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29 de set de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 5 : A PROVA DE FOGO











Na quinta parte de nosso especial, 007 volta com mais ação e o embate entre Moore e Connery divide a atenção dos fãs de James Bond


007 – Somente para Seus Olhos ( For Your Eyes Only, 1981)
Após um início de década promissor, a série estava caminhando para um fim nada agradável. O filme anterior “Moonraker” havia ajudado a transformar o agente secreto 007 em um super-herói espacial. Mesmo tendo sido um sucesso de público, o produtor Albert Broccoli sentiu que a franquia precisava retornar às raízes, encontrar-se com o personagem idealizado por Ian Fleming.
O primeiro passo a ser dado foi a escolha de quem iria comandar o novo filme, quem daria o novo tom a ser utilizado na série. Acertadamente decidiram-se por John Glen, um experiente editor de filmes de ação, que havia dirigido magistralmente a seqüência da perseguição de trenós do filme de 1969: “À Serviço Secreto de sua Majestade”. Glen foi o responsável por incutir na série um tom mais ameaçador, com cenas de ação de tirar o fôlego.
O roteiro criado por Richard Maibaum seria uma “colcha de retalhos”, incluindo trechos do livro original: “For Your Eyes Only”, “Risico” e de “Live and Let Die”.
Na história, um navio espião inglês, dotado de um poderoso dispositivo secreto, o A.T.A.C., capaz de orientar o lançamento de mísseis nucleares da frota de submarinos britânicos é misteriosamente atacado e vai parar no fundo do mar Jônico, na costa da Albânia. O governo britânico pede ajuda a um renomado arqueólogo grego no intuito de encontrar o dispositivo antes que ele caia em mãos erradas. Porém, em um ataque terrorista, o arqueólogo é assassinado junto com sua esposa. Sua filha, Melina Havelock (interpretada pela linda modelo francesa Carole Bouquet) decide se vingar dos responsáveis pelo ato sórdido. Seu caminho irá se cruzar com o do agente secreto James Bond que havia sido enviado para resgatar o dispositivo.
O vilão desta vez é inescrupuloso, porém tímido. O contrabandista e traficante de armas e drogas Aris Kristatos (Interpretado por Julian Glover) é o mentor sorrateiro, que se esconde atrás de Locque ( Michael Gothard) e Kriegler (John Wyman), o segundo escalão do crime.
Além do auxílio de Melina, 007 ainda contará com o reforço do contrabandista grego Milos Columbo (vivido por Chaim Topol), desafeto de Kristatos.
A decisão de manter 007 com os “pés no chão”, injetando adrenalina nas cenas de ação e limitando suas conquistas amorosas auxiliaram muito no sucesso da produção.
Roger Moore já com 53 anos de idade, sentia-se um pouco constrangido por conquistar somente com o olhar e poucas insinuações, mulheres trinta anos mais novas. A solução encontrada pelos roteiristas foi trazer soluções cômicas para algumas cenas, como quando a jovem patinadora protegida de Kristatos: Bibi (interpretada por Lynn-Holly Johnson) tenta seduzir o agente, tirando a roupa e deitando-se em sua cama. Um estupefato 007 lhe diz:
-“ Coloque sua roupa que eu te compro um sorvete”.
A condessa Lisl Von Schlaff ( interpretada por Cassandra Harris, esposa na época de um futuro 007: Pierce Brosnan) se renderá aos encantos de Bond, porém terá um destino trágico, será assassinada pelo vilão Locque, a mando de Kristatos.
Uma passagem bizarra, porém curiosa é a presença de Tula Cossey, uma das lindas mulheres de biquíni que, como de costume, enfeitavam a produção. Descobriu-se mais tarde, que na realidade tratava-se de um transexual. Assista o filme e veja se consegue localizá-lo.
O ator Bernard Lee, que interpretava o chefe de 007: M, chegou a ser inserido no roteiro, porém sua morte levou os roteiristas a retirar seu personagem da trama. Logo, 007 receberá sua missão do ministro da Defesa e do chefe do Estado Maior.
Com a clara intenção de trazer de volta os elementos dos filmes antigos, o produtor Albert Broccoli inseriu logo no início do filme uma cena onde James Bond deixa flores no túmulo de sua esposa Teresa, que havia sido assassinada por Blofeld na produção “À Serviço Secreto de sua Majestade”, doze anos antes. Logo em seguida, um Blofeld na cadeira de rodas irá perseguir 007, sendo jogado em seguida de um helicóptero numa chaminé para a morte certa. A seqüência foi a maneira do produtor Broccoli dizer que o sucesso da série não dependia de seu rival Kevin McClory, que após os problemas judiciais ocorridos na produção do filme “Thunderball”, tornou-se proprietário dos direitos de imagem do vilão Ernst Stavro Blofeld e da organização S.P.E.C.T.R.E.
A trilha sonora ficou a cargo do compositor Bill Conti, tendo sua música-tema sido cantada por Sheena Easton. A beleza da cantora encantou Maurice Binder, que a inseriu (pela única vez na história da série) na seqüência de créditos iniciais.
O filme rendeu 195 milhões de dólares no mundo todo e é um dos melhores da série. Méritos para o diretor John Glen que conseguiu trazer um pouco mais de seriedade ao agente interpretado por Roger Moore, fazendo-o realizar cenas brutais, como a do carro do vilão Locque no desfiladeiro, onde um chute certeiro de 007 foi o suficiente para que o automóvel caísse penhasco abaixo.
Moore não queria gravar a cena, porém Glen o persuadiu e com esta coragem ganhou o comando das próximas quatro produções da franquia.
Porém, um “vilão” estava à espreita...

