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9 de jul de 2009

ESPECIAL HARRY POTTER: UM OLHAR SOBRE O MUNDO MÁGICO DE J.K. ROWLING

Com o retorno do bruxinho de J.K. Rowling no próximo dia 15, resolvemos relembrar as aventuras que antecederam Harry Potter e o Enigma do Príncipe e fortaleceram o universo mágico da escritora no mundo do cinema


Por Octavio Caruso

Introdução ao Conceito

A imaginação de uma criança é um terreno vasto e com solo fértil. Basta se plantar uma idéia boa, que sonhos incríveis são germinados. Talvez seja por isso que a literatura infanto-juvenil é tão importante na criação de um futuro adulto, assim como os contos de fada e histórias de ninar são cruciais em uma mente em formação.
A escritora britânica J.K. Rowling não “inventou a roda”, ela simplesmente assimilou tudo o que as crianças mais precisam e temem e talentosamente pôs no papel. O jovem Harry Potter, assim como todas as crianças em certa fase da vida, se sente solitário em um mundo estranho o qual ele não entende. É tratado de maneira injusta pelos tios (qual criança não se sente injustiçada, mesmo quando faz algo errado?) e não consegue enxergar saída para este destino. Porém em dado momento descobre ser um bruxo muito especial, que quando bebê derrotou o lord das trevas Voldemort (o bicho papão, símbolo de medo). De uma hora para outra, ele entra em um mundo mágico, onde todos o respeitam e admiram. Torna-se o jogador mais importante do esporte que pratica (ao usar óculos, assemelha-se a um estereótipo de “nerd”, conhecidos por serem péssimos nos esportes e nada populares na escola) e enfrenta desafios heróicos enquanto aprende a conjurar magias e encantamentos.
O grande diferencial de Rowling foi tornar o livro aprazível para os adultos também, que se deleitam com sua forte ironia e humor nonsense.
Após o sucesso de seu primeiro livro, o caminho para Hollywood foi aberto.
Devemos entender que cinema é uma coisa, literatura é outra completamente diferente. Nem sempre um ótimo livro, mesmo que passado literalmente página a página para as telas, é garantia de se criar um filme do mesmo nível.
Muitos fãs adolescentes querem “ler” seu livro favorito no cinema e isto é garantia certa de uma grande decepção, pois vários ajustes precisam ser feitos para que a transição ocorra da maneira certa. As adaptações para o cinema da obra de J.K. Rowling devem ser apreciadas como uma interpretação única do texto, feita por cada diretor.

Harry Potter e a Pedra Filosofal ( Harry Potter and the Philosopher´s Stone – 2001)

O primeiro filme da série segue a estrutura típica do roteiro de origem, apresentando os personagens e dando-os um obstáculo a ser confrontado.
A direção de Chris Columbus acerta na leveza e no ritmo, condizentes com o período de vida dos personagens. Ele escolheu fazer uma transposição exata do material do livro, o que é válido por se tratar de um mundo novo que merece este aprofundamento.
A escolha de elenco (que poderia levar todo o projeto ao fracasso) foi certa, trazendo rostos familiares, como John Cleese, Richard Harris, Maggie Smith e John Hurt fazendo suporte aos desconhecidos Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson como o trio principal.
O desempenho das crianças não é brilhante, mas não desvia a atenção do espectador.
Muito do humor irônico do livro não surte o mesmo efeito, faltou aos realizadores criar piadas novas condizentes ao ritmo do áudio-visual. Incorreram no erro de passar ipsis literis o texto literário pro roteiro do filme.
O maior destaque é o brilhante Alan Rickman como o professor Severus Snape, talvez o personagem mais interessante de toda a saga.












Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets – 2002)

O diretor Chris Columbus retorna no segundo projeto, munido de mais confiança e alcança melhores resultados.
Contando com a presença ilustre de Kenneth Brannagh como o professor Gilderoy Lockhart, um homem egocêntrico e extremamente arrogante. Suas passagens trazem um humor bem vindo à trama, desta vez feitos com inteligência, não apenas uma cópia do texto literário.
Neste filme a história começa a se desenvolver e o trio principal de crianças aparenta uma melhora significativa em suas atuações. Em especial Emma Watson, como a dedicada e adorável Hermione Granger.
Um ponto negativo é a inclusão de uma partida longa do jogo Quadribol, que é lindo de ver, por seus efeitos, mas diminui o ritmo do filme. O mais certo seria realocá-lo no roteiro.
Principalmente por se tratar de uma história muito melhor que a do primeiro filme, este se sobressai e entrega um produto mais satisfatório.









Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ( Harry Potter and the Prisoner of Azkaban – 2004)


Um dos melhores fatores desta franquia é o comprometimento dos produtores em manter a cronologia, fazendo com que nós acompanhemos o amadurecimento dos personagens, tanto físico quanto emocional. Porém tentando, a cada filme, trazer uma nova perspectiva deste mundo mágico, utilizando diretores talentosos e de forte personalidade.
Ao escolherem o espetacular Alfonso Cuarón para esta terceira aventura, acertaram em cheio. O mexicano mestre em transpor fantasia em filmes para todas as idades traz muito de si para a obra de Rowling e a aprimora.
Claro que a presença de Gary Oldman como o misterioso Sirius Black ajuda muito na composição artística de O prisioneiro de Azkaban.
Com a morte de Richard Harris pouco antes da estréia do segundo filme, os produtores trazem Michael Gambon para o papel do mestre Dumbledore (um misto de Gandalf e Ben Kenobi, o clássico mentor sábio).
Me arrisco a dizer que este foi o filme que mais se afastou de suas raízes literárias, sem que com isso, tenha se tornado uma obra a parte. Cuarón soube adaptar o material de Rowling e pôr na tela algo pessoal, com “tintas fortes” e extremo conhecimento de sua arte.
O melhor filme da saga até o momento.









Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire – 2005)



Assim como seus personagens, o roteiro amadureceu, dando espaço a dilemas mais complexos e um tom onipresente de medo, como se o mal estivesse o tempo todo à espreita.
O diretor Mike Newell faz um filme para adultos. Não há mais o refúgio cômico da família Dursley ( família adotiva de Harry Potter) nem os conflitos adolescentes entre o bom Potter e a personificação do mal Malfoy. Pede-se um amadurecimento de seu público ao mostrar que ninguém é só bom ou só mal.
Os estudantes de Hogwarts se deparam com um torneio de bruxos, onde irão pôr a prova tudo o que aprenderam. É neste momento que se nota a presença de Newell, quando ele não suaviza a experiência. O torneio é brutal e o filme apresenta seqüências pesadas e um clima incômodo.
Como filme, não supera o anterior, mas é bem sucedido em elevar o tom da história, distanciando a saga do rumo fantástico-infantil dos primeiros dois filmes.











Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix – 2007)


Este parece ser a maior fonte de polêmica entre os fãs, que consideram um ultraje por se distanciar bastante do livro.
Sem dúvida superior ao filme anterior, trazendo novamente personagens que estavam afastados, como a família Weasley e os tios de Harry.
O clima continua tenso, porém a história flui muito melhor nas mãos do diretor David Yates. A decisão dos produtores de manter Yates no comando das próximas três aventuras é ótima pois trará equilíbrio e evitará pontas soltas.
O elenco demostra total afinidade e entrosamento. Até mesmo Radcliffe que alternava bons momentos com atuações apáticas apresenta uma melhora incrível.
As cenas de ação de A Ordem de Fênix mostram pela primeira vez uma batalha real e épica entre bruxos, muito bem realizada pela equipe técnica.
Destaque para uma presença maior de Ralph Fiennes como o Lord Voldemort, muito mais ameaçador que no filme anterior.









Saldo Final

Os primeiros cinco filmes da série Harry Potter apresentam uma melhora gradual e uma estabilidade ideológica muito interessante.
Acompanhamos a evolução dos personagens e nos simpatizamos com seus relacionamentos.
Muito da obra de J.K. Rowling está presente na série cinematográfica. Atrás de todo o merchandising e da máquina industrial financeira da Warner, reside uma idéia ousada e original, que se não é a melhor obra infanto-juvenil do cinema, chegou bem próximo.

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