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22 de set de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 4 : O REINADO DE MOORE











Com Christopher Lee, anões e gigantes, batalhas no espaço, carros submarinos e até o Rio de Janeiro como cenário, Roger Moore consolida sua imagem de James Bond. É a quarta parte de nosso especial sobre 007.


007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun, 1974)

Na tentativa de consolidar o nome de Roger Moore no subconsciente dos fãs da série, os produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman decidiram realizar o próximo filme com pouca verba ( sete milhões de dólares) e em tempo reduzido. Apenas cinco meses após o final das filmagens do projeto anterior : “Live and Let Die”, a equipe já estava se preparando para dar continuidade a série.
Como base para a história, foi escolhido o último livro de Ian Fleming, publicado em 1965 : “The Man with the Golden Gun”.
Na história, uma bala dourada com a inscrição 007 chega à sede do Serviço Secreto Britânico. As suspeitas recaem sobre o assassino profissional Francisco Scaramanga. Conhecido por utilizar-se de uma pistola dourada para completar seus serviços e por uma bizarra anomalia : Um terceiro mamilo, o que em algumas culturas é considerado um sinal de virilidade.
Com a ajuda da agente Mary Goodnight, 007 tenta impedir que um aparelho que converte energia solar em eletricidade, o Solex, seja utilizado por mãos erradas.
Para interpretar o assassino Scaramanga, foi chamado o eterno “Drácula” dos Estúdios Hammer: Christopher Lee. O ator também era primo do escritor Ian Fleming.
No papel do fiel ajudante anão Nick Nack foi escolhido o ator Hervé Villechaize. A química entre os dois foi tão acertada, que inspirou a criação da tele-série “Ilha da Fantasia” (Fantasy Island,1978), onde Hervé contracenava com Ricardo Montalban.
Interpretando a namorada submissa do vilão, Andrea Anders, uma atriz que detém um recorde invejável, pois foi a única a representar dois papéis principais diferentes dentro da série. A sueca Maud Adams viria a atuar também como a personagem título no filme “Octopussy (1983)”.
Porém a Bondgirl nesta nona incursão de 007 no cinema ficou marcada como a mais atrapalhada de todas. A também sueca Britt Ekland (que estava grávida durante as gravações) interpreta a espivitada agente de contato do Serviço Secreto Britânico no Extremo Oriente que é apaixonada por James Bond e fará de tudo para levá-lo para a cama.
A produção de 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro detém poucas cenas grandiosas, havendo sido feito “a toque de caixa” pelos produtores, porém a direção inspirada do veterano Guy Hamilton (de “Goldfinger”) e talvez, os melhores diálogos de toda a série, fazem com que o filme mereça ser lembrado.
Dentre os diálogos mais interessantes, encontra-se o que ocorre entre Bond e Andrea Anders, logo após o agente a surpreender no banho. Querendo saber como ele reconhecerá o vilão numa boate :
“- Alto, magro e moreno” – Descreve Andrea.
“- Minha tia também. Alguma coisa diferente?”
A cena mais lembrada pelos fãs é o espetacular salto de 360 graus feito por um carro sobre uma ponte semidestruída. Para que a “acrobacia” fosse realizada com perfeição e segurança, estudos foram feitos em computador.
O filme é notável no que tange seu vilão: Francisco Scaramanga é a perfeita antítese do herói James Bond. O assassino só aceita trabalhar para quem lhe pague um milhão de dólares por seus crimes e respeita o agente 007. O duelo final é memorável e um ponto alto da produção.
A parte musical ficou a cargo de John Barry mais uma vez, após ter estado ausente na produção anterior, sendo que a música-tema foi interpretada pela cantora escocesa Lulu, advinda de seu sucesso popular com o filme: “Ao mestre, com Carinho” (To sir, with Love,1967).
Nos Estados Unidos, o filme arrecadou 21 milhões de dólares e no resto do mundo, 76,6 milhões. Muito pouco para um filme de 007, porém uma quantia considerável levando-se em consideração que a produção gastou muito pouco também em sua realização.
É interessante notar que o corte nas despesas foi tanto, que o gigantesco cenário do complexo solar na ilha do vilão era operado por apenas um extra!
O filme serviu ao seu propósito principal: Firmar Roger Moore como o novo 007 na mente do público, dando continuidade ao personagem.

