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ESPECIAL VERTIGO POP: QUENTIN TARANTINO

CINEASTA DA CULTURA POP

“Eu nunca freqüentei uma escola de cinema. Eu freqüentei o cinema!”
( Quentin Tarantino)

Adepto da cultura pop, das múltiplas referências e da metalinguagem, Tarantino busca realizar o “filme favorito” de seu público, tal qual ele ama criar suas listas de obras preferidas. Isso fica latente ao notar a paixão com a qual ele cria cada seqüência, a minuciosa seleção da trilha sonora e a importância que ele dá a detalhes que muitos considerariam de menor relevância.
Sua história é um filme a parte, pois foi desde criança apaixonado pela sétima arte, pelos faroestes e filmes chineses de artes marciais. Como um legítimo “underdog”, em sua juventude trabalhava como balconista em uma videolocadora e imagina-se que ele era ótimo em sugerir os filmes para os clientes, devido a seus vastos conhecimentos nos mais variados gêneros. Foi nessa época que começou a escrever roteiros, como o de True Romance, que conseguiu ser vendido em 1993. Assim começaria a trajetória do jovem por Hollywood.
Espalhafatoso e prolixo, ele fez amizade com o produtor Lawrence Bender, que conheceu em uma festa. Ele o convenceu a arriscar-se mais e dirigir seus próprios roteiros. Daí nasceu a primeira obra prima, Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) e seu nome entraria pra sempre no vocabulário dos cinéfilos.
Com a fama repentina, outros de seus projetos receberam luz verde, porém sem sua direção, como o ótimo Assassinos por Natureza, de Oliver Stone.
Porém foi com seu filme seguinte que Tarantino iria ganhar a confiança que faltava, com o ousado, complexo e inteligente: Pulp Fiction. A obra sacudiu as estruturas do Festival de Cannes e recebeu a Palma de Ouro e a ovação unânime da crítica. O Oscar de melhor roteiro original viria para confirmar o belo futuro que se principiava no horizonte do jovem cinéfilo.

Em 1997, criou sua homenagem ao gênero da década de 70: Blaxploitation (filmes que celebravam astros e estrelas negros, como Shaft), com a obra Jackie Brown. O longa não agradou a todos e muitos se perguntavam se Tarantino era homem de um sucesso apenas.
Sua resposta veio em 2003, após uma longa ausência, com o épico em dois volumes Kill Bill. Nesta violenta mistura de gêneros, protagonizada por uma linda Uma Thurman, o diretor pôde dar vazão ao seu manancial de referências pop em um conto sobre vingança e redenção. Com este filme, Tarantino trilhou mais ainda o seu caminho de fã de cinema, mais que de um diretor que vê tudo por trás de câmeras. Ele cria filmes que ele gostaria de assistir quando jovem e isso, além de arriscado tecnicamente, pode lhe trazer como conseqüência um esfriamento entre os críticos de velha guarda.

A situação ficou crítica quando em seu próximo passo, juntou-se ao amigo Robert Rodriguez para criar sua homenagem aos filmes-duplos de matinê, invariavelmente de baixíssimo orçamento e com roteiros de qualidade duvidável. O projeto Grindhouse atendeu às expectativas de seus fãs, mas deixou um gosto amargo na boca dos críticos, que esperavam muito mais daquele jovem que em 1994 prometia uma revolução estética e artística no mundo do cinema.
Agora, em seu novo projeto Bastardos Inglórios, ele irá abordar o cenário da Segunda Guerra Mundial, certamente trazendo como referência seus filmes preferidos do gênero. Espera-se que dessa vez ele saia da sua “zona de conforto” e arrisque mais uma vez, como aquele jovem balconista de videolocadora fez um dia.







14 comentários

miguel disse...

A frase final resume tudo! Fiquei empolgado quando vi Cães de Aluguel e Pulp Fiction, mas depois ele entrou na zona de conforto, como você tão bem disse,e fez filmes pop demais.
Mas como confio em sua opinião, irei checar esse novo filme e ver se mudo de idéia!
Parabéns pelo especial!!

aramis santana disse...

