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21 de ago de 2008

A VOLTA DOS ADORÁVEIS TRAPALHÕES

Lançamento em DVD dos 39 filmes dos Trapalhões reacende a nostalgia em volta do famoso quarteto





Por Octavio Caruso

Em 22 de Setembro uma falha grave será corrigida em nossa indústria de entretenimento. Os 39 filmes dos Trapalhões serão finalmente lançados em DVD , cinco por mês e a um preço bastante convidativo: R$ 14,90!
Visando um melhor aproveitamento desta oportunidade e pensando nesta geração “Playstation” que não teve o prazer de acompanhar o grupo na TV e no cinema , pensei em divagar um pouco sobre a história destes mitos nacionais. Espero que o texto lhes tragam boas lembranças e quem sabe novas informações. “Ô Psit....Lá vamos nós!!”

Criação do Grupo

A história deste quarteto remete ao distante ano de 1966 , quando o comediante cearense Renato Aragão juntou-se ao lutador Ted Boy Marino, o cantor Wanderley Cardoso e Ivon Cury na primeira formação do grupo humorístico do novo programa da TV Excelsior : “Os Adoráveis Trapalhões”.
Renato Aragão destacava-se dos demais companheiros devido ao seu humor inocente e de forte apelo emocional. Em pouco tempo, os demais colegas de grupo decidiram desvincular-se do programa.
Manfried Santana havia nascido numa barraca de circo no Rio de Janeiro e quis o destino que seu caminho se encontrasse com o de Renato Aragão, anos depois na TV Tupi.
Os dois artistas já estavam se aventurando nas telas de cinema quando a escalação do grupo foi finalizada. Manfried chamou Antonio Carlos Gomes, sambista carioca com um carisma fora do normal e Renato trouxe Mauro Gonçalves, bancário mineiro tímido que trabalhava com grupos de teatro amador. Estava formado o grupo: “Os Trapalhões”.




Os Anos de Ouro

Após um estrondoso sucesso na TV Tupi, o grupo iniciou seu “reinado” na Rede Globo de Televisão. Os quadros desconexos e a comédia por vezes sem sentido renderam ao grupo várias comparações com o humor anárquico dos ingleses Monty Python.
Em poucos anos o quarteto já havia se estabelecido nos corações de todas as crianças e adultos do país , seus programas batiam recordes de audiência em qualquer horário que passassem. Só quem viveu nos anos 80 sabe mensurar o fenômeno que “Os Trapalhões” havia se tornado. Desde revistas em quadrinhos até camisetas e lancheiras, o marketing do grupo era insaciável e seus fãs também.
Ninguém os reconhecia mais pelos seus nomes de batismo, eles haviam se tornado parte fundamental da história do humor nacional : “Didi , Dedé , Mussum e Zacarias” , independente de onde haviam nascido, de qual vocação viriam a ter , agora estariam unidos para sempre por sua aptidão em comum, trazer alegria a um povo tão sofrido e carente.



“Ô da Poltrona...”

A carreira cinematográfica do grupo é algo a se respeitar. Entre 1978 e 1990 foram realizados vinte e três filmes, destes, sete estão na lista dos dez mais vistos do cinema brasileiro.
Nem todos são um primor de qualidade, porém possuem uma honestidade que emociona. Usando e abusando da criatividade o grupo passeou por sátiras de filmes famosos americanos e adaptações de clássicos da nossa literatura, sempre com um humor agradável e infantil e que não agredia a inteligência dos adultos.
Dentre os diretores que trabalharam com o quarteto estão um jovem Daniel Filho ( O Cangaceiro Trapalhão )e Roberto Farias ( Os Trapalhões no Auto da Compadecida, o filme do grupo mais respeitado pelos críticos ). Porém os que mais marcaram presença foram os talentosos Adriano Stuart e J.B. Tanko ( que realizou a obra mais amada pelos fãs : Os Saltimbancos Trapalhões ).
Da série de filmes , além dos já citados, vale salientar: O Trapalhão no Planalto dos Macacos ( 1976), O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), O Cinderelo Trapalhão (1979), Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) e Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984).
Com um público estimado de mais de cento e vinte milhões, a trajetória cinematográfica do grupo merece aplausos, pois manteve a qualidade, sem se vender aos estereótipos estrangeiros. Como diria Didi Mocó: “Eles que nos imitem!...”




O Fim do Grupo

Com a morte prematura de Mauro Gonçalves e Antonio Carlos, o grupo saiu de cena. Renato Aragão continuou a fazer programas na TV e tornou-se o embaixador da UNICEF no Brasil e Manfried Santana afastou-se dos palcos, tornou-se evangélico e somente em 2005 retornou à televisão em um programa de humor.
Em 1997, o grupo “Os Trapalhões” entrou no Guiness Book como o programa humorístico de TV que permaneceu por mais tempo no ar. Trinta anos históricos para a televisão brasileira.
Recentemente Didi e Dedé promoveram um reencontro em rede nacional, um presente emocionante para os fãs e uma prova de que as pessoas podem morrer, mas as lendas nunca! Somente aguardam o tempo que for preciso para serem “revisitadas”.

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