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15 de jul de 2009

VERTIGO POP CRÍTICA: CORAÇÃO VAGABUNDO

NU, MAS NEM TANTO

Coração Vagabundo, de Fernando Groistein Andrade, mostra um Caetano Veloso irônico sem porém acrescentar algo de novo a trajetória do artista



Por André Moreira

A primeira cena importante de Coração Vagabundo, documentário de Fernando Groistein Andrade exprime exatamente o que o jovem cineasta tenta mostrar ao longa de 60 minutos de projeção. Um Caetano Veloso nu para o grande público. Não só no sentido literal da palavra, apesar da cena, diga-se de passagem. Mas sim descortinar um artista para o grande público e tentar mostrar que por trás de sua obra e polêmicos depoimentos ao longo de sua carreira existe sim uma pessoa que precisa se expor como indivíduo pensante e que se coloca ao longo do tempo como um formador de opinião.

Tudo bem que Caetano é isso e muito mais. O documentário consegue por vezes apresentar o cantor como uma figura engraçada e carísmática, o que ele é de fato e isso é um ponto importante do trabalho realizado por Fernando. Por vezes rabugento, mas sem perder o humor baiano que lhe é peculiar. Porém o documentário é apenas, e tão somente, uma exposição de Caetano, o que não tira o mérito do trabalho de Fernando, que conduz bem as conversas e cenas do antigo Tropicalista em meio a grandes cidades que servem como ilustres coadjuvantes. São Paulo, Nova York, Tokyo e Kioto, rota de sua turnê na época das filmagens, A Forein Sound, emolduram muito bem as cenas onde o cantor lembra de sua cidade natal, Santo Amaro, do Tropicalismo e como surgiu seu primeiro trabalho totalmente em inglês, além de bastidores de ensaios, entrevistas para divulgar o trabalho e depoimentos de gente famosa como Pedro Almodóvar e David Byrne, antigos parceiros. E uma Gisele Bunchen dando uma de fanzoca. Mas o mais emocionante mesmo é ver o cineasta Michelangelo Antonioni, morto em 2007, talvez em uma de suas últimas aparições.

Nada mais ali é novidade. Caetano sempre foi polêmico, sempre se pronunciou como e quando quis, excetuando-se na época da ditadura, claro. Por esse motivo não vejo a necessidade de um documentário a cerca disso, embora bem realizado sem dúvida e por isso vale o ingresso . Faltou o que em um artista como ele é o mais interessante: Seu método de criação e parcerias criativas. Mas apesar disso é um bom passeio com o eterno Tropicalista.







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