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30 de mar de 2009

NOVAS FRONTEIRAS PARA STAR TREK


Depois de colecionar fãs na televisão, Jornada nas Estrelas (Star Trek) migra para o cinema buscando o sucesso perdido com o fim da série clássica

Por Octavio Caruso
Com fracos índices de audiência e péssimos roteiros, a série clássica foi cancelada após a terceira temporada. Os fãs teriam que se contentar com reprises cada vez mais esporádicas e o conceito de Roddenberry estaria fadado ao esquecimento.
Porém, após o sucesso estrondoso de Star Wars em 1977, os estúdios de cinema procuravam idéias parecidas, visando uma “fatia” do lucro. Gene Roddenberry chegou a assistir inúmeras vezes o filme de George Lucas e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Spielberg no cinema para obter idéias para o primeiro filme de Jornada nas Estrelas. Percebeu que não poderia mais ater-se aos efeitos especiais acanhados e improvisados dos tempos da série original. Com o recente “boom” de filmes espaciais, os estúdios da Paramount estavam determinados a lançar o filme o mais rápido possível.
Star Trek – O Filme, estreou em 1979, com o mesmo elenco em uma ótima aventura filosófica dirigida pelo mestre Robert Wise (de “O Dia em que a Terra parou” e “A Noviça Rebelde”). Sem muita ação e muitos questionamentos lúdicos, o projeto só obteve reconhecimento entre os fãs do antigo seriado. O próprio elenco queixava-se da tentativa utópica de tentarem ludibriar os efeitos do tempo, fazendo com que os atores, com efeitos de maquiagem, parecessem os astros de outrora.


No mesmo período, o ator Leonard Nimoy havia lançado um livro intitulado: I am Not Spock (Eu não sou Spock), onde tentava se desvincular do personagem e alcançar novos públicos.
O diretor sabia que não poderia existir um filme de Star Trek sem os elementos fundamentais que originaram o sucesso da série e após muitas tentativas, conseguiram trazer de volta o interesse de Nimoy em atuar como o vulcano de orelhas pontudas.
Com uma história complexa sobre uma nuvem alienígena no espaço sideral em busca de seu criador, que destrói tudo em seu caminho e pouca liberdade para os atores, aliado ao esforço em se lançar o projeto o quanto antes, foram determinantes para o fracasso do filme. Como o próprio Capitão Kirk, William Shatner disse posteriormente em seu livro de memórias:
“Tenho de admitir que fui à nossa espetacular premiére mundial eletrizado com a pompa e a circunstância da ocasião, encantado com a tietagem e a atenção da imprensa. À medida que as luzes diminuíam e o filme finalmente começou a passar diante de mim, continuava tão envolvido pelo entusiasmo que sequer notei a lentidão da história. Mais tarde, contudo, livre do smoking e vendo o filme com uma perspectiva um pouco mais honesta, um pouco menos distraída, pensei comigo mesmo: Bom, é isso aí. Demos o melhor da gente, mas não ficou bom e isso nunca mais vai acontecer.”
O diretor e fã da série clássica Nicholas Meyer sabia onde estavam os erros do primeiro filme e decidiu capitanear a segunda incursão da equipe da nave Enterprise em Star Trek 2 – A Ira de Kahn. Neste, o clima da série estava mais presente, com muitas discussões ideológicas e cômicas entre o trio principal e uma carga maior de ação. Isso sem falar na presença de um vilão de peso, interpretado por Ricardo Montalban (reprisando seu personagem do episódio “A Semente do Espaço”). A maquiagem desta vez não tentava esconder os efeitos da velhice e sim, salientar a experiência de cada um dos membros da equipe, como bem é mostrado no início do filme, em uma comemoração do aniversário de 50 anos do capitão Kirk. Nick Meyer sabia que o sucesso do conceito era a interação entre os personagens e o humor advindo disso, não os cenários e batalhas.
Dentre as modificações mais interessantes, a criação de um filho adulto para Kirk trouxeram “calor humano” ao projeto.


