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14 de out de 2009

VERTIGO POP ESTREIA: "DISTRITO 9"

MUITO BARULHO POR NADA

Badalado pela crítica mundial, Distrito 9 promete mais do que cumpre e fica aquém de outras obras de ficção científica


Um filme é muito mais que suas pretensões ideológicas e artísticas, o resultado final depende de um misto de elementos que vão além da idéia inteligente. Some a isso uma grande expectativa e o resultado pode ser catastrófico.
Distrito 9 está sendo vendido por críticos como “o melhor filme de ficção científica em muitos anos”, “uma obra prima” entre outros adjetivos simpáticos, porém o filme que assisti hoje pela manhã não me cativou em nenhum momento, me entediou e me fez olhar o relógio várias vezes.
Antes que digam que é preconceito ou ignorância sobre o tema, devo dizer que sou fã do gênero e sei que ele se divide em três vertentes distintas: As obras puras de ficção científica, sérias e que levantam questões profundas, como 2001 – Uma Odisséia no Espaço de Stanley Kubrick ou O Enigma de Andrômeda de Robert Wise, as obras que visam o puro entretenimento aliado à ótimas idéias, como Contatos Imediatos de Terceiro Grau, E.T. e Minority Report de Steven Spielberg ou Inimigo Meu de Wolfgang Petersen e aquelas obras que não se importam com questões filosóficas, nem sempre boas, mas que podem ser vistas como diversão descompromissada, como Independence Day de Roland Emmerich.
Distrito 9 não se enquadra em nenhuma das três vertentes citadas. Possui uma boa premissa: Uma nave-mãe alienígena mantém-se nos céus de Johannesburgo, enquanto milhares de Aliens sem poderem voltar para casa, passam a habitar uma favela, o Distrito 9. As analogias são óbvias, ao Apartheid, à maneira como os imigrantes ilegais são tratados na América, mas de tão óbvias, perdem o peso crítico.

O filme inicia como um documentário mas não mantém a idéia, o que prejudica o resultado final. Como público, mesmo em uma ficção com Aliens existem certos fatores que precisam ser respeitados, para que possamos crer durante as duas horas de projeção nos fatos que passam na tela. Vários furos atrapalham a imersão do espectador, como os aliens se comunicando em sua língua e utilizando expressões e gírias humanas e entendendo e sendo entendidos com perfeição quando falam com humanos. Ok, é um pseudo-documentário ou um filme trash? Essa falta de equilíbrio além de desviar a atenção em vários momentos faz com que fiquemos a mercê do carisma do personagem principal, o agente Wikus, responsável pela retirada dos Aliens do distrito. E é esse outro ponto fraco da obra, o ator Sharlto Copley não transmite o mínimo carisma, mesmo levando-se em consideração sua jornada muito interessante. Passa o filme e eu não consegui me importar em acompanhar sua aventura, isso é essencial em um filme como esse.
Mesmo com a produção de Peter Jackson e a quase unânime bajulação da crítica mundial, continuo esperando com expectativa aquele filme que todos estavam apregoando como uma obra prima. Distrito 9 fica no limite entre o regular e o aceitável, e isso para uma obra de ficção-científica conta muito!



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