Top Ad 728x90

30 de jul de 2009

VERTIGO POP CRÍTICA: À DERIVA



UM BELO RETRATO DE UMA MUDANÇA

Ótimo do início ao fim, à Deriva de Heitor Dhalia fala com absoluta propriedade sobre os dilemas de uma separação



Por Octavio Caruso

No belo rosto da estreante Laura Neiva se encerram as qualidades do filme À DERIVA, do diretor Heitor Dhalia. A jovem de 14 anos descoberta pelo diretor em um site de relacionamento consegue traduzir a essência deste conto sobre a separação de um casal e os ritos de passagem da adolescência com uma desenvoltura de gente grande.
A personagem de Laura, Filipa é o centro da trama. Ela faz uma jovem vivendo a transição entre a infância e a adolescência, crescendo em uma família que considera perfeita. Tendo que lidar com a ruptura de seus conceitos, constituída pela separação iminente dos pais e com seu auto-descobrimento.

Uma história simples e linear, porém muito bem contada. Com uma cenografia deslumbrante e atuações perfeitas do francês Vincent Cassel e Débora Bloch, como os pais em conflito.
Vincent Cassel já interpretou papéis desafiadores em sua carreira, mas é neste filme que ele realmente se deixa ser humano. Talvez aliado ao fato de ter interpretado em uma língua estrangeira, o que fez brilhantemente, por sinal.
Já Débora Bloch, afastada do cinema desde Caramuru em 2001, mostra grande desenvoltura nos crescentes altos e baixos de sua Clarice.
Este é apenas o terceiro longa-metragem de Heitor Dhalia, vindo do grande sucesso de público: O Cheiro do Ralo de 2006. Tendo já demonstrado enorme personalidade em seus trabalhos anteriores, Dhalia conduz este filme com inteligência e senso de ritmo. Nada é apressado e ele toma o tempo de maneira a trazer o público à sua história, lenta e progressivamente.
Mathias (Cassel) é um escritor que busca inspiração nos mares de Búzios. Sua esposa Clarice (Bloch) procura subterfúgios que a façam esquecer de suas frustrações em seu já desgastado relacionamento. No meio deste fogo cruzado encontra-se Filipa (Neiva), a verdadeira guerreira mítica, que desdobra-se entre a árdua tarefa de superar seus medos, conquistando seu espaço e apaziguar os que considerava heróis perfeitos, seus pais, que mostram-se os mais frágeis e imaturos.
A história inicia-se com um lindo plano seqüência onde pai e filha aparecem boiando nas águas do mar de Búzios. Em sua sutileza, transmite todo o significado do projeto: a trajetória de dois seres que se deixam guiar pelas marés do destino, tendo que ultrapassar barreiras, porém sempre unidos.


O filme ainda conta com a presença da atriz americana Camilla Belle e um Cauã Reymond em participação pequena, mas importante para a evolução da personagem de Laura Neiva.
À DERIVA foi muito bem recebido em Cannes e com razão, além de suas qualidades técnicas e artísticas, o projeto de Heitor Dhalia apresenta um olhar realista e poético sobre as relações humanas. Tudo isso de maneira simples, nada prepotente e que surpreende com pequenos e belos momentos.


3 Comentários:

Top Ad 728x90