NOTA : 8,0 / 10


Trailer 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro:



007 – O Espião que me Amava ( The Spy who Loved Me, 1977)



Antes do início da produção do décimo filme do agente 007, uma ruptura chamou a atenção da mídia e adiou a preparação das filmagens: O produtor Harry Saltzman, passando por uma grave crise financeira, viu-se forçado a vender a sua parte da franquia para o estúdio United Artists. Albert Broccoli iria carregar sozinho e “nas costas” este e os futuros projetos.
Com o atraso na produção, o diretor Guy Hamilton é forçado a deixar o cargo para Lewis Gilbert (de “ Com 007, Só se Vive Duas Vezes”,1967).
Broccoli sabia que precisaria de um esforço extra para que este décimo filme fosse tão bom quanto os fãs mereciam e esperavam que fosse, para tanto escolheu uma extraordinária seqüência pré-títulos. Nela, o agente 007 saltaria de um precipício, após descer esquiando um desfiladeiro de neve e alguns segundos depois abriria seu pára-quedas com a bandeira da Inglaterra. A cena realizada pelo dublê Rick Sylvester entrou para a história da série.
O roteiro do filme, escrito por Richard Maibaum, era no mínimo interessante: Um megalomaníaco intelectual chamado Carl Stromberg (vivido pelo alemão Curt Jurgens) pretende destruir o mundo e criar uma nova sociedade, sob as águas do mar. Para conquistar seu intento, utiliza-se da força bruta de seu auxiliar Jaws ( no Brasil, ficou conhecido como “Dentes de Aço”) que consegue eliminar com vorazes mordidas qualquer um que cruzar seu caminho. Para o papel do famoso e mudo personagem, foi chamado o ator Richard Kiel, que com seus quase dois metros e vinte de altura dá vida ao indestrutível capanga. Seu sucesso foi tão grande, que o estúdio foi obrigado a tê-lo de volta no filme posterior da série : “Moonraker”.





Pela primeira vez na franquia, James Bond iria ser acompanhado de uma Bondgirl tão inteligente quanto ele, no caso a agente secreta da KGB Anya Amasova, também conhecida como Triplo-X. Interpretando-a a bela atriz nova-iorquina Barbara Bach, que foi escolhida por Albert Broccoli ao fazer um teste, nua, para um filme italiano.
Triplo-X sabe que James Bond foi o responsável pela morte de seu namorado, jurando assim vingar-se de 007 ao final da missão. O “duelo psicológico” entre os dois agentes mostra-se uma bem-vinda novidade no caminho da série.
Albert Broccoli sente que a hora era propícia e decide criar um dos maiores estúdios do cinema para dar vazão a criatividade de seus técnicos : O estúdio 007.
Com a ajuda do magistral designer Ken Adam foi criado o gigantesco cenário onde ocorre o clímax do filme, o petroleiro do vilão Stromberg. Feito que concedeu a Adam o Oscar de melhor direção de arte / cenário.
“007 – O Espião que me Amava” inovou também com uma ótima gadget, a Wet Bike, um projeto do que viria a ser o atual Jet Ski. O aparato foi usado pelo agente para atravessar o mar e chegar ao quartel-general marítimo de Stromberg.
Outro fato curioso foi a escolha do ator para interpretar num breve momento o namorado de Anya Amasova, que viria a ser assassinado por Bond. Michael Billington era extremamente parecido com o ator George Lazenby, quase um sósia. Seria isto uma forma divertida que Broccoli achou para “exorcizar” de vez a presença de Lazenby na franquia?
Como se já não fosse suficiente, o filme contém uma cena histórica e eterna no “cânone” da série: O mergulho submarino do carro Lótus Esprit. Após uma perseguição dramática envolvendo motocicletas e helicópteros, o agente 007 não vê saída a não ser levar seu carro para o fundo do mar, no que para surpresa de seus inimigos, o superesportivo Lótus se transforma em um submarino. É de se imaginar o impacto que esta cena teve na época.
Celebrando o décimo filme da lucrativa franquia, foi determinado que era preciso uma canção que falasse, não dos vilões, mas sim do próprio agente. Marvin Hamlish, compositor deste projeto, criou então a canção “Nobody Does it Better”( Ninguém faz melhor), interpretada com emoção por Carly Simon. A música ganhou prêmios da academia e consolidou-se como uma das melhores e mais belas composições dos filmes de 007.
Nem mesmo a direção canhestra de Lewis Gilbert conseguiu prejudicar esta notável produção.
O filme custou treze milhões de dólares e lucrou quase quinze vezes mais no mundo todo. Um sucesso acachapante.
O ápice do reinado de Roger Moore e sem dúvida, uma das melhores incursões da série.

