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3 de out de 2008

RODRIGO SANTORO E O DIRETOR PABLO TRAPERO FALAM SOBRE LEONERA










Aproveitando o Festival do Rio, Rodrigo Santoro, Martina Gusmán e o diretor Pablo Trapero conversaram com o Vertigo Pop sobre o filme Leonera e o clima durante as filmagens do longa



Pablo, porque convidou o Rodrigo Santoro para o papel de Ramiro?


Pablo Trapero: O último filme que havia visto com o Rodrigo, havia sido Caramuru, com Walter Salles. Me interessou trabalhar com Rodrigo. O personagem Ramiro não era um amigo de escola de Júlia, não era nada,era alguém que havia chegado no país a poucos anos, falava espanhol, porém não era sua língua natural,então não haveria porque fazer o personagem com um ator argentino interpretando um estrangeiro. Também achei que Rodrigo formaria um ótimo par com Martina.

Vocês visitaram muitas prisões?


Pablo Trapero: Muitas, durante um ano seguimos trabalhando com meus colegas roteiristas, somos quatro no total e também com Martina, fazendo visitas nas prisões. Conversamos com advogados, assistentes sociais, tentando entender o mundo das presas. Demos a algumas mulheres câmeras fotográficas, perto do momento das filmagens, para que pudessem registar suas próprias realidades, suas visões daquele lugar. Depois então, já de posse de um montão de fotografias, tivemos uma fonte de informação muito boa e que ajudou na realização do trabalho.



Rodrigo, foi pouco tempo de gravação, mas deu pra vocês ficarem amigos, foi divertido?


Rodrigo Santoro: Sim, adorei e estou tentando me vender pro próximo filme dele (risos) estou apelando pra ele. Foi uma experiência sensacional, fora o futebol a gente concorda em um monte de coisas (risos).
Pablo Trapero: O filme todo foi muito interessante, com cenários reais, presos reais e poder trabalhar com Martina, que é minha mulher e mãe de nosso filho, toda a natureza do projeto era muito especial. Foi uma surpresa muito grande encontrar Rodrigo, pois eu já o conhecia de seus filmes. O fotógrafo é um amigo muito querido. Foi um trabalho muito interessante, com muita cumplicidade, com muito carinho.


Martina, como foi sua convivência com as presas?

Martina Gusmán: Foi muito intensa na verdade. Contei-lhes um pouco da história e elas se comprometeram a ajudar.

Você se emocionou em algum momento?

Martina Gusmán: Sim, em muitos momentos. Quando escutei a primeira vez a história,quando assisti o filme a primeira vez. A emoção foi muito forte.

Rodrigo, você se sente representando o Brasil? Você sabe que há essa cobrança.


Rodrigo Santoro: Olha, eu sou brasileiro. Pressão não, eu sinto carinho, um pouco de cobrança sim. Tento não achar que isto é uma responsabilidade, se de alguma forma eu estiver fazendo isso, vejo como trazer alguma coisa boa, de positivo. César Cielo representou o Brasil lá fora e ganhou uma medalha de ouro (risos), isso vale mais para um atleta. Na verdade é bonito quando acontece, mas não fico pensando naquilo, senão a pressão fica enorme e você fala: Pô, não é uma responsabilidade, é uma consequência. Tenho que me concentrar no trabalho que tenho que fazer. Se o sucesso vier, se acontecer de forma positiva eu fico honrado.

Como foi trabalhar com Pablo?

Rodrigo Santoro: O Pablo, que é um diretor que quando conheci o seu trabalho eu adorei. É um trabalho muito bonito que ele faz. Um cinema inteligente, com profundidade. A própria experiência me acrescentou muito. Foi tudo muito rápido, sem muita preparação, em um idioma que eu não domino. Tinha tudo pra me deixar inseguro, porém o Pablo me deixou à vontade. Na hora que entrei no Set, lembrei-me do “Bicho de sete cabeças”, por causa do clima, era uma família a equipe, estava todo mundo absolutamente atento a tudo, as pessoas estão tão mergulhadas na história, suando pra fazerem aquilo. É uma produção pequena e é a paixão pra contar a história que move tudo. Diria que foi muito prazeroso, pela forma com que fui recebido e pelo próprio ambiente. Isso me ajudou a quebrar os poucos obstáculos, pelo menos inicialmente.
É importante ter obstáculos, o desafio, um frio na barriga, enfrentar o desconhecido, essa busca, essa pesquisa. Não estou querendo dar fórmulas não, pelo amor de Deus(risos), estou contando da minha experiência. O Pablo quando falou pra mim: Olha é um personagem que vai aparecer poucas vezes, mas vai pontuar a trama, é fundamental para a história, e toda vez que ele aparecer,ele vai ter que contar muita coisa.Trabalhando com detalhe e sutileza, vamos conseguir algo que não é óbvio.

Apesar do tema do filme ser pesado, a experiência de assistí-lo é, surpreendentemente, agradável. Acredito que muito disso venha das escolhas musicais, como a canção no início. Como foi elaborar isto?

Pablo Trapero: Bom, havia uma situação muito importante, o filme conta uma história muito dura, porém devíamos sentir os personagens: A Júlia, o Ramiro...Foi importante poder manter esta dureza, porém também dar espaço aos espectadores, para que de alguma maneira pudessem desfrutar do filme. Nesse sentido, a música do início era uma maneira de apresentar o filme, a idéia de uma criança que poderia estar mais tarde numa escola, porém acabou vivendo entre as paredes de uma prisão. A seqüência meio que resume todo o filme, esta sensação de contradição, o ritmo alegre da música contrastando com as imagens um pouco fortes. A mesma contradição que sente a personagem Júlia por todo o filme, por um lado, muito dura, ao mesmo tempo muito terna, por amar seu filho...este contraste se encontra na prisão também, que alterna momentos de muitíssima ternura entre as detentas, com momentos terríveis....é um filme sobre o amor, fala do amor de Júlia por Tomás, Júlia com Ramiro, Júlia com Sofia. Não é um filme romântico, mas sobre amor.

Leia a crítica de Leonera
aqui

Veja o trailer de Leonera:

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