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16 de set de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 3 : PERÍODO DE TRANSIÇÃO













Com o fim dos anos 60, um novo cenário mundial desenha outros caminhos para os filmes de James Bond. E o agente 007, mesmo a revelia, muda de cara. Novos tempos, novo agente.




007 – À Serviço Secreto de sua Majestade (On Her Majesty´s Secret Service, 1969)



Desde o lançamento da última aventura de 007 nos cinemas, muita coisa havia mudado no mundo. O sonho americano morria junto com John F. Kennedy e Martin Luther King, assim como a guerra no Vietnã corrompia a inocência da população jovem da América. O maior espião do mundo havia se tornado motivo de piada, consumada na realização do filme “Cassino Royale” em 1967, uma sátira burlesca e equivocada com um elenco abastado, incluindo Peter Sellers e Woody Allen, com a participação do lendário John Huston na direção.
Os produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli perceberam que era chegada a hora do espião 007 ser reinventado no cinema, adaptado para este novo público que idolatrava a súbita onda de “anti-heróis” que a indústria injetava nas telas. O primeiro problema que enfrentaram foi a recusa do astro Sean Connery em repetir seu personagem, que ele acreditava estar limitando-o como ator sério. A caça por um novo 007 havia começado!
O primeiro passo foi a ousada decisão do talentoso editor dos filmes anteriores Peter Hunt em assumir a direção deste projeto. Ele havia escolhido filmar “À Serviço Secreto de sua Majestade” com uma narrativa fiel ao livro de Ian Fleming ( este acabou sendo o último filme a ter esta preocupação ), que já havia quase saído do papel anos antes.



Hunt também foi o responsável pela escolha do ex-vendedor de automóveis e modelo australiano George Lazenby para interpretar o agente 007. Lazenby nunca havia atuado na vida e foi após um teste de cena com a atriz Diana Rigg que ele foi oficializado na produção. A atriz que co-estrelou esta audição tornou-se Teresa Di Vicenzo, a Bondgirl “Tracy” que entrou para a história da série por ser a única a levar o mulherengo agente ao altar.
O vilão também deveria mudar de atitude, o Blofeld de Donald Pleasence não assustaria tanto quanto as chacinas vietnamitas tão viabilizadas na época, portanto um novo ator foi escolhido para dar um tom mais ameaçador e realista ao personagem : Telly Savalas. Para o papel de sua cruel aliada Irma Bunt, foi escolhida Ilse Steppat.
Na história, James Bond é enviado disfarçado ao encontro de Blofeld nos Alpes Suíços, onde o vilão pretende provar que é um conde legítimo, devido a sua herança sanguínea, enquanto hipnotiza jovens garotas, treinando-as para serem seus “anjos da morte” e disseminar pelo planeta um vírus capaz de esterilizar todos os seres vivos. Nesta missão, Bond recebe a ajuda de um chefe mafioso chamado Marc Ange Draco ( vivido por Gabriele Ferzetti) e de sua filha Tracy, uma condessa rebelde , por quem logo irá se apaixonar.
Ao longo das filmagens, Lazenby mostrou-se um homem arrogante e indócil, causando desentendimentos com os produtores e com Diana Rigg. A certo ponto, questionou a importância de seu personagem em um mundo tão cruel, onde não haveria espaço para a ingenuidade de um espião secreto que todos conhecem pelo nome. Antes do término das filmagens o ator descartou um contrato para sete filmes, fato que levou os produtores a iniciar uma nova procura por possíveis atores para o personagem.
Independente destas desavenças, ainda considero sua atuação como uma das melhores da série. Ele interpretou um 007 sensível, que chora o trágico assassinato da mulher amada na cena mais impactante do filme.
Lazenby não fez nenhuma obra importante no cinema após este projeto e já mais velho interpretou um coadjuvante em filmes eróticos da série francesa: “Emmanuelle”, protagonizados por Sylvia Kristel.
O ponto forte do filme foi a magistralmente editada perseguição na neve, com a equipe de esquiadores profissionais liderados por Willy Bogner realizando feitos estéticamente belos e que tornaram-se um símbolo da série.



