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1 de out de 2008

O RUGIDO DA LEOA ARGENTINA










Leonera, drama de diretor argentino Pablo Trapero, mostra Rodrigo Santoro mais uma vez em ótima forma



O diretor argentino Pablo Trapero traduz em imagens um sentimento que é inerente a todas as mulheres: O instinto de proteção materno.
A história é simples porém muito eficiente e o elenco consegue fazer da experiência de se assistir este filme, uma catarse emocional que prende do início ao fim.
Uma jovem universitária de 25 anos é acusada de tentar assassinar dois homens: Seu namorado e o amante dele.
O roteiro não soluciona o mistério, deixa a conclusão para o público: Seria a jovem responsável pelo crime ou, como ela alega, os dois teriam tido uma violenta briga passional. Trapero não subestima seu público em nenhum momento.

Na prisão, a jovem grávida sofrerá as agruras do sistema carcerário enquanto tenta criar seu filho da melhor forma possível. Para tanto receberá a ajuda de uma outra prisioneira: Marta (Interpretada por Laura García) que, diferente de seu antigo namorado, irá manter-se fiel à amiga, mesmo nas horas difíceis.
Não há elogios suficientes que possam ser dados à belíssima atuação de Martina Gusmán. Sua Júlia Zárate é a força motriz pela qual o filme inteiro se sustenta. Seria uma decepção se sua atuação não lhe rendesse pelo menos uma indicação ao Oscar.
O seu desespero ao vislumbrar o futuro de seu filho sendo criado dentro da prisão, quando instintivamente começa a dar socos em sua própria barriga é apenas uma das muitas cenas dignas de aplausos.
Rodrigo Santoro interpreta Ramiro, o egoísta namorado que sobrevive e pôe a culpa em Júlia. Uma maneira cruel de escapar das garras da lei.
Santoro consegue, mesmo nas poucas cenas onde seu personagem tem chance de brilhar, emitir uma emoção sincera. O brasileiro mostra mais uma vez que está tomando as decisões certas lá fora. Leonera realmente inicia quando a mãe de Júlia Zárate (interpretada por Elli Medeiros) retorna à vida da filha e tenta retirar o menino Tomás da guarda da mãe. A cena onde Júlia revolta-se ao descobrir que sua mãe pretende tirar-lhe a guarda do filho, já entrou na lista de melhores cenas do ano no cinema mundial. Neste momento Martina Gusmán mostra todo seu potencial dramático e como uma leoa protegendo sua cria age instintivamente e cria uma rebelião no presídio.
O filme trata dos mais diversos temas, inclusive os mais densos, como o amor homossexual na prisão feminina, o falho sistema judiciário e a importância do amor materno.
Trapero não “tapa a vista” do público, ao contrário, despeja nudez e cenas fortes ao longo da projeção. Porém, por incrível que pareça, a Leonera não nos afasta em repúdio e sim nos prende, emociona e faz pensar.
Um filme muito bom que me deixou com vontade de assistí-lo de novo. Ótimo sinal.

NOTA : 9,0 / 10

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