Top Ad 728x90

7 de out de 2008

UM NOVO OLHAR SOBRE O NAZISMO











Durante coletiva de imprensa no Festival do Rio, o diretor Brasileiro Vicente Amorim falou sobre seu mais novo filme, Um Homem Bom, em que surpreende ao abordar um tema complexo como o nazismo e revela como foi trabalhar com o astro Viggo Mortensen




Vertigo Pop - Como foi para você, no seu primeiro papel em uma língua estrangeira, tratar um tema como o nazismo?
Vicente:
Foi um desafio para mim, não só por causa do tema mas como também pelo tamanho da produção, uma bem maior: 6 vezes o orçamento do meu filme anterior, mas desde que li o roteiro, que é uma história passada na Alemanha, nos anos 30, com um personagem que se envolve com a ascenção do terceiro Reich, porém é um filme essencialmente sobre amizade e escolhas. A universalidade e atemporalidade do tema me autorizavam de certa forma a poder fazê-lo. As escolhas do personagem do Viggo, são escolhas as quais nos deparamos todos os dias em nossa vida, no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

Vertigo Pop - Como foi sua escalação para o filme?
Vicente:
Quando fiz meu filme anterior “O caminho das nuvens”, ele estreou em Toronto, ele não foi visto por multidões, mas foi visto por bastante gente fora do Brasil, na Europa, EUA e Japão, tendo uma repercussão artística que me deixou muito feliz. A produtora de “Um Homem Bom” estava procurando um diretor que pudesse abordar este assunto de uma forma correta e original. Ela achava que um diretor europeu não seria certo para o projeto, pois traria muitas idéias pré-concebidas e uma bagagem pessoal, sem ser capaz de ter um distanciamento necessário para contar a história com a originalidade que ela pedia. Ela começou a pensar em diretores latinos, pois estamos na moda (risos)... viu “O caminho das nuvens”, gostou e me fez o convite.

Vertigo Pop - Como foi trabalhar com o Viggo Mortensen?
Vicente:
O Viggo estava no topo da minha lista para interpretar o personagem, devido a sua facilidade em interpretar papéis diversos de uma forma sempre bem convincente. Eu havia ficado apaixonado por seu trabalho em “Marcas da Violência” do Cronemberg. Nós nos encontramos em Los Angeles e conversamos durante 3 horas em um barzinho brasileiro de lá (risos)... Trabalhar com o Viggo foi sensacional. Um ator completo. Desde o começo a gente trocou idéias, conceitos e chegamos juntos a uma idéia de como esse filme poderia ser feito. Ele é o tipo de ator que não se preocupa só com o personagem dele, ele se preocupa com o filme como um todo. Ajudou nos aspectos dramaturgos e nos estéticos. Foi uma experiência muito saborosa desse ponto de vista.

Vertigo Pop -Pode nos falar sobre a construção de época?
Vicente:
O filme é passado na Berlim dos anos 30 e um dos nossos maiores desafios, o desafio de qualquer cineasta em retratar uma época é você ser razoavelmente fiel a esta época. Nossa primeira intuição foi procurar ir a Berlim e filmar lá, só que chegamos a conclusão de que a Berlim de hoje é muito diferente da Berlim que nós precisávamos no filme. Decidimos filmar em Budapeste, pois Budapeste parece mais com Berlim do que a própria Berlim...(risos) Parece piada mas é verdade, do ponto de vista arquitetônico. Budapeste trouxe pro filme uma coisa que Berlim não dá mais, pois Berlim foi completamente devastada com o final da segunda guerra.
Quer ler a nossa crítica sobre Um Homem Bom e assistir o trailer? Então clique aqui

3 Comentários:

Top Ad 728x90