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14 de abr de 2009

EM BUSCA DA QUALIDADE PERDIDA

Autor experiente, Lauro César Muniz estréia sua nova novela, Poder Paralelo, buscando sair da mesmice, que segundo ele, a teledramaturgia se instalou


Por André Moreira

O que lhe preocupa atualmente no cenário das novelas brasileiras?


Eu estou preocupado em geral. Porque houve uma concessão muito grande. Todo mundo cedeu aqui, ali. Com isso as novelas ficaram pobres, ficaram limitadas. Todo mundo tá falando, todo mundo tá reclamando, os autores, os atores. E o momento é esse de virar, voltarmos a fazer novelas preocupados com as raízes, preocupados com o dia a dia, entrar mais profundamente nos sentimentos humanos, nas relações de casais, de honestidade. Toda gama que a natureza humana tem, sem brincar muito. Claro que o humor é delicioso e Poder Paralelo vai ter humor, mas nós temos que ser mais contundentes.
Porém, acho que existem novelas muito boas, como Vidas Opostas, por exemplo.


Acha que isso é um reflexo do Ibope? Pela busca da audiência?

É. Tá tudo só em função do ibope. A gente (autores) quer estar a frente do telespectador e não a reboque dele. O telespectador não pode conduzir o nosso trabalho. Ele é que tem que acompanhar as nossas propostas. É diferente. Então a gente tem que correr riscos sim. Vamos fazer novelas mais densas, mais sérias. Correr riscos é bom. Acho que não existe tentativa de arte sem correr riscos. A novela fica sempre no parque de diversões apenas e está na hora da gente sair do parque de diversões e ir pro mundo real.



Quais seus atores preferidos?

Aqui na Record me identifiquei muito com o trabalho do Gabriel (Braga Nunes) e da Paloma (Duarte). Adorei trabalhar com atrizes como a Adriana Garambone e a Bete Coelho. Pôxa, é muito bom reencontrar essas atrizes e atores aqui na Record. O Gracindo Junior que fez Casarão comigo. É muito bom trabalhar com atores com quem a gente tem afinidade. O Gabriel fez muito bem Cidadão Brasileiro, que foi uma novela difícil de fazer, a Record ainda não tinha condições técnicas.

Acha que Cidadão Brasileiro foi uma novela incompreendida pelo público?

Acho que ela não foi compreendida pelos produtores. Acho que ela ficou no meio do caminho. A Record não tinha, como falei, estúdio como tem hoje, computação gráfica, os diretores ainda estavam engatinhando. Agora não. Agora tem diretores sérios, profissionais. Acho que faltou isso no início. Uma coisa normal em uma emissora que está nascendo.


Qual novela sua que acha mais emblemática na sua carreira?

Escalada ou Casarão. São duas novelas que estão muito entrosadas comigo e minha vontade de escrever. Salvador da Pátria também, embora tenha tido uma restrição no final do próprio governo ao tema do Sassá Mutema, a ascenção dele. Mas é uma coisa do passado. Mesmo assim a novela foi um enorme sucesso. Salvador da Pátria deixou uma marca. O Lima Duarte como Sassá é sempre lembrado.
Então nós temos que retomar esse caminho, o caminho da qualidade.

A Globo chegou a lhe sondar para retornar?

Não. Estou muito bem na Record e não tenho planos de sair. Meu contrato vai até o fim dessa novela e depois eu renovo. Eu quero terminar minha carreira na Record.

Acha que que a Record lhe dá mais liberdade?

Até aqui eu tive liberdade e espero que eles não mudem de opiniões.


Então acha que os boatos de intervenções no texto do Tiago Santiago (autor de Promessas de Amor da Record) eram exagerados?

Não quero falar do Tiago.

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