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14 de set de 2009

CRÍTICA 2: DESPERTAR DA PRIMAVERA


ESPETÁCULO EM ALTO E BOM SOM


Por Octavio Caruso

Em 1891, o dramaturgo alemão Frank Wedekind escreveu “O Despertar da Primavera”, uma peça que discursava sobre os problemas vividos pelos jovens e tocava em assuntos fortes para a época, como o florescer da sexualidade, suicídio, incesto e a opressão vivida em família, no sistema educacional e da igreja. Mais de um século depois, Duncan Sheik e Steven Sater juntaram-se e inseriram o Rock and Roll como modo dos jovens expressarem seus sentimentos no contexto da obra e nascia assim, em 2006, a versão musical de “O Despertar da Primavera”.
Após enorme sucesso na Broadway, a peça chega no Brasil pelas mãos autorais da dupla Charles Moeller e Claudio Botelho, advindos do grande sucesso “A Noviça Rebelde”. O musical está em cartaz no teatro Villa Lobos no Rio de Janeiro e vêm alcançando o sucesso esperado entre os jovens, público alvo da obra.
Nos aspectos técnicos, a dupla Moeller/Botelho novamente demonstram excelência, seja na iluminação precisa de Paulo César Medeiros, na cenografia estupendamente criativa de Rogério Falcão ou nas pequenas variações do show original, direito este dado pelos criadores da peça apenas para a versão brasileira, que surpreendentemente mostram-se decisões inteligentes e melhores que as da matriz estrangeira.
O elenco é muito bom, mas pode-se destacar o trabalho de Rodrigo Pandolfo (Moritz), que consegue transmitir toda a dualidade e os dilemas característicos da idade, com grande senso de timing humorístico e carisma. Pierre Baitelli ( da mini-série Capitu, da rede Globo) vive o personagem principal, o questionador Melchior, que protagoniza cenas fortes e difíceis.
O espetáculo visa um público jovem, porém não o aliena, não o subestima. É sempre muito agradável assistir um produto de ótima qualidade para um público alvo tão maltratado pelas mídias (vide Malhação e seus derivados).
“O Despertar da Primavera” pode ser considerado uma Ópera Rock, com pelo menos duas seqüências memoráveis que arrancam aplausos de pé e várias músicas muito boas. Não é um “Grease”, um “Fantasma da Ópera”, aqueles musicais com canções que são hits instantâneos, mas suas músicas se adequam perfeitamente aos temas propostos.
Há de se lamentar apenas que vivamos em um país onde os produtos de qualidade sejam para poucos, obras como essas deveriam ser vistas e apreciadas por cada brasileiro de norte a sul.
Para Moeller/ Botelho e equipe, apenas uma palavra: BRAVO!!

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