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30 de jul de 2009

VERTIGO POP CRÍTICA: À DERIVA



UM BELO RETRATO DE UMA MUDANÇA

Ótimo do início ao fim, à Deriva de Heitor Dhalia fala com absoluta propriedade sobre os dilemas de uma separação



Por Octavio Caruso

No belo rosto da estreante Laura Neiva se encerram as qualidades do filme À DERIVA, do diretor Heitor Dhalia. A jovem de 14 anos descoberta pelo diretor em um site de relacionamento consegue traduzir a essência deste conto sobre a separação de um casal e os ritos de passagem da adolescência com uma desenvoltura de gente grande.
A personagem de Laura, Filipa é o centro da trama. Ela faz uma jovem vivendo a transição entre a infância e a adolescência, crescendo em uma família que considera perfeita. Tendo que lidar com a ruptura de seus conceitos, constituída pela separação iminente dos pais e com seu auto-descobrimento.

Uma história simples e linear, porém muito bem contada. Com uma cenografia deslumbrante e atuações perfeitas do francês Vincent Cassel e Débora Bloch, como os pais em conflito.
Vincent Cassel já interpretou papéis desafiadores em sua carreira, mas é neste filme que ele realmente se deixa ser humano. Talvez aliado ao fato de ter interpretado em uma língua estrangeira, o que fez brilhantemente, por sinal.
Já Débora Bloch, afastada do cinema desde Caramuru em 2001, mostra grande desenvoltura nos crescentes altos e baixos de sua Clarice.
Este é apenas o terceiro longa-metragem de Heitor Dhalia, vindo do grande sucesso de público: O Cheiro do Ralo de 2006. Tendo já demonstrado enorme personalidade em seus trabalhos anteriores, Dhalia conduz este filme com inteligência e senso de ritmo. Nada é apressado e ele toma o tempo de maneira a trazer o público à sua história, lenta e progressivamente.
Mathias (Cassel) é um escritor que busca inspiração nos mares de Búzios. Sua esposa Clarice (Bloch) procura subterfúgios que a façam esquecer de suas frustrações em seu já desgastado relacionamento. No meio deste fogo cruzado encontra-se Filipa (Neiva), a verdadeira guerreira mítica, que desdobra-se entre a árdua tarefa de superar seus medos, conquistando seu espaço e apaziguar os que considerava heróis perfeitos, seus pais, que mostram-se os mais frágeis e imaturos.
A história inicia-se com um lindo plano seqüência onde pai e filha aparecem boiando nas águas do mar de Búzios. Em sua sutileza, transmite todo o significado do projeto: a trajetória de dois seres que se deixam guiar pelas marés do destino, tendo que ultrapassar barreiras, porém sempre unidos.


O filme ainda conta com a presença da atriz americana Camilla Belle e um Cauã Reymond em participação pequena, mas importante para a evolução da personagem de Laura Neiva.
À DERIVA foi muito bem recebido em Cannes e com razão, além de suas qualidades técnicas e artísticas, o projeto de Heitor Dhalia apresenta um olhar realista e poético sobre as relações humanas. Tudo isso de maneira simples, nada prepotente e que surpreende com pequenos e belos momentos.


3 Comentários:

dudu moraes disse...

O filme deve ser lindo demais! Taí um bom exemplo de filme que eu nunca iria assistir...mas que graças a vocês, eu descobri e já está no topo da minha lista de prioridades cinematográficas.
Fui indicado a conhecer este blog por um amigo e corroboro sua opinião...pra quem gosta de cinema sério estas críticas do Otávio são um presente! Parabéns ao Vertigo pelo estupendo trabalho!

dudu moraes disse...

Preciso salientar um aspecto. Como me interessei muito pela história desse filme, comecei agora a procurar pela internet outras informações sobre o filme e me deparei com algumas críticas de sites bastante conhecidos e fiquei fulo da vida....vocês têm a consideração de não citar partes da trama, que seriam melhores ser descobertas vendo o filme. Pelo respeito que vocês tem com o público, mais uma vez agradeço a vocês!
Vocês deixam o público a par da qualidade do filme, sem deixar escapar os segredos ou detalhes que valem a pena ser descobertos assistindo o filme.
Aprendi a lição...só vou ler vocês agora sobre cinema!

talita disse...

Me interessei muito neste filme! Amo histórias assim!

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