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6 de jul de 2009

MÚSICA NA TELA GRANDE

Com sua carreira sendo revisitada após sua morte, Michael Jackson reacendeu o histórico de muitos cantores e cantoras que arriscaram, assim como ele, seus passos na sétima arte



Por Octavio Caruso

No final do mês será lançado no Brasil pela Warner, o dvd do filme Moonwalker, estrelado pelo rei do pop, Michael Jackson. O longa de 1988 era formado basicamente de esquetes musicais onde o astro incluía vários efeitos, como o stop-motion, aos seus já consagrados passos de dança. Não é um ótimo filme, longe disso, mas agradará em cheio aos fãs que esperavam há muito este lançamento.
Michael Jackson já havia participado de outro longa metragem antes, com direção do espetacular Sidney Lumet em The Wiz de 1978, uma releitura do mágico de Oz com Diana Ross vivendo a menina Dorothy e Michael, o bondoso espantalho. Inegável este ter sido o pior filme de Sidney Lumet, válido apenas pelo interesse histórico (leia mais aqui) .
Porém, antes de Michael Jackson, outros cantores já haviam se aventurado na sétima arte, com resultados muito mais interessantes.
Na década de 40, o americano Dean Martin em parceria com o ainda desconhecido comediante Jerry Lewis fizeram grande sucesso apresentando-se em espetáculos por toda a América. Não demoraria para que os estúdios de Hollywood se interessassem pela dupla, o que aconteceu em 1949 com uma participação coadjuvante em My Friend Irma. Mesmo em papéis pequenos, os dois chamaram a atenção, fazendo com que ganhassem filmes próprios a partir do ano seguinte. Ao longo do década de 50, em projetos como Sailor Beware, Scared Stiff, The Caddy, Artists and Models e You´re never too Young, Jerry Lewis destacava-se como o grande comediante que continua sendo, deixando para Dean Martin algumas interpretações para lindas canções como That´s Amore, a mais famosa de Martin.
Talvez o mais premiado dentre todos tenha sido o lendário Frank Sinatra, que quebrou o maior tabu do gênero, levou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo filme A Um passo da Eternidade (From Here to Eternity, 1953) e retornando à premiação em 1955, como indicado por O Homem do Braço de Ouro (The Man with the golden Arm). O “old blue eyes” participou de vários outros projetos interessantes, como a refilmagem musical de Núpcias de Escândalo, Alta Sociedade (High Society, 1956) e em vários filmes junto com a sua gangue de amigos, o Rat Pack (o mais famoso deles foi 12 Homens e um Segredo, de 1960). Na opinião deste crítico sua melhor interpretação foi captada no clássico Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, 1962), com direção do grande John Frankenheimer.
Não tão premiado, porém muito mais prolífico, o rei do rock Elvis Presley estrelou em mais de 30 filmes ao longo de 13 anos. Foi o rei das bilheterias na década de 60, onde deixou de cantar, para apenas se dedicar a sua carreira no cinema. Seu filme de estréia Love me Tender (1956) era um faroeste passional, seu personagem era coadjuvante, porém o jovem dedicado decorou as falas de todos os personagens, demonstrando muita vontade, porém pouquíssima experiência. Seus filmes compreendem uma gama enorme de gêneros, como o drama (King Creole,1958), o faroeste (Flaming Star,1960), o romance (Wild in the Country,1961), a comédia (Follow that Dream,1962), o musical (Viva Las Vegas,1964) e suas variações. Porém se sua contribuição para a sétima arte pudesse se resumir a um filme apenas, este seria Jailhouse Rock, de 1957, um quase biográfico conto sobre um jovem rebelde que usa seu talento na música para se redimir de seus pecados.
No Brasil, o nosso rei Roberto Carlos também se aventurou no cinema com projetos inspirados nos de Elvis e Beatles. Em 1968 fez Roberto Carlos em Ritmo de Aventura e Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa.
Outro cantor que emulava os trejeitos de Presley foi Ricky Nelson, que participou do ótimo western Rio Bravo (1959), com Dean Martin e John Wayne.
Os Beatles iniciaram sua carreira cinematográfica com uma ótima comédia musical, dirigida por Richard Lester: A Hard Day´s Night, 1964. Alguns críticos entusiasmados na época citaram este empreendimento como sendo o “Cidadão Kane dos filmes adolescentes”. Muito menos interessante foi o próximo projeto, uma obra confusa e sem graça chamada Help!.
A escocesa Lulu gravou sua imagem em celulóide no ótimo Ao Mestre, com Carinho (To Sir with Love, 1967), onde inclusive cantou a música tema, muito famosa na época.
Até mesmo o Rolling Stone Mick Jagger tentou carreira em Hollywood. Em 1970 protagonizou o fraco western Ned Kelly, com direção de Tony Richardson.
A década de 70 trouxe a discoteca e no embalo veio a cantora inglesa Olívia Newton John, que havia alçado fama internacional com o blockbuster musical Grease de 1978, onde fazia par romântico com o astro John Travolta. A loira ainda tentou se firmar em Hollywood lançando dois anos depois o musical psicodélico Xanadu, com participação ilustre de Gene Kelly. Sua última grande tentativa foi na comédia Two of a Kind (1983), onde retomou sua parceria com Travolta.

