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21 de mar de 2009

UMA JORNADA AO LONGO DO TEMPO


Prestes a ter sua franquia revitalizada nos cinemas, Jornada nas Estrelas (Star Trek) - a série clássica - ainda vive no imaginário de seus fãs


Por Octavio Caruso

“Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve...”

O ex-piloto de aviões e policial Gene Roddenberry inscreveu seu nome na história da ficção científica ao criar o conceito da série de TV Star Trek. Em sua perspectiva não seríamos nós as vítimas indefesas de invasões extraterrestres. Em um futuro distante onde a violência e selvageria foram exterminados, a raça humana sempre buscando a evolução sai de sua “área de conforto” e perscruta o infindável cosmos à procura de novas raças, novos mundos e civilizações. Variadas raças unindo-se em prol do conhecimento.
Hoje em dia a idéia soa boba, porém quando foi idealizada no início da década de 60, era uma maneira ousada de passar uma mensagem, pois o mundo vivia um período caótico. O racismo tomava conta da América, assim como as mulheres ainda lutavam por seu lugar em uma sociedade machista. Roddenberry respondeu inserindo uma personagem negra em posição de destaque na equipe de tripulantes da nave estelar Enterprise, possibilitando o primeiro beijo interracial da história da TV.

A equipe de aventureiros era formada por Uhura (Nichelle Nichols), oficial de comunicações negra, Sulu (George Takei), asiático estrategista e perito em esgrima, Scotty (James Doohan), engenheiro chefe e a tríade principal, que constituíam um dos maiores atrativos da série: Leonard McCoy (De Forest Kelley), também conhecido como “Magro”, oficial médico e a consciência do capitão. Spock (Leonard Nimoy), primeiro oficial e segundo em comando, alienígena Vulcano regido pela razão e lógica, sempre em disputas ideológicas com o coração da equipe, representado pelo capitão James Tiberius Kirk (William Shatner). Corajoso e impetuoso, foi o primeiro jovem oficial a assumir o posto de capitão da frota estelar.
A união da consciência de McCoy, com a lógica de Spock e o coração de Kirk foram os causadores do sucesso popular instantâneo de Star Trek. O foco não eram as batalhas e sim os dilemas nascidos da união entre pessoas tão diferentes e que só tinham em comum a forte admiração mútua e amizade.
A série estreou em 1966 e foi aclamada por fãs fervorosos em círculos de apaixonados por ficção científica. Uma das inovações foi convidar escritores literários de renome no meio “Sci-Fi” para criarem roteiros para episódios da série. Nomes como Harlan Ellison e Theodore Sturgeon, além de Ray Bradbury elevaram o nível da produção a patamares nunca alcançados antes.
A série durou três temporadas, sendo a primeira a que contém o maior número de episódios inesquecíveis. Alguns beiram o brilhantismo e conquistaram prêmios (como o Hugo, o “Oscar” da ficção científica) em festivais do gênero.
Os roteiros misturavam bom humor, com aventura e suspense, driblando o orçamento pífio com muita elegância.
Dentre o que de melhor foi feito na série, os doze seguintes episódios merecem destaque:

“O Ardil Corbomite” (The Corbomite Maneuver)


Quando a Enterprise é apanhada em um conflito mortal com uma nave alienígena desconhecida, o Capitão Kirk deve se utilizar de toda sua habilidade e estratégia para escapar.


“As Mulheres de Mudd” (Mudd´s Women)

A Enterprise recebe um capitão de cargueiro e três belas mulheres, que mexem com a cabeça de todos os homens a bordo, mas elas se utilizam de uma droga poderosa que mantém suas aparências joviais. Neste episódio surge o primeiro grande vilão da série: Harry Mudd. O personagem voltaria a aparecer em um episódio inferior na segunda temporada.

“O Inimigo Interior” (The Enemy Within)

Um acidente de transporte separa o capitão em duas pessoas, um gentil e outro inescrupuloso. William Shatner se diverte interpretando estas duas facetas de seu personagem. Foi neste episódio que Spock utiliza pela primeira vez seu “toque neural vulcano”, uma maneira pacifista de terminar uma discussão.

“Tempo de Nudez” (The Naked Time)
A tripulação é infectada por um vírus alienígena que acentua as emoções e desejos mais selvagens. Uma genial parábola aos malefícios do álcool.

“O Equilíbrio do Terror” (Balance of Terror)
Eloqüente discurso contra o preconceito, mostrando a primeira aparição dos vilões romulanos.

“O Punhal Imaginário” (Dagger of the Mind)
A Enterprise investiga uma colônia penal, onde o diretor se utiliza da neutralização neural no tratamento com os presos. Uma discussão efetiva sobre os limites da ética psiquiátrica.

“A Consciência do Rei” (The Conscience of a King)
O capitão Kirk suspeita que um renomado ator de uma companhia de teatro visitante a bordo da nave foi um notório assassino em massa. Inspirado nas tragédias de Shakespeare.

“A Coleção - Partes 1 e 2” ( The Menagerie 1 / 2)
Único episódio duplo da série, que utiliza-se de cenas filmadas para o primeiro episódio piloto realizado pra série, ainda com o ator Jeffrey Hunter como o capitão Pike, antecessor de Kirk na ponte de comando.

