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2 de set de 2008

DOSSIÊ 007- PARTE 1: A GÊNESE DE BOND

Com o aguardado lançamento em novembro do 22º filme de James Bond, 007 - Quantum of Solace, o Vertigo Pop preparou um especial sobre a história do agente secreto no cinema.





O Herói na Literatura

Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres em meados de 1908. Começou sua vida adulta tendo trabalhado como jornalista em Moscou e corretor na bolsa de valores londrina. Porém foi com o estouro da Segunda Guerra Mundial que sua vida realmente lhe ajudou a delinear seu futuro. Fleming tornou-se um agente secreto britânico ao ajudar a criar uma operação com o intuito de desinformar os nazistas, implantando informações em documentos secretos.
Com o fim da guerra, Ian Fleming começou a escrever um livro sobre suas tentativas frustradas em jogos de azar, no período em que ficou em Portugal durante a guerra. O livro foi lançado em 1953 com o título: Cassino Royale (que anos mais tarde veio a se tornar um filme no qual falarei mais) e seu personagem principal foi baseado em suas próprias aventuras como agente e em Dusko Popov, um agente-duplo sérvio que ele havia conhecido em um cassino em Estoril. Popov era famoso por sua vida boêmia e por estar sempre acompanhado de belas mulheres.
Em sua primeira missão literária, o espião James Bond é humano e passível de erros. Ainda dando seus primeiros passos na organização, tendo ganho recentemente o seu cargo como duplo-zero, onde lhe é concedida a licença para matar. Famoso entre seus superiores por ser um exímio jogador de Baccaratt, é enviado a Montenegro para enfrentar Le Chiffre, um tesoureiro de perigosos comunistas e o embate será travado numa mesa de jogo no Cassino Royale.
Em 1954, Fleming escreveu o segundo livro com o personagem: Live and Let Die (Os outros que se danem / Viva e Deixe Morrer), onde Bond enfrenta o criminoso Mr. Big, o rei do Harlem, gueto negro de Nova York.
Já mais desenvolto em sua segunda incursão, o agente encara práticas de Vodu e misticismo enquanto tenta salvar uma cartomante do controle possessivo de seu mestre. Neste livro, já se encontra o ritmo frenético característico das obras futuras de Fleming. Destaque para a seqüência no mar com tubarões, que foi utilizada posteriormente nos filmes do agente.
Em 1955 e 1956 respectivamente, o escritor criou: Moonraker (Foguete da Morte) e Diamonds are Forever (Diamantes são eternos), ambos bem intencionados, porém fracos em suas execuções.
A obra-prima veio a aparecer em 1957, com a aventura entitulada: From Russia with Love (Espionagem: A Rússia põe o amor a seu serviço/ Moscou contra 007). A obra era dividida em duas partes, sendo os primeiros onze capítulos focados apenas no assassino Red Grant e na organização criminosa SMERSH. Com um final bastante ousado, com uma provável morte do herói, Ian Fleming garantiu seu posto como um dos mais influentes escritores daquela década. Seu sucesso era tão grande que em 1961, o então presidente dos Estados Unidos John Kennedy revelou que “From Russia with Love” era um de seus livros favoritos. Este acontecimento foi o estopim para um súbito interesse da indústria cinematográfica em acolher este fenômeno literário e dar-lhe novos ares.

O INICIO DA CARREIRA DO AGENTE NO CINEMA




007 Contra o Satânico Dr. No ( Dr. No , 1962)

A dupla de produtores Albert R. Broccoli e Harry Saltzman captaram a essência das obras de Ian Fleming e inseriram toques geniais, como o “cano da arma” no início de cada filme, a seqüência inicial tensa que leva a um final em suspense seguido por um magistral título colorido e povoado de belas silhuetas femininas, criada por Maurice Binder. Assim como a bebida favorita do agente, sua Vodka-Martini “shaked but not stirred” e acima de tudo sua famosa apresentação: “Bond... James Bond”.