“007 – À Serviço Secreto de sua Majestade” é um filme formidável, desde sua seqüência inicial musicada por John Barry, que remete aos filmes anteriores, passando pela bela montagem romântica ao som de “We have all the time in the World” cantada por Louis Armstrong até seu final surpreendentemente triste. Peter Hunt em sua única participação na cadeira de diretor realiza uma obra pungente e apaixonada, que merece obter um melhor lugar no coração dos fãs da série.
Ao estrear, obteve um faturamento inferior ao filme anterior, o que levou os produtores a tentar desesperadamente fazer com que Connery retornasse, pelo menos uma última vez.

NOTA : 10 / 10

007 – Os Diamantes são Eternos (Diamonds are Forever , 1971)



Era o início de uma nova década e os produtores não queriam ousar desta vez, iriam seguir à risca a fórmula de sucesso pavimentada pelos quatro primeiros filmes da série. O que incluía dois fatores-chave que estiveram presentes na construção do filme-símbolo de 007 : Goldfinger (1964) , a canção título seria interpretada por Shirley Bassey e a direção ficaria a cargo de Guy Hamilton, com a difícil missão de revitalizar e estabilizar a franquia. Hamilton acabaria dirigindo também os dois próximos filmes da série.
O estúdio precisava da presença de Sean Connery e para isso, ofereceu-lhe um contrato milionário, incluindo um cachê de 1,25 milhão de dólares mais 12,5 % de participação na bilheteria. Além de contratualmente financiar mais dois outros filmes que o ator escolhesse tomar parte. Sean Connery honrou sua fama de nobre cavalheiro e fez uma doação de seu cachê a Scottish International Trust, entidade escocesa que ajuda a educar crianças pobres.
O ator já não estava mais com a mesma forma física de outrora e aparentava o desconforto em interpretar pela sexta vez o agente 007. Seus fãs porém, compareceram em massa para prestigiar este retorno.
Para o papel da Bondgirl contrabandista Tiffany Case, os produtores contrataram Jill St. John, a primeira norte-americana a co-protagonizar com 007 na franquia.
Para o que viria a ser a última aparição do vilão Blofeld na série, foi chamado o ator britânico Charles Gray. A sua interpretação do personagem foi a mais fraca dentre os três atores que o personificaram.
Em “Os Diamantes são Eternos”, James Bond irá confrontar-se com uma dupla impagável de assassinos, os enamorados Sr. Wint e Sr. Kidd( interpretados por Bruce Glover e Putter Smith respectivamente), o casal frio e cruel irá se aliar a Blofeld na tentativa de destruir o mundo utilizando um poderoso satélite recém-lançado ao espaço. A arma utiliza os diamantes como matéria-prima.


Bastante a frente de seu tempo, a trama do filme lida com a idéia da clonagem humana, realizada por Blofeld na tentativa de realizar várias cópias de si próprio para proteger-se de 007. Seu esconderijo agora não é mais no interior de um vulcão extinto. Sofisticado, ele agora comanda a S.P.E.C.T.R.E instalado confortavelmente em Las Vegas.




Talvez a seqüência mais marcante do filme seja a antológica perseguição de carros pelas ruas de Vegas, que termina com o Mustang vermelho de 007 passando a andar com apenas duas rodas, habilidosamente escapando do cerco policial ( a cena foi homenageada no filme “License to Kill” de 1989, sendo que ao invés de um Mustang, um caminhão tanque foi utilizado na “acrobacia”).
A vontade do estúdio em realizar um ótimo filme foi tamanha, que até uma plataforma marítima de petróleo foi alugada por quarenta mil dólares por dia. Ela foi utilizada como cenário para o clímax da aventura, o duelo final entre Ernst Stavro Blofeld e James Bond.
O filme foi um sucesso estrondoso de bilheteria, muito devido ao alardeado retorno de Sean Connery ao papel pela última vez. Em apenas uma semana, rendeu aproximadamente 35.000 libras, quase o dobro do recorde até então registrado.
“007 – Os diamantes são Eternos” possui o tom escapista na medida certa, marca do diretor Guy Hamilton, mas revisto hoje em dia, nota-se que envelheceu mal. Mantém-se apenas no charme, ainda que desta vez, preguiçoso de Connery.
Uma despedida não muito graciosa do melhor intérprete de 007 nas telas.