NOTA : 10 / 10

Trailer 007 – O Espião que me Amava:



007 Contra o Foguete da Morte ( Moonraker, 1979)



Em 1977 estréia nos cinemas a obra de um jovem diretor chamado George Lucas, uma saga espacial inovadora chamada “Star Wars”. O modesto filme lucrou mais de quarenta e cinco vezes o valor investido. O mundo do cinema nunca mais seria o mesmo!
Os olhos de todo o público cinéfilo agora visavam o espaço, ansiavam por novas batalhas cósmicas e efeitos especiais. Como 007 iria encarar isto?
A solução proposta pelo produtor Albert Broccoli era simples, levar o agente James Bond ao espaço sideral. A intenção era nobre, mas provou-se um fracasso de crítica.
Em “007 Contra o Foguete da Morte”, o agente é encarregado de investigar o misterioso sumiço do Moonraker, uma moderna nave espacial capaz de entrar em órbita e retornar à Terra como um avião. O principal suspeito do crime é Hugo Drax ( vivido por Michael Lonsdale) o dono da empresa que construiu a nave. Seu intuito sórdido remete ao de seu antecessor Carl Stromberg, que no filme anterior queria criar uma sociedade submarina. Drax pretende destruir o planeta e criar uma nova raça perfeita no espaço. Seu comparsa Chang (vivido por Toshiro Suga) é apenas mais uma variação do capanga idealizado desde 1964 com Oddjob (em “Goldfinger”).
A Texana Lois Chiles interpreta a Bondgirl Holly Goodhead, uma agente da CIA infiltrada nas empresas do vilão. Junto com a personagem do filme anterior, a agente Triplo-X, Goodhead personifica uma tendência iniciada na metade dos anos 70, que iria se afirmar ao longo da série, Bondgirls independentes e profissionais.
O filme é célebre por marcar a última participação do ator Bernard Lee como o chefe do agente 007, conhecido como M. O ator havia estado presente em todos os filmes da série, desde “Dr. No” de 1962. Com relação ao fato de poder ser estigmatizado no papel, ele dizia: “ Os filmes de Bond podem ir e vir, mas M é eterno”. Bernard Lee adoeceu após a trágica morte de sua esposa em um incêndio, vindo a falecer logo depois, porém sempre será lembrado com carinho pelos fãs da série.
Como uma das locações, a produção escolheu o Brasil, porém o país que aparece na tela assemelha-se pouco com o nosso. James Bond é visto chegando no Rio de Janeiro a cavalo, vestindo um poncho e chapéu, parecendo mais um bandoleiro mexicano. Porém nem tudo ficou caricato. Todo o exotismo de nosso Carnaval foi captado, assim como a clássica cena de batalha entre Bond e Jaws no tradicional Bondinho do Pão de Açúcar, talvez o único ponto alto do filme.
Mais fácil é falar do que não deu certo na produção, como a tentativa frustrada de transformar o ótimo vilão Jaws em um alívio cômico desnecessário.
A fuga de Bond pela praça de São Marcos em Veneza, utilizando uma gôndola que se transforma num veículo terrestre, ultrapassa os limites do aceitável e não empolga. Tentaram repetir o êxito do carro submarino do filme anterior, mas sem sucesso.
O vilão Hugo Drax é quase uma cópia de Carl Stromberg ( de “007 – O Espião que me Amava”) com os mesmos objetivos e interesses, um desperdício.
A seqüência final apresenta uma batalha que só vendo para acreditar. Vários astronautas atirando lasers um ao outro, em pleno espaço sideral. Ao tentarem emular o sucesso de “Star Wars”, os produtores perderam a essência do que fazia 007 ser um sucesso e exageraram na dose.


Na trilha musical, outra vez Shirley Bassey não desaponta e entrega uma linda versão da canção tema, composta por John Barry.
O filme foi um sucesso de público, porém é reconhecido atualmente (com razão) como um dos piores filmes da série. Era chegada a hora de 007 voltar ao eixo, o personagem original criado por Ian Fleming estava escondido debaixo de todo aquele ar de superprodução espacial, mas para a próxima aventura, um tom mais sério seria utilizado.

NOTA : 7,5 / 10

Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler a primeira parte, aqui para ler a segunda e aqui para ler a terceira. Divirta-se.

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