“Amanhã é Ontem” (Tomorrow is Yesterday)
Kirk volta ao passado, na década de 60, para impedir que uma investigação militar sobre a tripulação do futuro altere a história da Terra.

“A Hora Rubra” (The Return of the Archons)
Crítica às religiões que controlam as ações de seus seguidores.

“Semente do Espaço” (Space Seed)
A Enterprise encontra uma nave criogênica do século 20 e recebe um líder militar geneticamente modificado que planeja tomar o controle da nave: o terrível Khan (vivido por Ricardo Montalban).

“A Cidade à beira da Eternidade” (City on the Edge of forever)
O dr. McCoy inadvertidamente altera a história, apagando a federação da existência e o capitão Kirk e Spock precisam voltar no tempo para tentar remediar o problema. Considerado por muitos fãs o melhor episódio de toda a série.



Muitas das criações feitas para a série e consideradas na época como ficção científica, hoje em dia tornaram-se utensílios comuns, como os telefones celulares. Gene Roddenberry profetizou que as inovações tecnológicas trariam sua parcela de malefícios, como em vários episódios onde o computador mestre toma o controle de uma população.




Com o sucesso da série, outros projetos foram criados na tentativa de emular a empatia com o público. Uma série animada fez pouco sucesso e durou apenas 22 episódios, o mesmo não se pode dizer de Star Trek – A Nova Geração.
Após a equipe da Enterprise alçar vôo no cinema (como será melhor explicado na próxima parte do especial), os produtores criaram uma nova equipe, liderada pelo ator Patrick Stewart, como o capitão Jean-Luc Picard.
A série foi ao ar em 1987, sendo baseada parcialmente em elementos não utilizados na série clássica, porém tentando manter a química entre os membros da equipe, grande ponto forte do grupo de Kirk.
O capitão Picard era bastante diferente de Kirk, mais austero, menos fleumático. Com o tempo, conseguiu arrebanhar um grande número de fãs.
Os outros membros não conseguiram impingir o carisma de Spock, McCoy e Sulu. A única exceção talvez seja o andróide Data, vivido por Brent Spiner.
A Nova Geração durou sete temporadas e continuou seu caminho no cinema, em quatro filmes, que se não são inesquecíveis, ao menos ajudaram a manter a franquia estável.
Em 1993, estreou na TV a terceira série criada a partir do conceito original de Gene Rodenberry: Deep Space Nine.
Centrada numa estação espacial próxima a um planeta massacrado por anos de ocupação militar, a história não conseguiu reter os espectadores comuns e só fez algum sucesso entre os fãs mais devotados da saga. Sem nenhum personagem marcante e enredos sombrios e obscuros, a série durou seis anos e não foi transposta para o cinema.
Com Deep Space Nine no ar e a Nova Geração acabando sua última temporada, os produtores propuseram uma nova série que mantivesse a essência da série clássica. Foi criada Voyager, uma série onde não haveria mais os elementos clássicos, como os vilões Klingons e romulanos, posto que a história se passaria do outro lado da galáxia.
Os produtores decidiram fazer algo inédito na franquia, uma mulher estaria no comando. Nem este mote serviu para salvar a série do fracasso, após sete temporadas agonizantes, Voyager deixou uma ferida aberta na saga.
Por mais que os produtores tentassem criar novas premissas, nenhuma havia sido tão eficaz quanto a primeira.
Em 2001, uma última tentativa foi realizada com a estréia de Enterprise, na tentativa de dar fim a curva descendente nos níveis de audiência.
Já bastante desanimados, a equipe criativa tentou trazer a série para uma época mais próxima da época de Kirk e companhia. Ambientada no século 22, antes da formação da federação unida de planetas, tratava da primeira aventura humana em viagens de longa distância pelo espaço, uma “prequel” das histórias da série clássica.
Nenhum de seus personagens conseguiu cativar os espectadores, sendo a série cancelada após quatro temporadas. Foi literalmente o fundo do poço criativo para os produtores que viam o fim da franquia se prenunciar no horizonte.
Em contrapartida, os filmes feitos para cinema com a equipe da Nova Geração (que serão analisados na próxima parte do especial) amargavam fracassos de bilheteria e críticas desastrosas, dando um futuro incerto e nada promissor à franquia estelar criada por Gene Roddenberry.
O mundo alternativo de Star Trek engloba, além das cinco séries criadas a partir da original e seus filmes para cinema, uma extensa linha de quadrinhos que continuam sendo realizados.
Apesar do desgaste na franquia, o apoio dos fãs (os famosos “Trekkies”) continua fervoroso, nas muitas convenções realizadas nos quatro cantos do mundo. Pessoas que se vestem como seus personagens favoritos, conversam em dialeto Klingon e propagam acima de tudo a mensagem subliminar existente no original de Roddenberry, que muitos produtores da série não souberam captar ao longo dos anos, que em Star Trek ele criou um mundo onde o soar de um tiro “feiser” só é escutado após todas as medidas cabíveis terem sido tomadas. Um mundo evoluído intelectualmente, onde os argumentos valem mais que batalhas, muito distante das guerras espaciais que George Lucas criaria na década de 70.

Continua.....

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