NOTA : 8,5 / 10


Com 007, Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, 1973)


Filmes de temática negra (os chamados “blaxploitation”) como “Shaft” e grupos revolucionários como os “panteras negras” davam o tom da América no início dos anos 70. Não haveria ousadia maior para um filme desta época que utilizar-se de vilões negros, porém o roteirista Tom Mankiewicz ( que além de roteirizar filmes, também foi o autor dos discursos do ex-presidente americano Ronald Reagan) aceitou o desafio e transpôs para as telas o segundo livro de Ian Fleming: “Live and Let Die”.
A equipe de produção sabia que iria precisar de muito esforço para fazer o público esquecer de Sean Connery e acostumar-se com um novo rosto para o agente 007, vide a fraca recepção dada ao esforçado George Lazenby.



As apostas estavam a favor do ator Burt Reynolds, porém os produtores encontraram em Roger Moore o tipo certo de personalidade que a franquia queria adotar naquele momento. O ator londrino já havia sido cotado para estrelar o primeiro filme da série, porém seu contrato com a série de TV : “O Santo” o fez refutar da decisão.
Diferente de Sean Connery, Moore divertia-se muito interpretando o agente secreto, fazendo questão de participar de outros filmes em papéis que satirizassem ou prestassem homenagens ao personagem, como em “Quem não corre, Voa! (The Cannonball run)”. Roger Moore não fugia da estigmatização, ele tirava proveito de sua sorte.



O roteirista aproveitou-se do bom humor do ator e criou várias cenas cômicas para o filme, seqüências que não iriam se encaixar na forma de atuar de Sean Connery.
Mankiewicz queria ter escolhido uma atriz negra para o papel da cartomante Solitaire, mas os produtores preferiram seguir o conceito do livro original e decidiram-se pela ex-bailarina e atriz inglesa Jane Seymour.
Para o papel do vilão Kananga / Mr. Big foi escolhido o ator americano Yaphet Kotto. Para o papel do capanga Tee Hee escolheram o ator Julius W. Harris. O personagem ficou famoso por portar um braço amputado de aço no lugar de seu original, devorado por crocodilos. Completando o exótico trio de vilões, o misterioso Barão Samedi, praticante de Vodu, foi interpretado por Geoffrey Holder, escolhido por suas habilidades como bailarino e por sua altura (dois metros e vinte), fator que deu um toque sobrenatural ao seu personagem.
Foi a partir deste filme que os produtores escolheram utilizar somente o título e alguns personagens dos livros de Ian Fleming, atendo-se por vezes apenas ao tema central ou nem isso. Uma decisão arriscada, porém que obteve êxito.






O filme inicia-se com o assassinato de três agentes do MI6 em solo americano, todos com uma coisa em comum, estavam vigiando o político Dr. Kananga, chefe de uma ilha das Caraíbas, San Monique. O que haveria por trás destes assassinatos? Com a ajuda de seu amigo do FBI : Felix Leiter( vivido por David Hedison), James Bond visita o restaurante Fillet of Soul no centro do Harlem cujo proprietário é um gângster recluso chamado Mr. Big e descobre um ardiloso plano envolvendo a construção de um império sustentado pela distribuição da droga heroína. Seu caminho em breve cruzará com o de Solitaire, uma cartomante e sacerdotisa virgem que recebe ordens diretas de seu “patrocinador” Kananga. Nem tudo é o que parece e 007 logo se verá envolvido em uma trama cheia de mistérios e misticismo.
Como o compositor John Barry não estava disponível na época, foi chamado o “quinto Beatle” George Martin que trouxe influências do Rock e da música jamaicana para o filme. Paul McCartney interpretou a canção-título e a alçou ao segundo lugar no top da Billboard. “Live and Let Die” também foi indicada ao Oscar de melhor tema musical, porém perdeu para o trabalho de Marvin Hamlisch em “Nosso Amor de Ontem”(The Way we Were).
Dentre as várias cenas marcantes do filme, vale destacar a inconsequente perseguição de lanchas sobre a Baía da Louisiana, a fuga de Bond e Solitaire em um ônibus de dois andares e a tensa seqüência onde 007 se vê em uma pequena ilha cercada de crocodilos famintos por todos os lados.


O diretor Guy Hamilton conseguiu o impensável : Deu ao mundo um novo agente 007, totalmente diferente do interpretado por Connery e Lazenby em um filme criativo e corajoso.
Roger Moore ofereceu ao público um outro lado de James Bond, um agente mais humano e bem-humorado e cativou um enorme número de fãs no mundo todo. O caminho estava pavimentado para a década mais divertida de 007.

NOTA : 9,0 / 10

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