Para o papel título e a contragosto dos executivos da United Artists, contrataram um ex-motorista de caminhão escocês chamado Sean Connery. Acredito sinceramente que sem a contribuição deste ator, não haveria uma franquia tão lucrativa até hoje. Seu sarcasmo em cena, o charme que ele imprimiu no personagem foi tão marcante que mesmo após várias incarnações, muitos ainda o consideram o melhor intérprete de James Bond.
Para o papel de Honey Rider, jovem ingênua e valente que cruza o caminho do agente, foi chamada uma suíça, filha de diplomata e que procurava sua grande chance, após participar de filmes pequenos e inexpressivos. Ursula Andress entrou para a história ao sair do mar em um ousado (para a época) biquíni branco, munida de um cinturão de couro onde carregava uma faca de caça. Estava iniciada a era das BondGirls.
Para o papel do vilão Dr. No, convocaram Joseph Wiseman que foi bastante elogiado pela excentricidade e ar exótico que incutiu ao personagem, uma moldura para todos os futuros vilões da cine-série.
A história seguia de perto a trama do livro homônimo de 1958, com poucas mudanças significativas.
007 é enviado à Jamaica para investigar o desaparecimento misterioso de John Strangeways , um membro do serviço secreto , e de sua secretária. As pistas levam-no à ilha de Crab Key , onde um inescrupuloso cientista utiliza-se da inocência e ignorância do povo , que foge de medo ao ver seus “dragões” pilotados , para poder utilizá-los como escravos. O espião contará com a ajuda do agente da CIA Felix Leiter e de um nativo barqueiro conhecido como Quarrel.
A direção ficou a cargo de Terence Young, um cineasta britânico que imprimiu elegância em cada cena, aliás foi o elemento no qual Connery se inspirou para criar vários trejeitos de James Bond. Young conseguiu pegar um roteiro simples e transformar em algo eterno. Dirigiu mais dois filmes da série (From Russia with Love, 1963 / Thunderball , 1964) e faleceu em 1994 após um ataque cardíaco. Sem dúvida, foi co-criador do mito 007.



Muito do sucesso deste primeiro filme deve-se a sua música tema criada por Monty Norman. O James Bond Theme figura na lista dos mais famosos temas instrumentais da história do cinema e criou uma tendência que até hoje é utilizada quando se fala em composições harmônicas para filmes de espionagem.
Entre as cenas inesquecíveis do filme, o embate entre James Bond e uma tarântula venenosa que o acorda no meio da noite é um ponto alto.
O sucesso desta produção modesta (orçamento abaixo de 1 milhão de dólares), um dos filmes da série mais elogiados pela crítica, garantiu mais verba ao próximo capítulo da saga de 007 no cinema.

NOTA : 8,5 / 10

Moscou Contra 007 ( From Russia with Love , 1963 )

Neste filme, a gênese de 007 torna-se completa. Com a inclusão do personagem Q ( vivido em dezesseis filmes por Desmond Llewelyn ), um armeiro da organização MI6 que oferece ao nosso herói as últimas novidades do ramo tecnológico, as famosas “gadgets” que sempre salvam 007 no último segundo. Seus flertes com a secretária Miss Moneypenny ( Lois Maxwell ) consolidam-se como uma marca registrada da série, assim como o primeiro grande vilão faz sua aparição inicial, somente com sua voz e mãos, sempre acariciando um misterioso gato. O grande Ernst Stavro Blofeld tornou-se o vilão símbolo de James Bond. Líder da organização S.P.E.C.T.R.E (variação da SMERSH literária), com a intenção de assassinar o agente 007, ele contrata os serviços de um assassino profissional chamado Red Grant, um frio e calculista homicida que mata utilizando-se de um fio-garrote que puxa de seu relógio. O vilão que inaugurou a galeria de “super-criminosos” foi vivido por Robert Shaw, inglês advindo de papéis Shakesperianos nos teatros da Escócia, onde havia sido criado.
Complementando o elenco, uma atriz austríaca de formação teatral chamada Lotte Lenya, interpreta a oficial russa Rosa Klebb, o cérebro por trás da operação criminosa, abaixo apenas de Blofeld.
Vale salientar também a presença de um grande ator, o mexicano Pedro Armendáriz, em seu último papel no cinema, como o aliado de 007: Kerim Bey. O ator sofria de câncer e suicidou-se dias após a conclusão das filmagens.


Na história, 007 é enviado à Turquia para escoltar de volta à Inglaterra uma secretária da embaixada da URSS em troca de uma máquina descodificadora Lektor.
A BondGirl da vez, Tatiana Romanova, é interpretada pela italiana Daniela Bianchi (por muitos considerada a mais bela entre todas da série). Sua primeira cena com Connery causou frisson na época, pois ela aparece nua por um milésimo de segundo enquanto desnuda-se e deita-se na cama à espera de Bond. Eram outros tempos, a cena hoje em dia não causa nenhum espanto.



Dentre as seqüências de ação, destacam-se a batalha no campo cigano, a perseguição ao agente por um helicóptero (baseada livremente na cena clássica de “Intriga Internacional” de Hitchcock) e o embate final entre 007 e Red Grant. A cena a bordo do Expresso do Oriente foi considerada uma das melhores seqüências de toda a série.
Moscou contra 007 não apenas é muito superior ao seu antecessor, como também é melhor que muitos que ainda viriam. Na minha opinião, o filme mais memorável da série.

NOTA : 10 / 10

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