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CINEMA BRASILEIRO NO CAMINHO DAS PEDRAS

Depois da retomada anos atrás, o cinema brasileiro mostra que ainda tem muito caminho para percorrer


Por Octavio Caruso

O mundo do cinema é permeado de vislumbres apocalípticos e promessas de salvação. O elo entre estes dois fatores é a esperança. Será viável acreditar-se em um futuro no qual os filmes brasileiros ocupem o mesmo espaço de um projeto norte-americano? Mais que isso, seria possível chegar-se a este destino mantendo um nível de qualidade apropriado aos espectadores mais exigentes?
Fazendo um pequeno retrospecto histórico , o nosso cinema vem galgando um caminho de pedras desde seu início. Sucessos de público que frustravam o conceito de inteligência de quem os assistia ou sucessos de crítica que sequer eram notados pelo povão. A necessidade de se combinar estes dois “pólos” em um projeto coeso e inteligente era de extrema importância.
Isto aconteceu quando Anselmo Duarte ganhou a merecida Palma de Ouro em Cannes (a única vencida até hoje por um filme brasileiro) por “O pagador de Promessas” em 1962 . Toda a equipe de produção do filme foi recebida com um desfile público em carro aberto ao desembarcar no país. Pergunte hoje a um brasileiro se ele sabe disso...A memória do povo “verde e amarelo” é fraca e retém muito pouca qualidade.




Em 1964 , um cineasta sem formação acadêmica revolucionou o nosso cinema e criou o primeiro grande personagem original da tela grande: O Zé do Caixão. José Mojica Marins ganhou fãs e é homenageado em vários festivais de cinema fantástico pelo mundo afora. Mas no país da inveja, onde o sucesso popular é dogmaticamente visto de maneira pejorativa, o público que, na maioria das vezes, nunca assistiu a um de seus filmes, trata-o com desrespeito.
Outros diretores conseguiram se sobressair , como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, porém suas carreiras não refletem o potencial total ao qual podemos chegar. Suas pretensões eram gigantescas, porém mal realizadas.
Após a década de sessenta, o caminho de pedras foi se tornando mais árduo e penoso. Os poucos sucessos dos anos setenta na nossa sétima-arte tratavam apenas de temas provocativos, grosseiros e de muito pouca qualidade criativa e estética. Pareciam filmes feitos para agradar a parcela “virgem- adolescente-acéfala” da população. E não venham me dizer que era falta de verba ou incentivo, pois Chaplin já havia provado ao mundo décadas antes que pode-se realizar obras-primas sem dinheiro e sem abrir a boca!



Um grande abismo negro então se formou.... durante muitos anos não houve sequer um filme no circuito comercial que merecesse ser visto. Assim como nas histórias míticas, o nosso cinema caiu no esquecimento só para se reerguer alguns anos depois.
Nos últimos anos o cinema brasileiro alcançou seu ápice com jovens e ousados diretores. Filmes como : Central do Brasil, Cidade de Deus e Dois Filhos de Francisco mostraram que é possível coincidir roteiros de qualidade e um povo, em sua maioria, humilde e subestimado por seus governantes.





Esta relação de amor entre a população e o cinema tornou-se “tórrida” com o magistral sucesso popular do filme Tropa de Elite. O clássico instantâneo de José Padilha foi formado por um amálgama de várias influências, juntou o ritmo ágil e edição fragmentada dos melhores filmes policiais americanos com um humor explícitamente “verde e amarelo”.



No final desta década podemos dizer que já há espaço e público para o nosso cinema, ainda que existam aqueles que continuam a envergonhar a nação cinéfila com seus, por vezes, horrendos projetos mal concebidos e péssimamente realizados. Artistas medíocres que poluem este ambiente lírico e eterno, já povoado por gênios. A diferença é que agora, o público tem a chance de escolher qual caminho quer seguir... É chegada a hora do povo brasileiro que gosta de cinema mostrar que é inteligente e anseia por muito mais que um bom filme.
Diferente das histórias míticas, o nosso cinema ainda não alcançou a redenção total ... mas pela primeira vez, é possível vislumbrar-se uma luz no fim deste “caminho de pedras”.

17 comentários

adriana disse...

Concordo plenamente!!! Odeio esse discurso de que os filmes nacionais são(ou eram) ruins por falta de verba e incentivo. Cinema bom é feito com boas idéias!! E sempre haverá público para as boas idéias.
O blog está de parabéns!!!

Cristina Fatti disse...