O projeto ficou marcado por sua seqüência final, onde Spock se sacrifica pelo bem de toda a tripulação. William Shatner afirmou em seu livro, que se emocionou de verdade ao atuar nestas cenas, pois sua relação com o personagem e sua amizade real com o ator Leonard Nimoy fora das telas chocaram-se com o simbolismo da cena, criando um momento de genuína emoção.
A morte de Spock, uma das condições de Leonard Nimoy ao aceitar o projeto, não foi bem recebida pelos fãs em sua primeira exibição-teste.Como explica o produtor Harve Bennet:
“Ao final da exibição, era possível ouvir o silêncio pesado e fúnebre. Isso me aborrecia. E isso tinha dois motivos: um era meu senso comercial e o outro era minha dedicação à franquia Star Trek. Eu não queria ficar marcado como o cara que acabou com tudo e eliminou qualquer esperança de um Jornada nas Estrelas 3. E ainda havia nosso amigo Leonard, que tinha vivido uma experiência muito prazerosa fazendo esse filme. Eu estava matando alguém que no início podia estar se sentindo feliz em ser morto, mas agora queria voltar e fazer mais um filme.”
Os produtores decidiram incluir então ao final do filme, uma mensagem falada de Leonard Nimoy, citando a frase clássica da série: “Espaço, a fronteira final...”. Havia esperança, afinal.
O filme foi um enorme sucesso de crítica e público e levou os produtores a aceitarem a proposta de Nimoy em não apenas atuar como Spock no próximo projeto, como também dirigir a empreitada.
Como vilões no terceiro filme, foram escolhidos os Klingons, liderados por um quase irreconhecível Christopher Lloyd, como o cruel Kruge.
Star Trek 3 – À Procura de Spock é muito mais que apenas uma maneira de se trazer de volta um personagem e continuar a franquia. O senso de responsabilidade de Kirk é posto a prova, quando ele se defronta com a pior tragédia de sua vida: o assassinato de seu filho e a destruição da nave Enterprise.
O projeto obteve um sucesso considerável, ainda que menor que o filme anterior, mas deixava uma porta escancarada para uma quarta aventura.
Ainda sob a direção talentosa de Leonard Nimoy, “Jornada nas Estrelas 4 – A Volta para Casa”, ficou decidido que desta vez não haveria nada de mortes, lutas, socos, tiros, torpedos fotônicos ou vilão estereotipado, em vez disso, a tripulação da Enterprise lutaria contra o tempo, as circunstâncias e um dilema aparentemente insolúvel.

