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27 de abr de 2009

RESENHA 2: X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

NAS GARRAS DO CLICHÊ


Um dos filmes mais esperados do ano, X-Men Origens: Wolverine, decepciona e fica devendo aos fãs do mutante invocado


Por Octavio Caruso

Após o terceiro filme da série X-Men, muitos acreditaram que Hugh Jackman não iria mais reprisar o papel que o tornou conhecido no mundo todo, porém o astro retornou às suas origens e com ótima intenção tentou trazer mais dignidade ao personagem que ele, genuinamente, adora.
Infelizmente o resultado final não agrada muito.
Começo dizendo que este filme deveria ser mostrado como um exemplo de como os produtores podem arruinar uma boa idéia, na ambição de pegar uma censura leve e tentando agradar a todos.
“X-Men Origins: Wolverine” atira para todos os lados e erra consideravelmente.
A história (com muitas alterações radicais em relação aos quadrinhos) nos mostra através de quase todos os clichês possíveis a origem do misterioso Wolverine, um mutante aparentemente indestrutível, desde sua infância, passando por suas participações em todas as guerras nas quais a América se envolveu até os momentos que antecedem o início do primeiro filme do grupo X-Men de 2000.
Bom, vamos repassar a lista de erros:
Em um filme sobre o mutante mais violento dos quadrinhos, deve ter bastante sangue,né? NENHUMA GOTA! Nem o mínimo preciso para se manter alguma veracidade.
E quanto aquelas cenas bem manjadas onde o herói furioso olha pro céu e berra: “NOOOO!!!!”? Umas três vezes ao longo do filme!

Essa é para os fãs: Sabem o personagem Gambit? Ele é francês e nos quadrinhos ele desfila várias expressões em seu idioma natal. No filme ele não fala nem uma! Nem um ligeiro sotaque, NADA!
Isso sem falar na exposição desnecessária de personagens que, além de nada acrescentarem à história, desviam o foco da trama principal. Merecem levar o prêmio “Venom” do ano, na categoria: “Aparecemos só para agradar aos fãs”.
Neste momento vocês devem estar se perguntando: “Mas o filme não tem nenhuma qualidade?”
O maior mérito do filme continua sendo a interpretação de Hugh Jackman como Wolverine.
O elenco de apoio infelizmente não brilha. Liev Schreiber como Victor Creed apenas grunhe e franze a testa o tempo todo. Ryan Reynolds e seu Wade Wilson aparece pouquíssimo tempo e quando se transforma em Deadpool, está irreconhecível. Tal qual o personagem “Bane” no execrado projeto “Batman e Robin”, por falta de um bom roteirista, torna-se uma massa deformada muda e tola, porém bastante violenta. Taylor Kitsch interpreta Gambit sem nenhuma profundidade e aparece tão pouco que fica claro para o público que foi um personagem jogado no filme sem preparo, apenas para agradar os fãs mais hardcore.
A direção do sul africano Gavin Hood (de Tsotsi) é comum, no piloto automático, nada a destacar.

As cenas de ação, bastante esparsas e repetitivas. As cenas de batalha entre o herói e Victor Creed, tão bem realizadas nos quadrinhos, tornam-se chatas. É como assistir um desenho animado infantil sobre o dia D.
Infelizmente alguns produtores ainda não aprenderam a lição que Christopher Nolan ensinou em seu “The Dark Knight”.
Um filme sobre um personagem violento e sanguinário, sem sangue. Um roteiro enfadonho e cheio de furos, para agradar o público jovem, acreditando que os adolescentes não tem capacidade de entenderem algo de mais qualidade e requinte.
Após adaptações de quadrinhos como o Batman de Nolan e o Homem-de-Ferro de Favreau, este “X-Men Origins: Wolverine” é um passo para trás na cadeia evolutiva.

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