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2 de set de 2009

MAGIA EM MUITAS CORES


Com a aguardada estreia de Up - Altas Aventuras, nova produção da Pixar, voltamos no tempo e relembramos outras animações que marcaram época e abriram caminho para a dinastia Disney nas telas de cinema

Por Octavio Caruso

Com o esperado lançamento da nova produção Disney/Pixar, Up – Altas aventuras, nos cinemas neste fim de semana, decidimos voltar no tempo e contar um pouco da trajetória dos filmes de animação e sua importância.
Desde 1892 que a exibição de desenhos em movimento entretém o público. Sempre visando o divertimento rápido e despretensioso em pequenas cenas, quase sempre de humor.
Porém é impossível falar do gênero sem citar o homem que pegou as barrocas idéias do teatro de sombras chinesas e transformou em espetáculos mágicos, a notória oitava arte. Walt Disneyexercitava seu talento na década de 20, em curtas metragens e peças publicitárias, porém foi no final da década de 30 que o jovem gênio elevou o nível do entretenimento mundial ao arriscar realizar uma animação de longa metragem, quando na época todos os críticos acreditavam que ninguém teria paciência de assistir um desenho animado de longa duração nos cinemas.
Baseado em conto dos irmãos Grimm, Branca de Neve e os Sete Anões estreou em 1937 com aclamação unânime de críticos e público do mundo inteiro. Tal sucesso foi um reflexo do árduo trabalho da equipe técnica, que demorou três anos para desenvolver o projeto, meticulosamente dando vida a todos os aspectos que apareceriam em cena. Um trabalho hercúleo e que garantiu um prêmio honorário da academia no ano seguinte, simbolizado por uma estatueta do Oscar em tamanho natural e outras sete em miniatura.
Branca de Neve também criou o padrão Disney de fazer cinema: Temas fantasiosos e com ensinamentos morais junto a lindas canções. Como Walt Disney mesmo simplificou anos depois: “Em meus filmes, para cada risada, deve haver uma lágrima”.
A fórmula de sucesso trouxe em 1940, duas produções lendárias. Em Fantasia, Disney ousou realizar uma combinação de animação com as mais lindas composições clássicas em um épico de mais de duas horas. Tirando alguns momentos brilhantes, Fantasia não resistiu ao teste do tempo. O mesmo não se pode dizer de Pinóquio. A clássica história do boneco de madeira que queria se tornar um menino de verdade obteve sua interpretação definitiva em uma animação mais bem acabada que Branca de Neve e com uma canção que ultrapassou os limites da arte, entrando para a história da música mundial: “When you wish upon a star”.
Nos anos seguintes, o mundo ficou conhecendo a linda história do elefantinho Dumbo e a bela fábula sobre maturidade chamada Bambi. Após 1942, Disney entrou em uma maré de azar onde as bilheterias caíam drasticamente filme após filme. É dessa época produções como: Alô Amigos, Você já foi a Bahia?, Tempo de Melodia e As aventuras de Ichabod e o Sr. Sapo. As empresas Disney desmoronavam, levando consigo o sonho de Walt e o futuro da animação no cinema.
Em 1950, assim como nos contos de fada, uma palavra mágica fez ressurgir o império Disney das cinzas: Bibbidi-Bobbidi-Boo. A canção de mesmo nome foi indicada ao Oscar e o filme Cinderela foi uma das maiores bilheterias do ano e o melhor projeto Disney em muitos anos. Além de ter sido indicado ao Leão de Ouro de Veneza, tendo ganho o prêmio especial do público.
Walt novamente sorria de orelha a orelha, com os sucessos nos anos seguintes de Alice no País das Maravilhas, o maravilhoso Peter Pan, A Dama e o Vagabundo e a obra prima A Bela Adormecida.
A década de 60 principiava com uma pequena queda no lucro e todos imaginavam se a Disney iria se restabelecer como antes. Obras como 101 dálmatas, A espada era a lei e Mogli, o menino lobo faziam um sucesso mediano e nem de longe transmitiam o frescor e genialidade de outrora.
Em 1966, o baque definitivo, a morte de Walt Disney deixava todos em alerta, como seriam as produções feitas após sua saída? Será que o legado Disney iria resistir?
Durante toda a década de 70 e 80, os desenhos Disney foram pálidas lembranças do que já haviam sido. Lançamentos inexpressivos nos cinemas, produções que se debruçavam na fôrma, criando filmes formulaicos em excesso. Um pouco de drama, umas canções nem sempre inspiradas e um final feliz.
Enquanto isso, no outro lado do mundo era criado um marco na animação mundial: AKIRA. Uma obra violenta e adulta. Parecia não haver mais espaço no mundo para os contos de fada e o moralismo de Disney.
Porém em 1989, algo novo mostrava-se no horizonte com o lançamento de A Pequena Sereia. As músicas eram melhores e o roteiro trazia uma jovialidade que fazia falta ao estúdio. Longe de ser perfeito, mas a sereia conseguiu fazer com que o público voltasse às filas dos cinemas, um público infantil e adulto.
O sucesso comercial de A Pequena Sereia provou aos técnicos que havia público para suas produções, mais especificamente o público de todas as idades. Logo, começaram a idealizar a obra que trouxe de volta toda a magia Disney e alcançou muito mais do que seu criador almejara no passado.
Em 1991 estréia A Bela e a Fera. A linda fábula não somente revolucionou no quesito técnico ao incluir uma cena em computação gráfica, como conseguiu a façanha de ser indicada ao prêmio de melhor filme no Oscar. Até hoje é a única animação que disputou tal prêmio. Isso sem falar na expressiva bilheteria, a terceira maior do ano.
No ano seguinte, Aladdim tornou-se o filme mais bem sucedido do mundo, rendendo 517 milhões nas bilheterias. A animação não só havia voltado com tudo, como também quebrava preconceitos de críticos que consideravam-na uma arte menor. Obras como A Bela e a Fera provavam-se filmes muito melhores que muitas produções tradicionais.
Mas nada preparava o mundo para o fenômeno cultural mundial chamado O Rei Leão. A animação que misturava influências de Hamlet, Bambi e histórias da Bíblia trouxe lágrimas aos olhos dos mais frios homens. O maior mérito foi o de ser o primeiro filme com um roteiro original, não baseado em contos de fada ou em clássicos da literatura. O projeto tornou-se o mais lucrativo da história da empresa. O limite que dividia as animações dos filmes live-action havia sido destruído impiedosamente e muitos críticos se curvaram perante o brilhantismo de o Rei Leão citando-o como uma das melhores obras de cinema da década.