NOTA : 9,5 / 10

Veja o trailer de 007 – Somente para Seus Olhos ( For Your Eyes Only):





007 – Nunca Mais Outra Vez ( Never Say Never Again, 1983)


Era chegado o momento de Roger Moore passar por seu teste de fogo, pois Kevin McClory decidiu refazer a história de “Thunderball” no cinema.
Personagens como Blofeld e a S.P.E.C.T.R.E. voltariam na produção, porém várias marcas registradas da série não poderiam ser utilizadas, como a música-tema do personagem, o “cano da arma” na abertura e o crédito inicial musicado por Maurice Binder. O filme seria um “filho bastardo” não produzido pela EON (empresa de Albert Broccoli), porém um elemento foi responsável por um provável temor dos detentores da série oficial: O retorno às telas de Sean Connery.
Após doze anos, Connery retornaria ao papel que ajudou a criar, esbanjando carisma e com muito mais paixão que em 1971, quando se despedia sem muito entusiasmo em “Diamonds are Forever”.
A trama era basicamente a mesma do filme de 1965: Duas bombas nucleares são seqüestradas pela organização de Blofeld, que ameaça provocar um acidente atômico se não houver o pagamento do resgate.
Para o papel do vilão foi chamado o lendário ator sueco Max Von Sydow, que junto com o diretor Ingmar Bergman participou de clássicos do cinema como: “O Sétimo Selo”.
Interpretando o personagem Maximilliam Largo que antes fora de Adolfo Celi: Klaus Maria Brandauer. Nem de longe sua atuação se compara a de seu antecessor.
No papel da BondGirl Domino, uma estreante Kim Basinger no auge de sua beleza.
Antecipando uma decisão futura, os produtores optaram por um Felix Leiter negro, interpretado por Bernie Casey. No recente “Cassino Royale” o mesmo ocorreu, uma coincidência?
A atriz Barbara Carrera foi indicada ao Globo de Ouro por sua atuação como a vilã fria e calculista Fatima Blush.
Talvez a decisão mais estranha tomada pela produção foi a inclusão de Rowan Atkinson ( O futuro “Mr. Bean”) na trama, como o desastrado agente Nigel Small-Fawcett, um alívio cômico desnecessário.
Complementando a requintada produção,sua trilha sonora foi composta pelo músico francês Michael Legrand. A música-tema cantada por Leni Hall.
A intenção de McClory era bem direta: Produzir um filme muito superior aos que estavam sendo feitos com Roger Moore. As escolhas de elenco comprovam este fato.
O diretor Irvin Kershner ( de “O Império Contra-Ataca” ) conduziu o filme de maneira correta, porém a primeira escolha de McClory havia sido Richard Donner, que declinou da decisão tempos antes do início da produção.
O título do filme nasceu de uma brincadeira que a esposa de Connery lhe fez, quando o mesmo aceitou interpretar James Bond pela sétima vez. Ela lhe disse:
-“ Jamais diga nunca novamente” (Never say Never Again).
McClory não pretendia iniciar uma franquia, prova disso foi o final utilizado na produção, onde 007 intenciona se aposentar do serviço secreto e ficar ao lado de seu novo amor.
Guardadas as devidas proporções, “Nunca Mais Outra Vez” é um bom filme de ação e torna-se memorável devido a elogiada atuação de um fleumático Sean Connery. Elogios estes que deixaram Roger Moore enciumado, pois em uma entrevista da época, Moore ( que estava filmando “Octopussy”) chegou a dizer: “Não acho que Connery devesse ter feito esse filme. O resultado é pouco mais que desconcertante.”
O fato é que Connery realizou um milagre, tornou interessante um filme de Bond, sem os tradicionais e icônicos elementos que fizeram de 007 um fenômeno cinematográfico.

