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6 de out de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 6 : O PERIGOSO DALTON











Na sequência de nosso especial, Roger Moore se despede da franquia 007 e Timothy Dalton assume seu lugar trazendo mais realismo e violência com seu James Bond



007 – Na Mira dos Assassinos ( A View To a Kill, 1985)

Roger Moore estava com 57 anos e havia chegado a hora de sua aposentadoria como o maior agente secreto do cinema. Os produtores Albert Broccoli e Michael Wilson queriam fazer deste crepúsculo algo memorável para os fãs, para tanto não pouparam despesas na escalação do elenco e nos custos de produção.
Inicialmente tentaram escalar o astro David Bowie para o papel do vilão Max Zorin, porém após a recusa do “camaleônico” cantor recrutaram para a tarefa o vencedor do Oscar (por sua atuação em “O Franco-Atirador”, de 1978): Christopher Walken.
No filme, Walken interpreta o nêmesis de James Bond: Max Zorin, industrial excêntrico que fugiu da Alemanha e fez uma fortuna com prospecção de petróleo. O magnata possui um haras onde cria cavalos de corrida, que tornam-se invencíveis a base de medicamentos e engenharia genética. A mesma engenharia que anos antes o criou.
A cantora jamaicana Grace Jones rouba a cena com sua May Day, companheira e ajudante de Zorin.
A produção sofreu um pequeno atraso, pois devido a uma quantidade grande de galões de gasolina deixados pela equipe de filmagem do filme “A Lenda” de Ridley Scott, o estúdio 007 foi praticamente destruído em um incêndio. O bravo Albert Broccoli reconstruiu e rebatizou-o de “Albert R. Broccoli´s 007 Stage”, a tempo para o início das filmagens principais.
Para o diretor John Glen o desafio maior era introduzir doses cavalares de adrenalina que fizessem o público esquecer da idade avançada do herói. Este seria o último filme de 007 para Roger Moore e Lois Maxwell, que interpretou a adorável secretária Moneypenny desde o primeiro filme da série.
A canadense Tanya Roberts, egressa do sucesso televisivo na série “As Panteras” interpreta timidamente a filha de um empresário vítima de Zorin: Stacey Sutton.
Sua BondGirl não acrescenta muito à história e fica ofuscada pelo brilho exótico da vilâ May Day (Grace Jones).
Patrick Macnee, amigo pessoal de Roger Moore interpreta o “fiel escudeiro” de 007: Godfrey Tibbet. Seu personagem não chega a ter a importância de um “Felix Leiter”, mas acrescenta humor ao filme.
Dentre as cenas de ação, vale destacar a solução desesperada de 007 para impedir seu afogamento, quando trancado dentro de um Rolls-Royce é lançado dentro de um rio. Ao perceber que seus algozes Zorin e May Day o observam da margem, o agente desatarracha a tampa de ar do pneu e passa a respirar o ar que sai da câmara.
Outra cena que ficou famosa é a seqüência pré-títulos, onde Bond ao som de “California Girls” dos Beach Boys foge dos russos “surfando” de esqui em plena neve.
A trilha sonora ficou a cargo novamente de John Barry, porém a canção título foi interpretada pela banda Duran Duran. Tudo começou quando o baixista John Taylor, um grande fã da série, aproximou-se de Albert Broccoli em uma festa e perguntou-o: “Quando vocês irão colocar alguém decente para fazer suas canções tema?” Esta ousadia o levou a criar a canção “A View to a Kill”, a primeira canção mais pop a entrar na franquia. O resultado: Um sucesso gigantesco.
O filme rendeu bem nas bilheterias, porém foi um fracasso de crítica. O próprio Roger Moore o considera seu pior filme como 007. O ator muito bem humorado em uma entrevista de 2007 confessou: “ Eu estava apenas uns 400 anos acima da idade necessária para o papel”.
O filme realmente não foi a despedida que Moore merecia. O ator foi o responsável pela longevidade da série, que teria acabado após a saída de Connery. Seu humor simpático e “bon vivant” tornou-se uma marca indelével e ninguém conseguirá imitá-lo. Assim como Connery, Moore criou um 007 inesquecível para os fãs.

