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11 de jun de 2009

ESPECIAL "DIA DOS NAMORADOS": O AMOR TRANSBORDA NA TELA DO CINEMA


Gênero infalível no cinema, o romance marcou a tela grande em diversas produções que souberam falar sobre o mais simples e as vezes complicado dos sentimentos: o amor

Por Octavio Caruso

Por muitos considerado o gênero mais importante da história do cinema, os filmes românticos formam a espinha dorsal que ajudou a construir a hoje conhecida por Sétima Arte.
Como todos os gêneros, é formado por ramificações, existe o romance clássico onde tudo termina bem e aquele onde o casal não termina junto. Há espaço para a comédia romântica e para o romance dramático, permeado de dor e provações, nem sempre com final feliz.
Por ser um gênero essencialmente passional, ele necessita da aceitação do público mediante o tema proposto. Se não nos sentirmos cativados pela história ou pelo casal em questão, o fracasso é certo. O primeiro grande romance no cinema já nasceu premiado. Na primeira cerimônia do Oscar realizada em 1928, dois filmes receberam o prêmio máximo: Asas (Wings) recebeu o prêmio de melhor filme, porém foi o vencedor do prêmio de melhor filme de qualidade artística e singular que entrou para a história: Aurora (Sunrise), uma obra prima do diretor alemão F.W. Murnau. Um filme mudo, com uma interpretação primorosa de Janet Gaynor e que traz uma história simples e bela: Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor.
O renomado crítico e diretor francês François Truffaut considerava Aurora o “filme mais belo do mundo”.
Em 1931, Charles Chaplin dava ao mundo sua obra mais romântica: Luzes da Cidade (City Lights), onde o vagabundo se apaixona por uma florista cega e tenta de todas as maneiras arrumar dinheiro para fazê-la voltar a enxergar. Ao final, a florista que agora consegue ver, descobre quem foi seu anjo da guarda, em uma cena que emocionou gerações de cinéfilos.
Em 1934, foi a vez do diretor italiano Frank Capra criar o gênero “Comédia Romântica” com o genial Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night), onde Clark Gable e Claudette Colbert brigam bastante antes de se descobrirem almas gêmeas. O filme venceu nas cinco principais categorias o Oscar de 1935 e continua até hoje uma obra atual sobre os opostos que se atraem.
O ano de 1939 é conhecido por ser o melhor para a indústria do cinema, onde foram realizados a maior quantidade de ótimos filmes. No gênero podem-se destacar duas obras magníficas: O Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings) do diretor Howard Hawks, com Cary Grant (como um carteiro aéreo que se arrisca diariamente) e Jean Arthur apaixonando-se em uma republiqueta da América latina. Porém o mais famoso foi ...E o Vento Levou (Gone with the Wind), que ao longo dos anos virou sinônimo de cinema. Quem se esquece de Clark Gable dizendo para uma mimada Scarlett (Vivian Leigh): “Frankly my dear...i don´t give a damn!”
A década de 40 trouxe Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story), com James Stewart, Katharine Hepburn e Cary Grant, Casablanca, um filme que não necessita de apresentações, sendo um marco não só no gênero como na formação do cinema como a arte do século, Desencanto (Brief Encounter), uma obra prima pouco conhecida no Brasil, porém que criou muitas situações que hoje em dia se tornaram clichês do gênero, do diretor David Lean e O Anjo e o Bandido (Angel and the Badman), o faroeste mais romântico do cinema, onde John Wayne deixa sua vida como pistoleiro pela mulher que ama, vivida pela linda Gail Russel. Sem dúvida uma década muito importante na criação de sub-gêneros que até hoje são vistos em produções nem sempre muito inspiradas.

Na década de 50, poucos foram os filmes de romance puros lançados, foi a época onde os musicais se multiplicaram, deixando o romance como coadjuvante. A exceção mais importante é o filme Tarde Demais para Esquecer (An Affair to Remember) de 1957, com Cary Grant e Deborah Kerr como o casal que se conhece em um transatlântico e prometem se encontrar no topo do Empire State quando já não estiverem compormetidos com outras pessoas, porém o destino cruel age sem piedade mudando seus planos.
Os anos 60 trouxeram muitas obras importantes, como Se meu Apartamento Falasse (The Apartment), de Billy Wilder, o épico Dr. Jivago (Dr. Zhivago) de David Lean, A Primeira Noite de um Homem (The Graduate), de Mike Nichols, com Dustin Hoffman em seu primeiro papel no cinema e o maravilhoso Romeu e Julieta de Franco Zeffirelli, até hoje a obra que melhor transpôs o trabalho de Shakespeare no cinema.