Tarantino rulez e este especial ficou muito legal!
Gosto muito dos textos do blog. Já os acompanho a um tempinho e estão cada vez melhores!
Parabéns!

miguel rodrigues disse...

Octávio:
parabéns pelo excelente texto sobre
o Quentin Tarantino,eu ainda nâo assistí o Bastardos Inglórios,mas depois do seus comentários fiquei curioso e acredito que deva ser um grande filme! para mim o melhor filme do Quentin foi Câes de Aluguel. Concordo quando diz que
que a violência do filmes de Tarantino lembra os do grande Sam Peckinpah(um dos grandes diretores do séc.XX)
Miguel Rodrigues.

dudu moraes disse...

A história do Tarantino é o sonho de qualquer fã de cinema. Você conseguiu exprimir muito bem as intenções do Quentin e como de costume, fez uso de uma prosa muito agradável de ler e reler, e reler...
Parabéns por mais este especial!
Agora, mudando de assunto, o que aconteceu com as caricaturas de vocês na entrada? Estava muito legal!
Da maneira que está agora, está muito frio...não se irritem, é só uma sugestão,ok?

Vertigo disse...

Oi Dudu,
Obrigado pela opinião sobre as caricaturas. É que estou remodelando aos poucos o lay-out do blog. Elas devem voltar em breve.
valeu.
abs.

talita disse...

Maravilhoso esse especial, falando sobre o cara mais cool que Hollywood já criou!
O Vertigo Pop está no seu auge...não melhora que estraga!hahaha
Seguindo o amigo de cima, gostaria de dar uma sugestão: Seria muito bacana ver vocês em vídeo podcast falando sobre os assuntos da semana...além de serem bonitos, entendem muito de cinema!
Parabéns mais uma vez!!

Bondgirlpatthy 007 disse...

Octavio parabéns pela brilante matéria. Tarantino é um especialista em filmes de ação. Um gênio. E vc meu querido... é um gênio do blog de cultura e entreenimeno.Bjs

Beth disse...

Apesar de adorar o Tarantino,não conhecia a história deste gênio do cinema e fiquei encantada!Vou passar a olhar com outros olhos os balconistas de vídeolocadora ...rsrsrsrs
Parabéns Octavio (de novo !!)por este Especial!!

Andréa disse...

"Espera-se que dessa vez ele saia da sua “zona de conforto” e arrisque mais uma vez, como aquele jovem balconista de videolocadora fez um dia."
Que maneira espetacular de fechar este especial! Adorei isso!
Octávio, você consegue escrever tão informalmente, e ao mesmo tempo, bastante profissional. Nota 1.000!

Adriana disse...

Que maneira de escrever deliciosa! Tarantino é um gênio pop e merecia esta homenagem maravilhosa deste blog superpop.
Parabéns Octavio pela homenagem!

ricardo disse...

Muito bom mesmo esse especial! O blog é o melhor que já vi!

Su disse...

"Espera-se que dessa vez ele saia da sua “zona de conforto” e arrisque mais uma vez, como aquele jovem balconista de videolocadora fez um dia."

Realmente, foi uma maneira brilhante de terminar o artigo.
Na minha opinião ele realmente saiu dessa zona de conforto. Em Bastardos Inglórios seus personagens tem algo de história em quadrinhos assim como foi em Kill Bill. Muito bom!

Anônimo disse...

Eu, sinceramente, gostei de todos os filmes dele. Mais de uns do que de outros, mas todos de alguma maneira me cativaram.

Assassinos por natureza, por exemplo, que ele apenas roteirizou, está longe de True Romance, Reservoir Dogs e Pulp Fiction, mas ainda sim tem seu valor.

Fabricio Mendes disse...

Já vi toda a filmografia do eterno Tarantino, recomendo.