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1 de ago de 2008

LONGE DE SER A FAVORITA

Por André Moreira


Quando João Emanuel Carneiro fez sua bem sucedida estréia com autor titular escrevendo a novela Da Cor do Pecado, ele era na época uma surpresa e também uma aposta da Rede Globo para a renovação de casting de autores, até então capitaneado durantes anos por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez, Manoel Carlos e Silvio de Abreu.
Da Cor do Pecado não só trouxe novos ares e audiência para o cansado horário da sete, como uma trama de ritmo leve, ágil e com todos os elementos de um tradicional folhetim para um público que parecia ter um gosto hermeticamente fechado e não aceitava muitas novidades. A pitada de ousadia ficou por conta de uma protagonista negra (Tais Araújo) que se relacionava com um rapaz de classe média alta (Reinaldo Giannechinni), além do toque de história em quadrinhos representado no núcleo da familia Sardinha, liderada pela sempre ótima Rosi Campos. O resultado dessa mistura foi um ibope de horário nobre que a muito não se via nessa faixa de horário. A receita se repetiu tempos depois com Cobras e Lagartos, onde João Emanuel mostrou todo seu texto cômico e crítico através de personagens engraçados e reviravoltas hilárias na trama . E dessa vez quem roubou a cena foi Lázaro Ramos com seu Foguinho, que virou mania e um novo sinônimo de malandragem. Ponto para o autor, que depois de mais um sucesso, foi catapultado para o time de autores do horário nobre.
Com dois folhetins de sucesso no curriculum a torcida da emissora era de que isso se repetisse com a sua atual obra A Favorita. Mas por enquanto não foi o que aconteceu.

A trama patinou no ibope com números abaixo dos 40 pontos (embora tenha entrado nos trilhos nas últimas semanas) logo no início, teve que combater a investida da Record com seus estranhos Mutantes e um público que ainda parece demorar a absorver uma nova trama logo após o fim de uma outra. Mas o problema talvez não esteja por aí. Todas as tramas anteriores a A Favorita passaram por esses problemas e semanas após a estréia recuperaram e mantiveram o bom ibope até o final. Foi o caso de Paraíso Tropical, que só "pegou" várias semanas depois de sua estréia e colocou Camila Pitanga no patamar de musa da vez com sua inesquecível Bebel.



Mas a história das amigas que se tornaram inimigas (Claudia Raia e Patricia Pillar) e disputam o amor da filha de uma delas (Mariana Ximenes) ainda não caiu no gosto do grande público. Não se enxerga o humor de Carneiro nessa nova história, a exemplo das anteriores Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos. Falta um núcleo cômico forte (o famoso alívio cômico), mais tramas paralelas que desafoguem a trama principal, personagens que o público se identifiquem, mais populares. Outro ponto que não funcionou: Claudia Raia parece não estar a vontade como mãe de Mariana Ximenes. A atriz não encontrou o tom para sua personagem. Vamos ver daqui para frente com sua Donatela passando por fortes reviravoltas. Mariana Ximenes agora mostra a que veio, apesar de um início um tanto quanto artificial, pois não convencia com uma personagem bem mais nova que ela. Deborah Secco aparece totalmente equivocada com um sotaque que lembra as sátiras da Casseta Maria Paula. Já Patricia Pillar acertou desde o início. Sua Flora mostra um perfil dúbio desde o início da trama. Fica difícil saber se ela é inocente ou realmente a assassina da história. Outro que tem roubado cada cena que aparece é o veterano Ary Fontoura. Mais uma vez ele mostra o talento que ficou registrado em novelas como Saramandaia, Roque Santeiro e Tieta. Vale registrar também as atuações de Jackson Antunes, Glória Menezes e Lília Cabral, vivendo um papel totalmente oposto de sua Marta de Páginas da Vida.
João Emanuel Carneiro ainda tem tempo para ganhar esse jogo se souber colocar mais personagens em campo e armar um time que definitivamente não é o favorito.

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