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7 de ago de 2008

CINEMA BRASILEIRO NO CAMINHO DAS PEDRAS

Depois da retomada anos atrás, o cinema brasileiro mostra que ainda tem muito caminho para percorrer


Por Octavio Caruso

O mundo do cinema é permeado de vislumbres apocalípticos e promessas de salvação. O elo entre estes dois fatores é a esperança. Será viável acreditar-se em um futuro no qual os filmes brasileiros ocupem o mesmo espaço de um projeto norte-americano? Mais que isso, seria possível chegar-se a este destino mantendo um nível de qualidade apropriado aos espectadores mais exigentes?
Fazendo um pequeno retrospecto histórico , o nosso cinema vem galgando um caminho de pedras desde seu início. Sucessos de público que frustravam o conceito de inteligência de quem os assistia ou sucessos de crítica que sequer eram notados pelo povão. A necessidade de se combinar estes dois “pólos” em um projeto coeso e inteligente era de extrema importância.
Isto aconteceu quando Anselmo Duarte ganhou a merecida Palma de Ouro em Cannes (a única vencida até hoje por um filme brasileiro) por “O pagador de Promessas” em 1962 . Toda a equipe de produção do filme foi recebida com um desfile público em carro aberto ao desembarcar no país. Pergunte hoje a um brasileiro se ele sabe disso...A memória do povo “verde e amarelo” é fraca e retém muito pouca qualidade.




Em 1964 , um cineasta sem formação acadêmica revolucionou o nosso cinema e criou o primeiro grande personagem original da tela grande: O Zé do Caixão. José Mojica Marins ganhou fãs e é homenageado em vários festivais de cinema fantástico pelo mundo afora. Mas no país da inveja, onde o sucesso popular é dogmaticamente visto de maneira pejorativa, o público que, na maioria das vezes, nunca assistiu a um de seus filmes, trata-o com desrespeito.
Outros diretores conseguiram se sobressair , como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, porém suas carreiras não refletem o potencial total ao qual podemos chegar. Suas pretensões eram gigantescas, porém mal realizadas.
Após a década de sessenta, o caminho de pedras foi se tornando mais árduo e penoso. Os poucos sucessos dos anos setenta na nossa sétima-arte tratavam apenas de temas provocativos, grosseiros e de muito pouca qualidade criativa e estética. Pareciam filmes feitos para agradar a parcela “virgem- adolescente-acéfala” da população. E não venham me dizer que era falta de verba ou incentivo, pois Chaplin já havia provado ao mundo décadas antes que pode-se realizar obras-primas sem dinheiro e sem abrir a boca!



Um grande abismo negro então se formou.... durante muitos anos não houve sequer um filme no circuito comercial que merecesse ser visto. Assim como nas histórias míticas, o nosso cinema caiu no esquecimento só para se reerguer alguns anos depois.
Nos últimos anos o cinema brasileiro alcançou seu ápice com jovens e ousados diretores. Filmes como : Central do Brasil, Cidade de Deus e Dois Filhos de Francisco mostraram que é possível coincidir roteiros de qualidade e um povo, em sua maioria, humilde e subestimado por seus governantes.





Esta relação de amor entre a população e o cinema tornou-se “tórrida” com o magistral sucesso popular do filme Tropa de Elite. O clássico instantâneo de José Padilha foi formado por um amálgama de várias influências, juntou o ritmo ágil e edição fragmentada dos melhores filmes policiais americanos com um humor explícitamente “verde e amarelo”.



No final desta década podemos dizer que já há espaço e público para o nosso cinema, ainda que existam aqueles que continuam a envergonhar a nação cinéfila com seus, por vezes, horrendos projetos mal concebidos e péssimamente realizados. Artistas medíocres que poluem este ambiente lírico e eterno, já povoado por gênios. A diferença é que agora, o público tem a chance de escolher qual caminho quer seguir... É chegada a hora do povo brasileiro que gosta de cinema mostrar que é inteligente e anseia por muito mais que um bom filme.
Diferente das histórias míticas, o nosso cinema ainda não alcançou a redenção total ... mas pela primeira vez, é possível vislumbrar-se uma luz no fim deste “caminho de pedras”.

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