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13 de ago de 2009

VERTIGO POP ESTREIA: SE NADA MAIS DER CERTO


A CLASSE MÉDIA NA BERLINDA

Se Nada Mais Der Certo pinta um retrato nada bonito da classe média brasileira

Por André Moreira

O que fazer quando se está em uma encruzilhada? Que decisão tomar diante de uma situação extrema? Que caminho seguir? Essas questões permeam, Se Nada Mais der Certo, o novo filme de José Eduardo Belmonte (A Concepção) que chega esta sexta, 14, aos cinemas brasileiros.
Em um cenário onde os roteiros muitas vezes privilegiam contar as agruras da classe pobre e favelada, o cineasta optou por traçar um panorama de uma classe média em crise - e isso é um caminho vasto e pouco explorado pelo cinema brasileiro - tendo como pano de fundo a era de embate político entre Lula e Alckimin, que apontava então, cada qual a sua maneira, uma época vindoura para o povo brasileiro. Usando esse panorâma ele instala os contrapontos do longa. De um lado as promessas, do outra a falta de perspectiva.


A classe média do filme é aqui representada pelo personagem de Cauã Reymond (Leo), um jornalista desempregado que se vê jogado em uma vida de golpes ao conhecer a frequentadora de bocas de fumo, Marcin (Caroline Abras). Junto o taxista Wilson (João Miguel), outro que sofre com problemas financeiros, o trio passa a viver de golpes no meio do retrato perturbardor do submundo paulista e desenvolvem uma relação inesperada de amizade e cumplicidade. Abordar a sociedade através dessa classe é um desafio para qualquer diretor, e aqui Belmonte se sai bem, sem cair no esterótipos da violência crua por si só e dando realmente a entender que por trás de cada decisão existe uma mola motora, que coloca cada personagem em seu dilema pessoal e muito familiar a todos eles. E aí, no fundo, estamos no mesmo saco.
O elenco surpreeende, principalmente o trio João Miguel, Caroline Abras e Cauã Reymond. João já mostrou a que veio em outras produções, se destacando principalmente por sua interpretação visceral em Estômago. Com Wilson o ator mais uma vez mostra seu talento. Cauã começa a despontar como um futuro promissor longe das pasteurizadas novelas. Mas quem rouba a cena é mesmo Caroline. A atriz mostra toda a ambiguidade de sua lésbica personagem, seja pelo olhar, seja pela postura. Luiza Mariani também está ótima como a namorada viciada do personagem de Cauã e sua magresa aqui só ajuda.
Se Nada Mais Der Certo procura mostrar o acontece quando o sistema nos abandona, mas no fundo mostra também que, em muitas vezes, nós é que fazemos nossas verdadeiras escolhas. E aí não há como voltar atrás.




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