Pocahontas, O Corcunda de Notre-Dame, Hércules e Mulan fizeram relativo sucesso, mas sem o efeito que a empresa esperava. Enquanto isso uma produtora criativa chamada Pixar abria terreno com seus curtas animados por computador e a Disney viu que este era o futuro do gênero.
O projeto Toy Story de 1995 foi o primeiro da parceria entre Disney e Pixar e foi um sucesso estrondoso. Assim como Branca de Neve foi um marco na década de 30, Toy Story entrou para a história como a primeira animação totalmente gerada no computador.
A Disney continuava paralelamente a lançar animações de estilo tradicional, mas sem o mesmo sucesso, enquanto filmes como Vida de inseto, Monstros S/A, Toy Story 2 e Procurando Nemo traziam lucro e críticas positivas.
Nos últimos anos filmes como, Os Incríveis, Carros e Ratatouille conseguiram equilibrar alta qualidade técnica com roteiros geniais. Porém a obra prima nesta década veio personificada no pequeno robô Wall-E, encarregado de limpar todo o lixo deixado pela raça humana na Terra após sua evacuação. Um roteiro brilhante e cenas esteticamente irrepreensíveis.
Com seu novo projeto UP aportando em terras brasileiras no fim de semana, os técnicos e idealizadores continuam honrando o legado de magia e encantamento que o mestre Walt Disney deixou ao mundo. Fiéis às fórmulas, porém com um passo no futuro. E que futuro!




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