A trajetória do cinema nacional sempre foi de altos e baixos.Mas de 10 anos para cá,realmente,parece que começaram a acertar deixando de lado os diálogos bobos,a nudez desnecessária,atuação inexpressiva das "ninfetas da hora" e passaram a investir em ótimos roteiros,atores e diretores.Então,capacidade nós temos !
Parabéns ao Blog por ser mais um veículo para podermos ver e comentar sôbre esta grande Arte que ,após Tropa de Elite,tem tudo para entrar na "elite" do cinema mundial...

Anônimo disse...

Eu acredito no cinema brasileiro, gosto de ver rostos como os nossos na telona, de ouvir em meu idioma uma história com a qual me identifico imediatamente...E isso tem acontecido mesmo de uns anos prá cá. Pornochanchada, tô fora! Andrucha, tô dentro! Mas não há cristo (ou anti-cristo...)que me faça assistir zédocaixão!!!

Anônimo disse...

tenho gostado de alguns filmes nacionais recentes, mas ainda há uns aí que vou te contar...

Anônimo disse...

"Eu te amo" do Jabor foi um marco. Antes dele e depois da Atlântida e Cinédia, um monte de lixo que é melhor deixar no limbo.
Agora tem uns diretores muito bons, e vários filmes ótimos além de Tropa de Elite. Este é só UM deles. Acredito que descobriram o caminho das pedras, para o deleite dos espectadores.

Anônimo disse...

Nem Boris Karloff nem Zé do Caixão nem Vincent Price! Gostei de Amarelo Manga, Casa de Areia, aquele do mordomo dos Moreira Salles, além desses mais recentes sucessos de bilheteria. Mas curto mesmo é cinema americano, sinto muito.

Anônimo disse...

Concordo que o cinema nacional passou por várias fases críticas mas,agora,parece que vai engrenar.
As produções são muito mais cuidadosas em todos os aspectos.
Acredito que já estão tirando as "pedras" do seu caminho...Ainda bem !

Paulão disse...

Orra ,meu !!!
Tu acertou na mosca !!!
Se eles tiveram idéia pra fazer Casas de Areia,os filhos do Francisco,Bossa Nova,Cidade de Deus,Tropa de Elite,Carandirú...Eles SABEM das coisas !!!Tem é que investir pesado na qualidade !!!É isso aí,meu...

Juracy disse...

Pô.Tô gostando desse blog...De vez em quando entro prá ver as novidades.Dos filmes às novelas e fofocas da TV...É bem sortido!!!rsrsrs.Valeu.

Anônimo disse...

naum curto nem curta nacional pq gosto de legenda

Rubinho disse...

Não gosto do cinema nacional...Esses caras pensam que somos burros...Tirando uns 3 ou 4 de qualidade duvidosa , o resto é uma porcaria...Aqueles,então ,que ninguém fala quase nada e ficam mostrando as partes sujas das cidades...ERRHHG!!!A gente quer é diversão !!!Coisas que fazem pensar !!!
Ainda tá longe disso...Ainda tem muita pedra no caminho!!!

A.dos L.C. disse...

VIVA O CINEMA........Estrangeiro !!!
Tem Wood Allen aqui ? Não ?então ...Tô fora !!!

Juracy disse...

Ah.Esqueci...Acho que esse cara tá certo.Ainda tem algumas pedras no caminho do cinema nacional .Mas,ultimamente,até que alguns filmes estão show de bola!!

talita disse...

cinema brasileiro é uma caixinha de surpresas, mas ultimamente temos recebido bons filmes. A indústria nacional,com relação a qualidade, ainda é a mais fraca de todo o mercado de cinema mundial, mas isso pode mudar!
Esse blog é D+!!!!!

Anônimo disse...

Li os comentários e vi que ninguém lembrou do Daniel Filho, que é um homem de cinema por excelência, um cara que sabe das coisas.
Concordo parcialmente com a crítica pq eu levo a maior fé no nosso cinema. Acho o cinemão americano um porre, muito superficial. Nos últimos anos só me apaixonei mesmo por Beleza Americana, um filmaço!

Anônimo disse...

Concordo com a crítica, e discordo da Adriana. Eu queria ver o Spilberg fazer os filmes que faz, sem verba...

roberto disse...

Spielberg começou sua carreira dirigindo um espetacular filme chamado: Encurralado. Ele não tinha verba nenhuma!!!! Mesmo assim o filme é uma pequena obra-prima do cinema. E ele também fez filmes fracos e com MUITA verba, como aquele do Capitão Gancho e Peter Pan. Acho que o Otávio está com toda razão! O que importa são as idéias!!!!