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11 de jun de 2009

UMA FESTA PARA POUCOS CONVIDADOS



Por Octavio Caruso

Sair do cinema após ver este filme é como ir na casa distante de uns parentes chatos e nunca mais querer voltar.
Imaginem um filme de Pedro Almodóvar, agora retirem Almodóvar e seu enorme talento, sobra “A Festa da Menina Morta”, um projeto esquisito e enfadonho, que transpira pretensões artísticas, mas que de conteúdo emocional verdadeiro não tem nada.
Vocês devem estar pensando: Como pode um filme tão ruim assim ter ganho tantos prêmios mundo afora? Posso responder da seguinte forma: O pseudo-intelectualismo é das piores maneiras já inventadas pelo homem para tentar se sentir superior ou especial.
Exemplificarei em uma cena do filme: Um homem se banha e a câmera desce até as toras de madeira que circundam o humilde banheiro. As águas que descem do corpo deste homem molham a madeira. A câmera focaliza durante longos 30 segundos duas tartarugas que lentamente chegam próximo da madeira e bebem a água. A cena dura tempo suficiente para que cocemos a cabeça pensando o que o diretor queria passar com esta imagem?
Já os pseudo-intelectuais não pensam duas vezes: É estranho? Bizarro e sem sentido algum? Então é arte!!
Em outra cena, a câmera focaliza durante 20 segundos um jacaré morto em início de estado de decomposição...é arte.


E o longo assassinato de um porco, que berra durante mais de 7 minutos de filme? São muitos os exemplos, mas deixo para os espectadores encontrarem outros no cinema.
Bom, o roteiro escrito por Matheus Nachtergaele e Hilton Lacerda parte de uma premissa interessante: Todos os anos, há duas décadas, a cidade celebra a festa da menina morta, quando a cidade recebe peregrinos que desejam obter a benção de um jovem santo, conhecido como Santinho (Daniel de Oliveira), que recebeu esses poderes após o sucídio da mãe, quando recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida que todos os anos fala pela boca do santo em transe.


O que se desenrola ao longo do filme não capta a essência do que poderia ser uma ótima história, perdendo-se entre cenas “de arte” (como expliquei acima) e um Daniel de Oliveira caricato ao extremo.
Filmes como “Brokeback Mountain” mostraram o homossexualismo de maneira refinada. Já em “A Festa da Menina Morta” está presente talvez a pior (leia-se grosseira e mal filmada) cena de sexo já filmada no cinema...se houvesse esta categoria em Cannes, este prêmio eu daria!
Os pontos positivos são as participações de Jackson Antunes e Dira Paes, que mostram a cada projeto que fazem, os exemplares atores que são. Pois o mais difícil na arte da interpretação é o “meio-termo”, aquele personagem com tons de cinza. O caricato, exagerado é fácil.


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