amnésia (Memento).


O Cavaleiro das Trevas é o filme que os fãs do homem-morcego criaram em seus sonhos, uma visão adulta e consciente sobre a importância de se crer em algo, a dualidade de nossas decisões e aceitarmos as responsabilidades pelas mesmas.
De forma geral o filme surpreende até o mais descrente dos cinéfilos. É entretenimento de alto nível que faz pensar entre uma pipoca e outra.
Os méritos são todos de Christopher Nolan, que mostra ser possível aliar ação com questionamentos profundos da alma humana. Imagine um filme de Bergman ou Antonioni, insira uma meia dúzia de cenas de ação bem orquestradas e terá uma idéia da mensagem que Nolan quis nos passar com Batman - O Cavaleiro das Trevas.
NOTA : 10 \ 10

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