O cinema como indústria se modificava, tornava-se mais realista e direto, porém as obras românticas sobreviveram à mudança, fazendo com que a década de 70 se iniciasse com uma pedra angular chamada Love Story, com direção de Arthur Hiller e inesquecível trilha sonora de Francis Lai. Muitos filmes modernos como “Um Amor para Recordar” praticamente copiam a história deste filme desavergonhadamente, mas não faz nem sombra ao original. Em 1973 Sydney Pollack trouxe Nosso Amor de Ontem (The Way We Were) com Barbra Streisand e Robert Redford. Inicialmente um veículo para Streisand, o filme se tornou um marco do gênero devido a sua história sensível e uma das mais belas canções do cinema. 1977 foi o ano da consagração de Woody Allen com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall), seu filme mais romântico e acessível a todos os públicos.
Foi nos anos 80 que o gênero amadureceu trazendo suas obras mais interessantes e ousadas, como Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time), com Christopher Reeve e Jane Seymour em uma das mais belas histórias de amor, A Lagoa Azul (The Blue Lagoon) com Brooke Shields aprendendo sobre o amor e a vida em uma idílica ilha deserta, A Força do Destino (An Officer and a Gentleman), com Richard Gere e Debra Winger, Os Pássaros Feridos (The Thorn Birds), um épico maravilhoso baseado em livro de Colleen McCullough, sobre um padre (Richard Chamberlain) dividido entre o amor a Deus e o amor terreno por uma belíssima Rachel Ward, A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple rose of Cairo), um conto belíssimo dirigido por Woody Allen, O Feitiço de Áquila (LadyHawke), um misto de romance e fantasia ousada com direção de Richard Donner e com Michelle Pfeiffer no auge da beleza, Asas do Desejo (Wings of Desire) do genial Win Wenders, sobre um anjo que se apaixona por uma trapezista, em filme que foi copiado depois por Hollywood em “Cidade dos Anjos”, com resultados medíocres, Sorte no Amor (Bull Durham) com Kevin Costner ( e sua famosa dissertação sobre o que lhe dá prazer na vida) e Susan Sarandon. A década de 80 termina com uma obra prima que remete aos primeiros filmes do gênero: Harry e Sally – Feitos Um para o Outro (When Harry met Sally), com Billy Crystal e Meg Ryan descobrindo o amor que pode coexistir com uma grande amizade.
A década de 90 contém um gênero diluído, permeado de clichês e uma preguiça notável, porém com poucas e brilhantes exceções, como os blockbusters Ghost – Do Outro lado da vida (Ghost) , Uma Linda Mulher (Pretty Woman) e O Guarda-Costas (The Bodyguard). A diretora Nora Ephron realizou uma homenagem ao clássico “Tarde demais para esquecer” com seu Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle), com Tom Hanks e Meg Ryan. O mais ousado trabalho da década foi Antes do Amanhecer (Before Sunrise) do jovem diretor Richard Linklater, uma obra primorosa que conta de maneira realista como o amor nasce e se desenvolve. A grande obra prima da década foi Titanic, de James Cameron, que com o amor proibido entre Leonardo di Caprio e Kate Winslett fez renascer na mente dos jovens o romance no cinema, ajudando a levar o gênero para um futuro promissor.
Na década atual, o romance está presente em produções bem interessantes e altamente experimentais como o esplendoroso Moulin Rouge de Baz Lurhmann e o açucarado O Fabuloso destino de Amélie Poulain do francês Jean Pierre Jeunet. Isso sem mencionar o tour de force chamado Simplesmente Amor (Love Actually), com um elenco espetacular tentando mostrar o amor da forma mais universal possível. E como esquecer Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal sunshine of the Spotless Mind) que contém a melhor atuação de Jim Carrey na fábula que melhor exprimiu o real sentido do amor e o porque necessitamos tanto dele.
Nos últimos anos o gênero foi poluído por filmes menores, que utilizam em excesso os clichês e com roteiros medíocres. As nobres exceções são O Diário de uma Paixão (The Notebook), o argentino Elsa e Fred e Desejo e Reparação (Atonement). Uma trinca de filmes maravilhosos que garantem o futuro deste gênero tão importante e por vezes subestimado da história do cinema.

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