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28 de out de 2008

DOSSIÊ 007 – PARTE 9 : CONTRA TUDO E TODOS










James Bond retorna aos cinemas com muito mais ação, realismo e a polêmica escalação de Daniel Craig para dar sangue novo a 007


007 – Cassino Royale ( Casino Royale, 2006 )

Após os erros cometidos na última década, os produtores perceberam que haviam exagerado na quantidade de pirotecnia e efeitos especiais (especialmente em “Die Another Day”) e decidiram então realizar o próximo filme da velha maneira, com o valoroso uso dos dublês e ótimas idéias.
Para se juntar a Neal Purvis e Robert Wade, foi chamado o talentoso roteirista e diretor Paul Haggis. Juntos iriam ajudar a levar a primeira história criada por Ian Fleming para as telas.
O primeiro grande problema da produção foi a saída de Pierce Brosnan. Uma longa lista de atores foi especulada como sendo possíveis 007. Nomes como Clive Owen, Hugh Jackman e Eric Bana, porém a escolha final dos produtores foi tida como muito arriscada e execrada por uma platéia de fãs descontentes.
Para a direção, escolheram Martin Campbell, que já havia feito um ótimo trabalho no primeiro filme de Brosnan, “Goldeneye”.
Assim como Timothy Dalton, o novo James Bond também estava dedicando-se de corpo e alma ao projeto, afirmando ter lido todos os livros de Fleming e se baseado em dicas dadas por reais agentes do serviço secreto britânico.
O escolhido para o papel foi o inglês de 36 anos Daniel Craig. Sobre o personagem, o ator disse na época:
-“Bond é um assassino, você consegue ver em seus olhos imediatamente. Do tipo que entra em um quarto e muito sutilmente checa o perímetro, procurando uma saída. Este foi o tipo de caracterização que eu queria.”
Em 14 de Outubro de 2005, os produtores confirmaram o nome de Craig em uma coletiva de imprensa realizada em Londres. Foi o início de uma campanha de extremo mau gosto e preconceituosa contra o ator.

Muitos fãs rejeitaram a presença de Craig, sem mesmo ter visto um minuto de filme. Protestos se seguiram e inclusive um boicote foi organizado.
Para os fãs, muitas foram as razões para tal descontentamento: Sua alegada feiúra, falta de elegância e carisma.
Durante toda a pré-produção do projeto, um veículo na Internet intitulado danielcraigisnotbond.com (Daniel Craig não é Bond) soltava fagulhas diariamente atacando o ator, que se mostrava publicamente magoado com o fato.
Porém, acreditando ter feito a escolha certa, os produtores seguiram com o projeto.
A história retirada do livro de 1953 fala sobre a primeira aventura de James Bond após ser concedida a sua licença para matar.
O agente, famoso por ser um ótimo jogador de cartas, é enviado para defrontar-se com um banqueiro terrorista chamado Le Chiffre (interpretado por Madds Mikelsen) em uma rodada de apostas no Cassino Royale.
Para ajudá-lo, uma agente do tesouro chamada Vésper Lynd é enviada a seu encontro. A primeira BondGirl literária e a de maior importância na criação da persona do agente é vivida pela bela atriz Eva Green.
Numa acertada decisão, os produtores decidem manter a talentosa Judi Dench no papel de M, a chefe de Bond. Sua relação com o espião ainda é permeada de conflitos e insegurança, devido a inexperiência de 007.
Ecoando um evento passado, um Felix Leiter negro é escolhido (o primeiro havia aparecido no filme não-oficial: “Nunca Mais outra Vez”), sendo interpretado por Jeffrey Wright. O agente da CIA estará presente na partida de Pôquer e ajudará Bond.
Outro nome de peso no elenco é o do italiano Giancarlo Giannini como René Mathis, o contato de 007 em Montenegro.
Um ponto interessante é a criação de uma organização ainda sem nome, porém de grande porte e que está por trás de toda a vilania apresentada no filme. Acredita-se que no próximo projeto, mais será descoberto a respeito das reais intenções da mesma.
Desde seu acelerado início em preto e branco, passando pela perseguição a pé mais bem filmada de todos os tempos, até o final apoteótico e humano, o filme transborda adrenalina e emoção.
Daniel Craig aparenta ser um lutador de luta livre em comparação com Sean Connery, porém a mudança é entendida se percebermos a real intenção dos produtores e de Martin Campbell: Mostrar a transformação de uma pedra bruta em diamante, cortando as arestas sem piedade.
O recém estreante 007 de “Cassino Royale” não dá importância a qual bebida tomar, contanto que mate sua sede. Porém o maior erro que irá cometer será o de se apaixonar. Este evento e suas conseqüências irão moldar indelevelmente o caráter do espião, levando-o a dar o primeiro passo rumo ao agente secreto visto nos filmes de Connery.

A ausência de elementos fundamentais da série, como o personagem Q e a secretária Moneypenny irritaram muito os fãs mais devotos da franquia. É preciso se entender que esta “fase” representa mais um degrau na evolução do personagem. Não quer dizer que nunca mais se farão filmes com o 007 clássico, apenas que os produtores decidiram dar um passo atrás como que um respiro final antes do salto. Com esta decisão, não só conseguiram trazer novos fãs à série, como também abriram um leque de oportunidades nunca antes abordadas.

Além dos avanços realizados narrativamente, uma seqüência de ação no filme entrou para o livro dos recordes: O clássico Aston Martin tentando evitar uma tragédia, rodopia sete vezes no ar antes de chocar-se definitivamente no chão.
A trilha sonora foi entregue nas mãos de David Arnold e a canção-tema foi composta e cantada por Chris Cornell, a ótima: “You Know my Name”.
Numa citação da canção: “O sangue mais frio corre pelas minhas veias,... você sabe meu nome!” Uma letra inspirada e que provavelmente entrará na lista das preferidas dos fãs.
Para simbolizar a criação do personagem, a “Bond theme” não aparece durante o filme inteiro, apenas em seu final, quando James Bond aprende com alguns erros e amadurece a duras penas.
O filme estreou em 14 de Novembro de 2006 com ótima bilheteria, quebrando os recordes do filme anterior com facilidade.
Após a estréia, tanto os críticos quanto a maioria dos fãs foram unânimes: Daniel Craig representou muito bem o papel. O ator foi inclusive alvo de comparações com o lendário Sean Connery.
Acredito que muito do sucesso e da garra que Craig apresenta na tela venha de seu próprio orgulho ferido. Poucas vezes na história do cinema, um ator teve a chance de dar a volta por cima e provar seu talento de maneira tão inusitada e gloriosa.
“007 – Cassino Royale” foi eleito por muitos críticos como um dos melhores filmes do ano e garantiu a continuação. Daniel Craig iria voltar em 2008, já redimido e querendo mais...

NOTA : 10 / 10


Veja o trailer de Cassino Royale:



Perdeu o início do nosso especial sobre 007? Então clique aqui para ler: Dossiê 007 -parte 01, Dossiê 007 -parte 02, Dossiê 007 - parte 03, Dossiê 007 - parte 04, Dossiê 007 - parte 05, Dossiê 007 - parte 06, Dossiê 007 - parte 07 e Dossiê 007 - parte 08.

Relembre algumas músicas temas de 007. Clique aqui

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