NOTA : 7,5 / 10

Veja o Trailer:




007 – Marcado Para a Morte ( The Living Daylights, 1987)



Após a saída de Roger Moore, os produtores não sabiam que rumo tomar para continuar a saga cinematográfica do agente secreto 007. Inicialmente tentariam realizar uma história de origem, esquecendo os filmes anteriores e focando-se nos primeiros anos de James Bond no MI6. Com o tempo perceberam que seria uma arriscada decisão e preferiram manter a seqüência da franquia, porém saberiam que teriam que injetar sangue novo na produção. Uma nova conduta.
O primeiro passo foi a seleção da nova cara de 007 no cinema. Dentre os atores testados estavam Sam Neill e Pierce Brosnan. O segundo não pôde assinar o contrato pois estava filmando a série de televisão “Remington Steele”, porém o destino viria a lhe dar uma segunda chance em breve.
Os produtores voltaram suas atenções para o ator galês de formação shakesperiana Timothy Dalton. Sua disciplina e dedicação o levaram a ler todos os livros de Ian Fleming e tentar recriar com perfeição o agente imaginado pelo autor. Sua maneira de atuar trouxe densidade e humanidade ao personagem, o que elevou a série a um novo patamar.
Os responsáveis pelo marketing do filme aproveitaram a chance e utilizaram o slogan: “Dalton é perigoso” em vários trailers.
Na história, 007 é encarregado de dar cobertura a um alto oficial da KGB, Georgi Koskov (interpretado por Jeroen Krabbé), que planeja fugir para a Inglaterra durante um concerto. Uma das violinistas, uma loira misteriosa ( Maryam D’Abo) chamada Kara Milovy tenta assassiná-lo, porém tudo trata-se de um plano para auxiliar a deserção de Koskov.


A trama intrincada envolve a organização secreta SMERSH (Smiert Spionam, que significa “Morte aos Espiões”), um grupo, restabelecido por um general chamado Leonid Pushkin( John Rhys-Davies), de extermínio de inimigos do governo soviético que existiu nos anos 60.
Além de Koskov e Pushkin, o filme conta ainda com mais dois vilões: Um ex-mercenário no Congo Belga, Brad Whitaker (Joe Don Baker), fanático por recriações de batalhas históricas e o frio assassino mudo (como de costume) Necros, interpretado por Andreas Wisniewski. Sua característica: Eliminar suas vítimas ouvindo a mesma música ( “Where has everybody gone?”, cantada por Chrissie Hynde) em um walkman.
A produção traz também uma nova Moneypenny, a eterna secretária de M é interpretada agora por uma jovem Caroline Bliss, que manteve-se no papel no filme seguinte.
Outro elemento icônico que retorna às telas é o famoso automóvel Aston Martin. A fuga espetacular que ele proporciona neste filme está na lista das melhores cenas da série.
Comprovando a intenção de “recomeço” proposta pelos produtores, outro personagem importante foi resgatado do limbo cinematográfico: Felix Leiter (interpretado desta vez por John Terry), o agente da CIA que sempre ajuda 007 esteve em cinco filmes: “Dr. No”, “Goldfinger”, “Thunderball”, “Diamonds are Forever” e “Live and Let Die” . Seu retorno após 14 anos é mais que bem vindo! Sua importância é mais latente na próxima produção, onde seu destino é a força que conduz toda a trama.
O talentoso diretor John Glen teve com este projeto a sua primeira oportunidade de, literalmente, elevar a qualidade das cenas de ação no filme. Nada que já havia sido feito se compara ao delírio visual da seqüência de batalha aérea entre Bond e Necros. A cena onde 007 e o vilão ficam pendurados na carga transportada por um velho avião é um marco na série.
O compositor John Barry fez sua última aparição na franquia em uma trilha original e criativa. Pela primeira vez, seqüências eletrônicas haviam sido combinadas com a orquestra, um processo inovador para a época. Acompanhando a tendência criada pelo filme antecessor, o grupo pop norueguês A-Ha teve a responsabilidade de gravar a música-tema. Outra inovação na franquia foi a inclusão de uma segunda canção-tema, que seria utilizada nos créditos finais: “If there was a man”, cantada por Chrissie Hynde. Esta tradição seria levada adiante nos filmes subseqüentes.
“007 – Marcado para a Morte” foi recebido com aplausos pela crítica e público, evidenciando um audacioso 007 para um novo mundo em tons de cinza, um lugar onde os vilões não estavam tão visíveis e onde só haveria lugar para um agente secreto frio e calculista.
Timothy Dalton interpretou fielmente o agente criado por Ian Fleming, uma mudança brusca para os que haviam se acostumado ao humor simpático de Roger Moore.