Olívia Newton John pecou por não saber escolher seus projetos, já a americana Cher logrou grande sucesso em suas escolhas.
Sua participação no drama Marcas do Destino (Mask,1985) lhe fez receber um prêmio no conceituado festival de Cannes. Na década de 80, atuou com Jack Nicholson no ótimo As Bruxas de Eastwick e em Feitiço da Lua, com Nicolas Cage, onde recebeu o Oscar de melhor atriz.
A cantora Whitney Houston fez de “I Will Always love you” a canção mais tocada nas rádios no início da década de 90, muito auxiliada pelo belo trabalho no filme O Guarda Costas.
O cantor Sting tentou iniciar uma carreira no cinema, atuando na ficção científica de David Lynch Duna, porém suas escolhas posteriores afundaram o que poderia ter sido uma boa iniciativa. Sorte melhor teve o camaleônico David Bowie que fez sucesso com O Homem que Caiu na Terra (1976) e The Hunger(1983), junto com Catherine Deneuve e Susan Sarandon, ousadamente escolheu participar da ótima fantasia infantil Labirinto (1986) onde dá um show mostrando uma incrível versatilidade. Em A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, surpreendeu novamente ao escolher fazer Pôncio Pilatos. Bowie continua na ativa, tendo participado em 2006 do bom O Grande Truque, dirigido por Christopher Nolan.
Na mesma época Tina Turner, no auge de seu sucesso, encarnou uma vilã no terceiro capitulo da trilogia Mad Max e a Cúpula do Trovão com o então jovem e promissor Mel Gibson.
Will Smith, dentre todos, acredito que tenha sido o que se deu melhor em sua transição. Trocou uma vida musical boa, porém sem grandes méritos, para uma carreira milionária no cinema. Filmes como Independence Day(1996), Homens de Preto (1997) e Ali (2001) tornaram o rapper em um dos atores mais prolíficos de sua geração. Como comecei o texto com o rei do pop, nada mais justo que terminar o mesmo com a presença da rainha do pop: Madonna.
Suas participações em Procurando Susan desesperadamente (1985) e Who´s that Girl (1987) mostraram uma ótima inclinação cômica que caiu como uma luva para o cinema da época. Durante os anos 90, participou de projetos mais maduros, como Body of Evidence e Dangerous Game, porém foi com o biográfico Evita, que a cantora se destacou realmente, neste bom filme do diretor Alan Parker. Mas bem antes disso amargou péssimas críticas com seu Surpresa em Shangai ao lado de seu então namorado Sean Pean.

Muitos outros cantores tentaram carreira no cinema, como Eminem, Britney Spears, Mariah Carey e Justin Timberlake, mas é importante citar os artistas que bravamente ousaram trilhar este caminho numa época permeada de preconceitos, abrindo passagem, quebrando tabus, fazendo com que hoje em dia esta transição de músico para artista de cinema não seja mais uma exceção, seja em muitos casos, a regra.


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