Baseando-se no conceito dos episódios geniais: “Cidade à beira da Eternidade” e “Amanhã é ontem”, os produtores criaram uma história sobre viagem no tempo, com toques ambientalistas.
Para que o futuro esteja protegido contra uma sonda espacial destrutiva, é preciso que a tripulação volte ao final da década de 80 e consiga trazer para a nave, duas baleias (extintas no futuro), que com o som que emitem dentro do oceano, afastaria a sonda.
O mais divertido foi Nimoy ter deixado seus amigos improvisarem em suas cenas nas ruas de São Francisco.
Como William Shatner explica:
“Star Trek 4 foi aonde nenhum filme da série jamais esteve, agradando a exigente crítica e arrecadando cento e nove milhões de dólares de bilheteria. Boatos sobre uma continuação começaram a surgir.”...”Leonard e eu estávamos almoçando juntos, foi quando Leonard tirou uma idéia do nada e me disse: Sabe...estava pensando numa coisa. Devido ao nosso acordo de favorecimento mútuo, se por acaso aprovarem um novo filme, talvez, se você pedisse, eles te dessem a direção.”... “Na noite de estréia, sentei quietinho no cinema e eu torcia para tudo dar certo e o filme de Leonard ser um estouro. No meio do filme, me vi sorrindo de orelha a orelha. A platéia estava rindo, divertindo-se a valer e aplaudindo com entusiasmo.”
Coube a William Shatner a responsabilidade de continuar o legado da série em seu quinto projeto para cinema. “Jornada nas Estrelas 5 – A Última Fronteira” era um filme sombrio, sem muita ação e cheio de questionamentos filosóficos como o primeiro filme da série. Mais parecia um episódio da série clássica esticado para quase duas horas. Tem seus méritos, porém é uma história fraca, com péssimos efeitos especiais e que só vale pela presença sempre genial do trio Shatner / Nimoy / De Forest Kelley.
Shatner fala sobre o fracasso do filme:
“Apesar das críticas nem sempre favoráveis e dos resultados não muito animadores nas bilheterias, considero uma tentativa válida, embora não muito bem sucedida, de fazer um filme que mostra a evolução dos personagens principais e um comentário filosófico a respeito do desejo humano de acreditar em algo. Quis usar “Jornada nas estrelas” para contar uma história em que nossos bem conhecidos personagens fossem colocados em situações em que nunca tinham estado e levados a questionarem suas crenças e até a confiança que tinham um nos outros. Obviamente o filme não ficou como eu esperava.”
Por muito tempo, os fãs acreditaram que esta teria sido a última aventura da Enterprise no cinema. Porém em 1991, aproveitando as comemorações de aniversário da saga, os produtores divulgaram um sexto filme, anunciada como a viagem final da Enterprise clássica.
Com o diretor de “Star Trek 2”, Nick Meyer no comando, “Jornada nas Estrelas 6 – A Terra Desconhecida” alçou vôo.
A história, que lembrava um pouco a guerra fria, trazia o império Klingon e a Federação interplanetária tentando entrar em um acordo, porém pessoas influentes tentam assassinar o chanceler da conferência de paz e manter o conflito. Para interpretar o general Klingon, Chang, o renomado ator Christopher Plummer.
Ao final das gravações, uma grande celebração foi feita, marcando a última vez que o grupo de amigos formado na década de 60 iriam estar juntos em cena. Gene Roddenberry já bastante debilitado, após dois ataques cardíacos e em uma cadeira de rodas, foi levado a uma sala de projeção para ver o filme completo, saindo extremamente satisfeito e falecendo apenas 48 horas após.
Mais que um simbolismo, a morte de Roddenberry encerrava a era de ouro do conceito de Star Trek.
Mais três filmes foram feitos com a equipe de “Star Trek – A Nova Geração”, todos obtiveram fracos resultados entre o público geral. Em “Generations”, Kirk e Picard (Patrick Stewart) se juntam contra uma ameaça em comum, uma boa premissa jogada fora. A morte inglória de Kirk ao final não ajuda a aumentar o interesse neste projeto.
No primeiro filme solo da nova geração, “Primeiro contato”, os produtores tentam emular a fórmula vitoriosa de “A Ira de Khan”, trazendo mais ação, porém a falta de um vilão imponente e pouco apelo e empatia entre os integrantes da equipe tornam-no bom apenas para os fãs mais devotados.
Com os péssimos “Insurreição” e “Nêmesis”, ao lado do fracasso retumbante da série “Enterprise” que tentava sobreviver na TV, a franquia caminhou a passos largos rumo à morte criativa.

“ Um novo início...”


Após 43 anos de sua estréia na TV, estamos diante de um novo projeto. O produtor e diretor J.J. Abrams decidiu resgatar o conceito original de Gene Roddenberry e realizar um recomeço, mostrando a origem da amizade entre Kirk, Spock e McCoy e suas primeiras aventuras. Nunca antes havia sido abordado esta fase, portanto, J.J. está livre para criar em cima das idéias iniciadas na série dos anos 60.
A primeira coisa que animou os velhos fãs foi a escalação no elenco de Leonard Nimoy, como um Spock idoso que voltaria no tempo e se encontraria com sua versão jovem, vivida por Zachary Quinto. O intuito de tal viagem só virá a tona quando pudermos assistir o filme no cinema, mas devemos confiar em J.J. Abrams. Pelo que podemos constatar pelo trailer (confira aqui), a motivação do diretor é focar nos interesses que levaram o jovem e audaz James Kirk (vivido por Chris Pine) a aceitar a responsabilidade de capitanear a nave Enterprise. Aos mais atenciosos e fãs antigos, pode-se notar referências a episódios da primeira temporada da série clássica. Alguns fatos dos quais havíamos ouvido falar em episódios, porém que poderemos assistir em sua totalidade neste projeto.
O novo filme tem tudo para ser um grande sucesso, pois respeitou o que muitos produtores rejeitaram, o velho ditado: Em time vencedor, não se mexe.
Star Trek é Kirk, Spock, Magro, Uhura, Sulu......Vida longa e próspera!

Confira a primeira parte do especial Star Trek aqui

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