NOTA : 10 / 10


Veja o Trailer:



007 – Permissão Para Matar ( License to Kill, 1989)

Utilizando uma cruel seqüência inserida no segundo livro de Ian Fleming: “Live and Let Die”, os produtores decidiram criar para este décimo-sexto filme uma razão consistente para que o agente 007 quisesse rebelar-se contra seus superiores e planejar cuidadosamente um ato de vingança.
No filme, o traficante de drogas latino Franz Sanchez (interpretado magistralmente por Robert Davi) seqüestra o amigo de Bond: Felix Leiter (interpretado por David Hedison) que havia acabado de se casar. Após assassinar a esposa, Sanchez sadisticamente assiste a um indefeso Felix, incapaz de se mover por estar com as mãos amarradas e sustentadas por um cabo de aço, ter suas pernas destroçadas lentamente por tubarões.
Disposto a vingar o amigo, Bond pede demissão do MI6, perdendo sua licença para matar e parte sozinho para enfrentar Sanchez e sua quadrilha de mercenários.
A maneira encontrada pelo agente é infiltrando-se na organização do vilão, ganhando lentamente sua amizade e confiança, para que no momento certo possa agir, sem piedade.
Impossível imaginar uma trama dessas sendo interpretada por Roger Moore ou até mesmo Sean Connery. A importância de Timothy Dalton na franquia é, por algumas pessoas e sem razão, subestimada.



Um jovem e estreante Benicio del Toro interpreta o cruel ajudante do vilão: Dario.
No papel da BondGirl: Pam Bouvier, a belíssima Carey Lowell. Pam é a única informante viva da CIA que conhece os planos do traficante Sanchez. Outra beldade fará parte da limitada lista de amantes do agente: Lupe Lamora (a linda Talisa Soto), amante do vilão, sofre nas mãos de seu “proprietário” e buscará refúgio em James Bond, ajudando-o ao longo da missão.
Este filme possui talvez a dupla mais linda de BondGirls da história da série. Nos dois filmes que Dalton fez, suas conquistas amorosas foram poucas devido ao crescimento das doenças por contágio sexual, porém de qualidade inegável.
A cena de ação mais famosa do filme é uma homenagem à perseguição de carros em Las Vegas do filme: “Os Diamantes são Eternos”(1971). Ao contrário do Mustang vermelho do filme citado, desta vez é um caminhão tanque que irá se movimentar apoiado apenas em duas rodas no clímax da aventura.
A trilha sonora ficou nas mãos de Michael Kamen e a linda canção tema foi interpretada por Gladys Knight. A música dos créditos finais tornou-se um hit na época: “If you asked me to”, cantada por Patti LaBelle.
O orçamento do filme foi de 40 milhões de dólares e a arrecadação nos Estados Unidos não conseguiu superar o orçamento, faturando apenas 34,7 milhões de dólares. Muitos creditaram este fracasso comercial ao tom realista e violento que os produtores incutiram no filme.
Eu considero “007 – Permissão para Matar” um dos melhores filmes da série, pleno em aventura e suspense, com um agente secreto obstinado e interpretado com paixão por Timothy Dalton.
Após o filme, ocorreram problemas legais entre os produtores e os detentores de direitos autorais sobre a obra de Fleming, o que veio a atrasar a produção do terceiro filme com Dalton. Após uma espera de cinco anos, o ator não quis mais esperar e decidiu rescindir seu contrato (que valia para três filmes).
Com todos os problemas que a franquia estava passando, a saúde do produtor Albert Broccoli, que sofria de problemas cardíacos, se deteriorava, tornando-o incapaz de conduzir a série.
Um longo hiato de seis anos fez com que os fãs acreditassem que a franquia de 007 havia visto seus últimos dias, porém James Bond estava apenas recarregando sua Walther PPK...

NOTA : 9,5 / 10

Veja o Trailer:

Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler a primeira parte, aqui para ler a segunda, aqui para ler a terceira, aqui para ler a quarta e aqui para ler a quinta.

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