Top Ad 728x90

12 de mai de 2009

FRIO COMO BUDAPESTE



Por Octavio Caruso

Cinema é feito de grandes idéias? Nem sempre. Já está provado que, mesmo munido de uma idéia fraca ou aparentemente insossa, um diretor de qualidade auxiliado por uma equipe técnica boa, pode transformar o que seria um fracasso em algo espetacular e memorável. O diretor italiano Vittorio de Sica transformou as agruras de um pai de família desempregado à procura de sua bicicleta roubada em um dos mais importantes momentos da história do cinema, no magistral filme de 1948, “Ladrões de Bicicletas”.
Trazendo para o presente, o diretor brasileiro Walter Carvalho que traz na bagagem ótimos serviços prestados como diretor de fotografia de obras como Carandiru, Central do Brasil e Lavoura Arcaica e também co-dirigiu com Sandra Werneck o filme Cazuza – O Tempo não Pára. Ao assumir o cargo de diretor na adaptação da obra de Chico Buarque, Budapeste, ele assumiu riscos, porém não consegue impingir em sua obra o ritmo necessário, tornando o resultado final arrastado e pouco inspirado.
O livro mesmo não sendo uma obra-prima, mostra a saga do ghost writer José Costa (vivido no filme pelo ator Leonardo Medeiros), um eterno insatisfeito com sua vida amorosa, profissional e com seus próprios sonhos. Vive entre Budapeste e Rio de Janeiro, entre suas duas mulheres, entre a busca da felicidade e o desencanto.


Com uma trama confusa, o filme carece de emoção. A única maneira de nos conectarmos a um filme (excetuando-se a obra do diretor Robert Bresson, que tinha um estilo único) é nos importando com os personagens e com a história.
Em Budapeste, mesmo com algumas pequenas cenas de humor, somos carregados em um turbilhão de cenas de sexo (na meia hora inicial chega a se tornar cansativo) pouco refinadas e um clima de seriedade chata.
Um ponto positivo é a atuação maravilhosa de Leonardo Medeiros, que em vários momentos “carrega o filme nas costas”.
A premiada atriz húngara Gabriella Hámori interpreta a interessante Kriska. Além de ser um colírio para os olhos, a moça surpreende em algumas cenas.
Giovanna Antonelli interpreta a esposa Vanda, uma famosa apresentadora de telejornal que presencia a deterioração de seu casamento. Se o tempo que foi gasto nas tórridas cenas de sexo fossem utilizadas para a evolução da personagem e seu relacionamento com Costa, teria sido mais interessante para o filme.
Vale a pena salientar a questão do sexo e sensualidade no filme. Não que eu seja contra, porém quando nos percebemos assistindo mais de dois minutos de gemidos e passeios da câmera sobre o corpo da mulher, fica a leve sensação de que talvez não fosse necessário. Nós já entendemos....eles fazem sexo, ok! Podemos continuar a trama?
É um tema polêmico, mas este é apenas o meu ponto de vista.



A duração de Budapeste são 113 minutos, mas infelizmente parecem bem mais para quem assiste. O grande ponto é que a história em si não tem nada de espetacular, sendo uma obra muito melhor em literatura que em áudio visual.
A quem culpar? Difícil dizer.
Um grande alento vem com a pequena participação de Chico Buarque, em uma cena bonita e que transmite mais calor humano que o filme todo.
Como havia dito no início, o cinema pode ser genial com idéias simples, como a obra prima alemã “A Vida dos Outros”, ou no já citado Robert Bresson em “Pickpocket” (nada mais que o dia a dia de um batedor de carteiras). A magia do cinema é esta. Não é uma mistura certa de ingredientes que fará um ótimo filme, dependerá de muitos detalhes.
Em Budapeste, infelizmente a soma dos ingredientes criou uma obra arrastada, chata e fria....fria como Budapeste.













2 Comentários:

Top Ad 728x90