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24 de fev de 2009

OPERAÇÃO OSCAR: ÚLTIMAS CONSIDERAÇÕES

Por Octavio Caruso

A cerimônia do Oscar deste ano prometia surpresas e uma nova atitude, visando melhorar a audiência de anos anteriores.
A escolha de Hugh Jackman como apresentador foi muito acertada, o ator extremamente carismático e multifacetado, além de demonstrar muita segurança no palco, cantou e dançou em um número musical original e divertido, sob a direção de Baz Lurhmann (de Moulin Rouge). O ato fazia referência ao retorno dos filmes musicais à moda, após o sucesso estrondoso de Mamma Mia!. Utilizando-se de referências aos inúmeros filmes do gênero e intercalando trechos de suas canções mais famosas, a seqüência foi digna de aplausos de pé. Jackman fez um dueto com Beyoncé, auxiliados pelo casal jovem do filme Mamma Mia. Uma ótima homenagem ao mundo fantástico do cinema.Outra mudança bem vinda foi a mudança nas entregas dos prêmios principais de melhor ator e atriz e seus coadjuvantes. Ao invés do já datado discurso rápido e cheio de humor lido no dataprompter, sem muita graça, foram mostrados em um telão vários ganhadores dos prêmios ao longo das décadas, sendo que ao final, cinco representantes compareceram ao espetáculo. Cada um falando sobre um indicado, em um texto emotivo, que não raras vezes, trouxe emoção genuína aos participantes.
Para os amantes do cinema como uma arte que vive conosco ao longo da nossa existência é inenarrável poder testemunhar uma lenda como Robert De Niro enaltecer as qualidades de um jovem astro como Sean Penn. Uma “passagem de bastão” nobre, digna da sétima arte.
Outro ponto alto da noite foi a homenagem tardia e merecida ao genial Jerry Lewis com um prêmio humanitário. Por sua vida dedicada ao auxílio às crianças e dedicação ao seu trabalho. O prêmio foi entregue por Eddie Murphy, que revitalizou sua carreira interpretando no cinema o personagem de “O Professor Aloprado”, que Lewis imortalizou em 1963.
Foi muito bom ver que, mesmo enfraquecido pela idade avançada e vários problemas de saúde, Jerry conseguiu recuperar seu peso normal e ainda mantém no rosto o mesmo sorriso que iluminou a infância de muitas crianças de várias gerações.
Com relação aos prêmios em si, não houve muitas surpresas.
Batman – O Cavaleiro das Trevas teve que se contentar com um prêmio técnico de edição de som, muito pouco para uma obra tão bem feita e dirigida. Ao menos foram justos e entregaram o merecido prêmio de ator coadjuvante aos familiares do saudoso Heath Ledger, por sua irrascível interpretação como Coringa. Foi o momento mais emocionante da noite, como já era esperado, com closes em todos os artistas da platéia vertendo lágrimas.
O Curioso Caso de Benjamin Button levou os prêmios de efeitos visuais, maquiagem e direção de arte. Merecia mais, porém foi ofuscado pela necessidade absurda de otimismo dentre os votantes da academia, que preferiram transformar o evento no dia nacional de “Bollywood”.
Não que o filme “Quem quer ser um milionário?” de Danny Boyle seja ruim, mas sem profundidade. Assim como no ano de 76, quando “Rocky – Um Lutador” passou por cima de “Todos os homens do Presidente”, um filme nitidamente melhor.
Além do prêmio maior da noite, Danny Boyle levou também o de melhor direção, roteiro adaptado, fotografia, montagem, mixagem de som e...esta sim, inacreditável, melhor trilha sonora e canção!!?? Nem quando o Eminem ganhou o prêmio com seu rap “Lose Yourself”(do filme “8 Mile”) eu fiquei tão constrangido. Conceder o prêmio máximo à trilha sonora deste filme é jogar no lixo todo o trabalho dos grandes, como Maurice Jarre, Miklos Rozsa, Jerry Goldsmith e John Williams.
No quesito animação, nenhuma surpresa, “Wall-E” venceu sem dificuldade. O mesmo é a melhor animação da década e poderia ter competido ao prêmio de melhor filme, como já aconteceu com “A Bela e a Fera” no passado.
Kate Winslett finalmente levou a estatueta para casa por seu desempenho em “O Leitor” e ainda deixou um recado bem humorado para sua concorrente e recordista em indicações Meryl Streep, dizendo: “Me desculpe Meryl, mas você vai ter que “engolir” esta!”
Na disputa para melhor ator, as apostas recaiam sobre Brad Pitt e Mickey Rourke, porém quem saiu vencedor foi Sean Penn, por seu trabalho como o vereador assumidamente homossexual Harvey Milk. Impossível dizer que não foi merecido, o astro mantém a muitos anos uma posição firme em seus trabalhos e em vida, com um caráter aparentemente inabalável e senso de política. Suas ótimas escolhas profissionais se confirmaram com o prêmio e suas atitudes políticas, com o lindo discurso de agradecimento, o melhor da noite, onde além de falar a favor dos direitos iguais para todos os homens, elogiou o povo, por terem eleito Barack Obama, um cavalheiro de nobres atitudes. Ao final, ainda teve a humildade de citar a força de vontade de seu concorrente Mickey Rourke, dizendo que é bonito presenciar seu retorno ao cinema.
A noite do Oscar refletiu o pensamento do povo americano pós-Obama, uma cerimônia otimista, corajosa e direta. Sem necessidade de alongar-se indefinidamente, Hugh Jackman ao final, agradeceu o público e deu boa noite. Foi uma ótima noite.

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