Top Ad 728x90

7 de out de 2008

MUITO MAIS QUE UM HOMEM BOM











Buscando inovar na escolha de seus personagens e fugir dos esteriótipos criados por Hollywood, Viggo Mortensen contou ao Vertigo Pop como foi atuar em Um Homem bom e a parceria com o diretor Vicente Amorim

Como você foi convidado a fazer este filme e o que o atraiu no personagem?
Viggo: Após “O Senhor dos Anéis” fui convidado a fazer muitos papéis de “espadachim” em filmes de qualidade duvidosa, fazer o mesmo papel...é como a indústria funciona. O que me atraiu a este personagem: John Halder é que o achei muito interessante, era alguém que estaria presente em quase todas as cenas. Eu me entendi muito bem com o diretor, as nossas idéias convergiam sobre os paralelos do filme com o nosso tempo atual.

Porque decidiram realizar o filme na língua inglesa e não na Alemã?
Viggo:
O sotaque neutro britânico retira a possibilidade de possíveis distrações ao que se diz na tela. São as pessoas e os eventos que são importantes, não a forma de se falar. A atenção aos detalhes foi essencial, pois eu fiz questão de que não apenas “o que escrevia no quadro-negro” era em um alemão correto, mas também que a “escrita” de Halder fosse correta para o período, para sua posição, as roupas e livros, tudo era exatamente alemão como os alemãos são.

Como foi encontrar o tom certo para a interpretação do personagem?
Viggo:
Bem, primeiro quis que ele fosse crível (risos)... quanto ao tom e ressonância, como ele se comporta e interage com outras pessoas, eu não busquei tanto, pois seria, como se diz nos Estados Unidos: Colocar o carro na frente dos cavalos, não faria sentido. Então para mim começou ao fazer as pesquisas, lendo tudo que podia para depois “jogar fora”, para assim obter uma mente aberta quanto aos inesperados que podem ocorrer. Por exemplo, eu não planejei que houvesse um piano no quarto de meu personagem. Porém eu estava no hotel com vontade de tocar piano, pois estava ouvindo a Mahler e outros concertos antes de começar as filmagens. Pedi que levassem um piano para que eu pudesse tocar, e então depois me disseram que não tinha piano (risos)... perguntei sobre a possibilidade de colocarem um pequeno piano no meu quarto. Foi engraçado encontrar um idoso senhor, que inclusive participou do filme rapidamente. Ele “afinava” pianos e consertava-os para ganhar um dinheiro extra. Eu fui até sua casa, era bem pequena e cheia de pianos, até na cozinha (risos)...e ele me disse que havia um que eu podia ficar, um dos anos 50, um piano russo. Sua dona era uma japonesa que vivia em Budapeste, então falei com ela ao telefone. Ela me alugou o piano por dois meses e eu pensei: Ótimo, não ficarei aqui por mais tempo que isto! Alguns amigos me ajudaram a pô-lo em um caminhão e levá-lo até o meu quarto. Estávamos no início das filmagens e eu comecei a tocar um pouco o piano, enquanto pensava em ler o script e depois ir pra cama. Não consegui, continuei tocando e todas as noites eu fiz isso. O que quero dizer é que isto não estava planejado, foi inesperado. Acredito que ao tocar este piano, não sei como, eu acertei o tom para a maneira que interpretei o personagem, há um estranho ritmo musical em John Halder, que seria muito diferente caso eu não tivesse passado pela situação do piano. Não sei se respondi sua pergunta...talvez de uma maneira muito complicada (risos).

Minha cena favorita no filme é quando seu personagem se olha no espelho usando a vestimenta nazista. Você poderia citar alguma cena ou momento favorito no filme?
Viggo: Não sei se teria um, mas acredito que esta tenha sido uma boa cena. Gosto da maneira que foi feita, com muito bom gosto porém ao mesmo tempo não. Muitas coisas estão acontecendo naquele momento, foi um daqueles momentos onde o personagem sabe que não está agindo certo, não é justificável. É um momento crucial, onde ele poderia ter feito a diferença, algumas escolhas mesmo que difíceis, porém não impossíveis. Escolher uma cena favorita é como escolher qual de seus filhos é o favorito...existem cenas pequenas que acho geniais, como por exemplo: Quando sua mãe e ele estão sentados fora de casa e a maneira a qual lhe pergunto se ela quer mais água, cerveja ou um café (risos)...e mesmo com a negativa dela, quando o garçom aparece perguntando o que queremos, ela dá um olhar e diz bem baixo: Água...(risos) Acho que há algo na maneira de filmar esta cena, o Vicente não ter cortado-a, é um momento muito legal. São estas pequenas coisas, emocionais e ricas que se é preciso ter cuidado ao editar o filme, deve-se preservar estes momentos. Muitos diretores perdem, pois não percebem que são estes os momentos que ficam com você após se assistir o filme.

3 Comentários:

Top Ad 728x90