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16 de dez de 2008

UM CONVENTO DESLUMBRANTE








A Noviça Rebelde, espetáculo de Charles Möeller e Claudio Botelho que está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande do Rio de Janeiro é um deleite áudio-visual sem precedentes.
A seu currículo, foi adicionado recentemente o prêmio de Melhor Espetáculo Musical em versão brasileira, no evento realizado por uma revista brasileira. Uma consagração mais que merecida.
Se a crítica já se rendeu às qualidades de A Noviça Rebelde, menos não se podia esperar do público, que tem comparecido em massa para ver e rever esta clássica história, complementada pelas lindas canções de Rodgers e Hammerstein em versões inteligentemente adaptadas.
A história real de Maria, uma noviça que é enviada à mansão de um capitão viúvo e amargurado para cuidar de seus sete filhos na época da ascenção da Alemanha Nazista já é mundialmente conhecida. No papel imortalidado no cinema por Julie Andrews, A noviça Maria, uma carioca acostumada aos grandes espetáculos musicais: Kiara Sasso. Sua vida profissional abrange musicais como O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, além de ter emprestado sua voz para alguns desenhos clássicos da Disney, como A Pequena Sereia. Sua presença em cena irremediavelmente nos remete a Julie Andrews, porém Kiara não se esforça em emular Andrews, sendo bastante original em vários momentos.

Interpretando o sisudo capitão Von Trapp, o talentoso ator e cantor Saulo Vasconcelos. Após a saída de Herson Capri, Saulo teve a difícil tarefa de adaptar-se rapidamente a um elenco já entrosado, porém a impressão que fica para os que assistem é que ele já nasceu para o papel.
O maior destaque fica para o inesquecível tio Max, interpretado com maestria por Fernando Eiras. O ator destila uma verve cômica insuperável durante todo o espetáculo, mostrando-se inteiramente confortável no papel do ganancioso tio que ambiciona ganhar dinheiro com o sucesso dos filhos cantores do capitão.
Outro fator que merece destaque é a iluminação. Primorosa e simples, porém ótimas idéias que resultam em pura mágica teatral. Como na seqüência onde um recorte em forma de cruz, sendo iluminado por trás revela um feiche de luz que se mostra no tecido colocado à frente do palco. Coisa de gênio, possivelmente influenciado pela vertente do expressionismo alemão, iniciado no início do século passado.
O cenário é deslumbrante, nos fazendo realmente acreditar que estamos ali, na cena. No céu azul, você vê a nuvem se mexer. Truques muito bem realizados que elevam ainda mais o nível da produção.
Concluindo, o espetáculo é imperdível e com certeza não sairá da cabeça dos que o assistirem. Suas quase três horas de duração passam rápido demais e saímos do teatro felizes, emocionados e cantarolando.
Um presente de Natal inesquecível para ser visto em família.

NOTA: 10 / 10


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