NOTA : 8,5 / 10



Veja o trailer 007 – Nunca Mais Outra Vez ( Never Say Never Again)





007 Contra Octopussy ( Octopussy, 1983)



Os produtores Albert Broccoli e Michael G. Wilson sentiram o impacto do retorno de Sean Connery e viram que não poderiam se acomodar, correndo para finalizar “Octopussy” e fazê-lo o melhor que podiam.
O orçamento destinado à produção do filme foi de aproximadamente 110 milhões de dólares e isso fica evidenciado em cada frame da mega-produção.
O roteiro foi retirado de um conto homônimo de Ian Fleming lançado em 1966 e a direção ficou a cargo novamente do talentoso John Glen.



Os produtores da série não economizavam em locações e detalhes de produção. Para cada seqüência de ação, cercavam-se do trabalho de profissionais especialistas em cada cena.
Contrastando com o tom sério do filme anterior da franquia oficial, “Octopussy” desfila cor e vibração, o exotismo das locações na Índia em muito cooperaram com o clima da aventura.
Na aventura, 007 persegue um exilado príncipe afegão: Kamal Khan (vivido elegantemente por Louis Jordan) e sua associada, a enigmática contrabandista de jóias Octopussy ( Maud Adams em seu segundo papel na franquia).
Quando um inestimável ovo de Fabergé é entregue na residência do embaixador da Grã-Bretanha, pelas mãos moribundas de um agente secreto disfarçado de palhaço é dado início a uma intrincada conexão que envolve roubo de jóias, circo e um paranóico general da União Soviética. Tudo apenas um pretexto para uma série de seqüências de ação impactantes.
Roger Moore iria se aposentar do papel após “For Your Eyes Only”, levando os produtores a procurarem um novo ator. Dentre os que fizeram testes para o papel estavam James Brolin e Timothy Dalton, porém ao saber que Connery iria participar do projeto “Never Say Never Again”, o orgulho de Moore falou mais alto e ele aceitou dar continuidade à série.
Para o papel de M, que retornaria à produção, foi escolhido o ator Robert Brown.
Na história, 007 receberá a ajuda de um indiano chamado Vijay. Quem o interpretou foi um tenista profissional chamado Vijay Amritraj, que no filme terá a chance de usar a raquete do esporte como arma.
O personagem Q (Desmond Llewelyn) também viria a ter uma maior participação nesta produção, entregando a Bond sua gadget mais espirituosa: Um minissubmarino em forma de jacaré que entrou para a galeria das mais famosas bugigangas já criadas para o agente.
Os capangas de Kamal Khan roubam a cena do vilão, são eles: Os gêmeos atiradores de facas(David e Anthony Meyer) e Gobinda(vivido por Kabir Bedi), o mudo (já tradição na série, desde Oddjob em”Goldfinger”) fiel ajudante do príncipe.
Dentre as cenas de ação, vale salientar a longa batalha no trem,onde Bond enfrenta os irmãos gêmeos atiradores de facas, muito bem editada por Bob Simmons.
A trilha sonora foi composta por um inspirado John Barry. A canção “All Time High”, cantada por Rita Coolidge ficou entre as 40 mais tocadas nas paradas norte-americanas. Foi a segunda vez que a canção principal não foi tirada do tema do filme, sendo a primeira delas “Nobody does it Better”, do filme “The Spy who Loved Me”.
O título da canção é inspirado na própria linha de conduta de James Bond: Faça sempre o melhor.
A seqüência final do filme, onde 007 se disfarça de palhaço para entrar no circo de Octopussy e desbaratar a ação criminosa foi duramente criticada na época, assim como a fuga na selva ao som do famoso grito de Tarzan, aliado ao fato de Moore aparentar a idade avançada. Os fãs não prestaram atenção aos críticos e compareceram em massa na estréia.
O filme rendeu mais que “For Your Eyes Only” e “Never Say Never Again”, portanto, na batalha dos lucros, Roger Moore saiu vitorioso de sua prova de fogo.
“Entre mortos e feridos”, no ano de 1983 quem saiu ganhando foi o público, que teve à sua disposição dois atores formidáveis dando tudo de si em filmes muito bons.

NOTA : 9,0 / 10


Veja um trecho de 007 Contra Octopussy ( Octopussy)



Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler a primeira parte, aqui para ler a segunda, aqui para ler a terceira e aqui para ler a quarta. Divirta-se.

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